PAROREXIA EM FELINO - RELATO DE CASO

Autores

  • Luanne Faria Sanches
  • Mirela Noro
  • Humberto Schmidt

Palavras-chave:

Etologia, Clínica, Parorexia, Síndrome, PICA

Resumo

A compreensão dos transtornos comportamentais em felinos tem ganhado destaque na medicina veterinária devido à crescente valorização do bem-estar e da saúde mental, especialmente no contexto de estresse e ansiedade que eles podem gerar. Um dos distúrbios comportamentais observados é o Transtorno Compulsivo, caracterizado por comportamentos repetitivos e sem propósito aparente. A manifestação desses comportamentos pode ocorrer de diversas formas, como a ingestão de substâncias não alimentares, denominada parorexia/alotriofagia ou Síndrome de PICA. Se não tratada, o animal pode vir a apresentar obstruções e/ou perfurações intestinais e intoxicações, já que esses objetos podem ser pontiagudos ou conter substâncias tóxicas ao gato. Portanto, é imprescindível a atuação do médico veterinário comportamentalista para reduzir o estresse e criar um ambiente saudável. O relato apresenta um caso de de parorexia em felino diagnosticado em um atendimento domiciliar na área de psiquiatria veterinária. A consulta foi realizada devido à queixa de ingestão de tecidos. A paciente era uma gata castrada de 6 anos e 3,7 kg, adotada aos 5 meses de idade, residente em um apartamento com duas tutoras, e que apresentava ingestão de plástico desde filhote. O ambiente contava com enriquecimento ambiental, como prateleiras, um arranhador pequeno, duas caixas de areia uma ao lado da outra, com pouco substrato e bordas elevadas, próximas à fonte de água, e gramíneas como enriquecimento alimentar. A alimentação era restrita a duas vezes ao dia devido à dieta de emagrecimento de uma segunda gata, cuja introdução foi feita de forma abrupta, quando a paciente tinha 1 ano, sendo a relação entre elas conflitiva. As tutoras relataram que a paciente era bastante ativa e tinha interesse por brincadeiras. Os sinais clínicos relatados foram: ingestão de tecido, plástico, vômitos e solicitação de atenção ao derrubar objetos. Dessa forma, a avaliação clínica confirmou o diagnóstico de parorexia. Fatores como desmame precoce, condições ambientais e predisposição genética têm sido implicados no desenvolvimento dos comportamentos compulsivos. No caso específico, a restrição alimentar, a distribuição dos recursos no apartamento, a limitação de espaço feita pelas tutoras após o início da ingestão de tecidos, e a relação com a outra felina podem ter aumentado o nível de estresse da paciente e, consequentemente, exacerbado esse transtorno. A abordagem farmacológica incluiu o uso de fluoxetina na dose mais baixa (0,5 mg/kg), um psicotrópico que aumenta gradualmente os níveis de serotonina, neurotransmissor relacionado ao bem-estar. A fluoxetina foi escolhida devido à sua eficácia comprovada no tratamento de ansiedade e comportamentos repetitivos em felinos, com administração diária por via oral, preferencialmente pela manhã após uma refeição, para minimizar efeitos colaterais como alterações no apetite e ressecamento das fezes. Durante os primeiros 15 dias de tratamento, houve uma melhora significativa no comportamento da paciente, ela estava mais calma, não procurou objetos para ingerir ou derrubar, e a tutora relatou que os efeitos colaterais foram leves. Paralelamente, estratégias de manejo comportamental foram implementadas, incluindo a remoção de objetos "alvo" de ingestão e a introdução de enriquecimento alimentar com sticks de Matatabi, uma planta cujo efeito é similar ao catnip, trazendo estímulo cognitivo e sensorial, e reduzindo a ansiedade. Entretanto, aos 30 dias, a paciente voltou a solicitar alimento fora do horário determinado, e como a tutora acatou a demanda do animal, esse comportamento indesejado acabou sendo reforçado. Em conclusão, a abordagem multidisciplinar, combinando medicação e manejo ambiental, mostrou-se eficaz na redução dos sinais clínicos de parorexia, promovendo uma melhora significativa no bem-estar e na qualidade de vida da paciente e das tutoras, destacando a importância de uma intervenção precoce em casos de transtornos comportamentais em felinos.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

PAROREXIA EM FELINO - RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117615. Acesso em: 16 abr. 2026.