RESULTADOS POSITIVOS E NEGATIVOS DA SOCIALIZAÇÃO COM SURDOS EM PROJETO DE EXTENSÃO
Palavras-chave:
Surdos, Inclusão, ComunicaçãoResumo
O projeto "Café com Libras Unipampa" é uma iniciativa de extensão universitária promovida pelos professores de Libras e de Comunicação do Campus São Borja da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) com o intuito principal de promover a cultura da Língua Brasileira de Sinais (Libras) na comunidade local para, por meio dela, buscar inserir a população surda em novos espaços comunitários de circulação e convívio, entre os quais, o próprio espaço acadêmico. Tem também, como objetivos, despertar nos estudantes universitários e na população jovem, principalmente, novas competências e habilidades comunicacionais, a partir da consciência em torno dessa realidade da pessoa surda. A interação social advinda desse empenho é também pensada no objetivo de promover a cidadania ativa inclusiva e de criar, nos sujeitos surdos e também não surdos, a sensação de pertencimento (Honneth) como elemento constituinte de suas identidades. Trata-se de um projeto de Extensão pensado nas bases de um movimento social ainda bem mais amplo. Em parceria com instituições de organização civil, como Organizações Não Governamentais (ONGs), associações e entidades, unidas em prol da defesa de direitos civis e da melhoria das relações sociais na comunidade com a população surda, o que se tenta alcançar é a comunicação com e da comunidade surda como prática de cidadania ativa e a consciência da população ouvinte nessa sociabilidade inclusiva. O projeto busca a superação de desigualdades, o respeito à diversidade e à tolerância com base no diálogo, na comunicação não violenta e na inspiração estudantil aos valores de justiça e dignidade sociais. O surgimento dos movimentos sociais surdos sul-americanos trouxe consigo as influências europeias como os modelos de associação e de educação, usadas como política cultural da comunidade surda europeia no começo do século passado. Só bem mais tarde, no Brasil, diversos programas sociais e políticos também foram criados, oportunizados e discutidos pelos próprios surdos nos encontros esportivos e, sobretudo, educacionais, em que essa população trocava informações, ideias, dialogava, como ocorre até os dias de hoje (KRAUSE, 2022). O conhecimento e a consequente distribuição deste como valor de promoção da injustiça social, assim, nos fortalecem na luta por reivindicações em seus aspectos mais fundamentais em torno da fenomenologia das experiências sociais e políticas (idem). O pensamento de Axel Honneth, e sua teoria do reconhecimento, em que o autor trata de como as lutas por este valor identitário são, afinal, fundamentais ao sujeito em sua coletividade, assim como as ideias de Nancy Fraser, cuja base teórica sobre as injustiças sociais e as desigualdades socioeconômicas igualmente nos ajudam a compreender a prática da política cultural de redistribuição de direitos são aqui tomadas nesse projeto como subsídio teórico mais amplo para pensarmos a questão pragmática da comunidade surda nas esferas de ações institucionalizadas, protagonizadas por cidadãos em suas necessidades mesmas. (ibidem) Honneth aponta três possibilidades do reconhecimento, retomadas da teoria hegeliana: de autoconfiança, de auto respeito e de autoestima. Elas nos servem para pensar o que faz dos surdos cidadãos para construírem o conteúdo de suas vidas representativas no amor, no direito e na solidariedade a partir da importância social que reconhecem na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras), em uma visão interacionista, humanística e jurídica, assim como a partir de sua própria cultura (NOVAES, apud KRAUSE, 2022). A democratização do conhecimento em linguagem, a valoração dos sujeitos em sua singularidade, a superação de dificuldades advindas de suas deficiências e a disposição ao diálogo e para situações de comunicabilidade são esteios da trajetória sonhada nesse projeto, cuja utopia nos resgata cotidianamente o esperançar (FREIRE) na direção de um mundo melhor em favor do qual não ficamos simplesmente parados à espera. Nosso trabalho traz ao Siepe alguns dos resultados desta primeira fase do projeto: RESULTADOS POSITIVOS: a) Os estudantes não surdos estão começando progressivamente a se integrar à comunidade surda, dentro e fora da universidade; b) preconceitos e desinformação sobre a realidade do surdo começam a diminuir para além dos encontros do grupo, nas realidades cotidianas dos estudantes e professores; c) Alunos não surdos começam a conviver com a comunicação dos surdos em vídeos pelo WhatsApp e outros formatos de mídia, de modo a diminuir a dificuldade de comunicação entre eles e a interação social antes não existente. Como RESULTADOS NEGATIVOS: a) as reuniões acontecem de modo bastante variado em dias diferentes da semana e horários diferentes, o que torna a agenda bastante difícil; b) As chuvas frequentes registradas neste período do ano também prejudicaram bastante a agenda, uma vez que muitos dos encontros são ao ar livre, em parques e praças. Muito calor e sol excessivo também são negativos. Por isso, cafeterias.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RESULTADOS POSITIVOS E NEGATIVOS DA SOCIALIZAÇÃO COM SURDOS EM PROJETO DE EXTENSÃO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116574. Acesso em: 17 abr. 2026.