SERIA A ESCOLA JUSTAMENTE O LUGAR DO APRENDER A CONVIVER COM A DIVERSIDADE?

Autores

  • Emilly Amarante
  • Jaqueline Carvalho

Palavras-chave:

gênero, sexualidade, mulheres, lgbt+, escola

Resumo

Este estudo visa relatar a produção de narrativas junto a jovens estudantes de escola estadual, em bairro periférico da cidade de São Borja/RS. O intuito é provocar, por meio de atividades reflexivas, questões de gênero e sexualidade. Também tem a intenção de gerar no processo educativo uma problematização identitária de gênero. O programa Mulheres Sem Fronteiras tem como principal objetivo promover a educação em direitos humanos das mulheres e de LGBT+, a fim de potencializar a autonomia, o enfrentamento a violência de gênero, e o reconhecimento de direitos sociais, políticos, econômicos e culturais. Questões de gênero e sexualidade vem sendo pautas constantes de problematizações, discussões, projetos de leis e afins. De um lado, há os que sugerem e defendem tal debate; de outro, aqueles que desconhecem sua importância e criticam tal discussão. Quando a temática citada está vinculada ao ambiente escolar, a crítica é potencializada e ganha ainda mais visibilidade. O debate sobre gênero e sexualidade na escola não é inédito. Contudo, esse é o ambiente onde mais crescem os índices de intolerância, preconceito, agressões, assédios, evasões ou exclusões nas escolas. Por isso, cabe questionar: não seria a escola justamente o lugar do aprender a conviver com a diversidade? Embora as escolas tenham uma preocupação com temáticas que tratem as diversidades, esse termo é muito amplo, e cabe dentro dele uma infinidade de discussões que merecem estudos mais específicos. Assim, almeja-se na formação um olhar mais atento nas imagens, não só pelo preparo no uso de interpretação, mas direcionado principalmente para problematização dos conteúdos de gênero registrados nas imagens, discutindo como se socializam e se sociabilizam os(as) jovens por essas imagens de gênero. Constata-se que a escola não se encoraja a interferir na vivência da sexualidade dos(as) alunos(as), visto que os PCNs agem como normativas a serem aplicadas em projetos. O que nos leva a crer que, o dever da escola está em preocupar-se em problematizar tais questões, sem se tornar invasiva na trajetória dos(as) alunos(as). Obviamente não é função essencial da escola, nem tampouco da família, direcionar essa vivência; o que cabe a cada uma dessas instâncias, é oferecer condições para um diálogo franco, livre de preconceitos e discriminações que oprimam e ofendam a integridade de uma pessoa em constante descoberta no que diz respeito à sua sexualidade. Sobre a atividade: Foram programadas três etapas distintas. Primeiramente, uma oficina destinada à: integração do grupo, apresentação do tema e debate. Na sequência, efetivando a segunda etapa, os(as) jovens estudantes foram convidados a produzirem materiais informativos- cartazes, fanzines, lambe-lambe ou textos- temáticos desde seus cotidianos de vida, intercalados por sessões de discussões sobre as imagens de gênero produzidas, evidenciando contrastes nas vivências de registro construídas nas experiências. Interessa, nessa dinâmica educativa, acompanhar o processo mediante o qual os(as) estudantes refletem suas realidades e explorem as potencialidades de um registro imagético qualificado. Desde a escolha, a apresentação das imagens, passando pela produção textual ou imagética até a construção de narrativas articulando suas falas às imagens escolhidas e às falas e imagens dos(as) demais. Pretendemos que tais registros componham uma mostra dos estereótipos de gênero, apresentando as narrativas dos(as) participantes, o que valorizaria seus estudos para além da sala de aula. Em síntese, em que pese as condições materiais e culturais que distinguem sua produção, está se caracteriza pela expressão de uma narrativa de denúncia e mobilização, sendo a cotidianidade a ambiência principal de ação. As experiências relatadas revelam uma profunda identificação destes(as) jovens estudantes com o espaço social onde vivem, com as relações familiares e de amizade que estabelecem. Dessa forma, o diálogo e a reflexão são elementos essenciais para o processo de construção de conhecimento na formação em que as experiências vividas são partilhadas e amparadas às teorias (FERREIRA; SANTOS; QUADRADO, 2017, p. 242).

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

SERIA A ESCOLA JUSTAMENTE O LUGAR DO APRENDER A CONVIVER COM A DIVERSIDADE?. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116579. Acesso em: 17 abr. 2026.