DE DOM PEDRITO À CASCAVEL: REFLEXÕES SOBRE A CIRANDA INFANTIL DA UNIPAMPA NO SIFEDOC

Autores

  • Jonas Anderson Simões das Neves
  • Marli Perla Rodrigues Zambrano
  • Carine Diaz da Silva
  • Jonas Anderson Simões das Neves

Palavras-chave:

Infância, Ciranda, Sifedoquinho

Resumo

A Educação do Campo é produto da luta dos camponeses pelo direito à terra e à educação, preza pela manutenção de seu compromisso histórico com os movimentos sociais que lhe deram vida. Seus fundamentos epistemológicos são edificados no diálogo constante com os movimentos sociais populares e com os povos e comunidades dos campos, águas e florestas. Um de seus princípios básicos se vincula à garantia do acesso dos trabalhadores aos bancos escolares, o que implica na garantia das condições necessárias para que possam estudar. No curso de Educação do Campo da Unipampa várias estudantes precisam trazer os filhos para a universidade sem, no entanto, dispor de um espaço adequado de acolhimento aos mesmos. Nestes termos, inspirando-se na experiência dos movimentos sociais, foi criado o projeto de uma ciranda infantil. É nas cirandas espaços populares de educação infantil que as crianças compartilham suas experiências de vida, participam do processo formativo da luta popular e expressam suas demandas e ideias sobre seus contextos de vida; de forma que a finalidade da ciranda passou da simples necessidade de um espaço de cuidado para a defesa de um lugar de protagonismo para as crianças no processo de fortalecimento de sua identidade com o grupo. A primeira experiência da ciranda ocorreu durante a 9ª JURA Pampa, projeto de extensão realizado no Campus Dom Pedrito, quando as 11 crianças que acompanharam seus pais foram acolhidas num espaço de sala de aula, quando foram organizadas brincadeiras, atividades de pintura e apresentadas algumas animações projetadas na parede. Concomitantemente a esta experiência precursora, articulou-se junto ao Campus um espaço específico para implementação da ciranda infantil, o qual foi disponibilizado junto a casa do estudante. Ao longo deste período foram organizadas atividades lúdicas e pedagógicas com as 8 crianças que utilizam o espaço. Esta experiência foi sistematizada e apresentada no IV Seminário Internacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas e II Seminário por uma Educação do Campo na Região Sul, realizado no Campus da UNIOSTE, localizado na cidade de Cascavel-PR, sendo objetivo deste resumo descrever esta experiência, que se iniciou no momento em que o trabalho foi apresentado no referido evento, quando surgiu a proposta de organizar uma experiência de Ciranda também no SIFEDOC. A organização do evento disponibilizou uma sala para a atividade, a qual foi organizada por seis estudantes de diferentes universidades e movimentos sociais. Desta forma, concomitantemente ao evento, ocorreram na Ciranda atividades lúdicas com as(os) filhas(os) das(os) participantes, que envolveram a elaboração de pinturas e desenhos, dança, música e literatura, sempre tematizadas e trabalhadas em diálogo com memórias, identidades e manifestações culturais dos povos do campo, das águas e das florestas. Ao longo do evento a experiência, que foi batizada de Sifedoquinho, mereceu bastante destaque, especialmente pelo protagonismo que reconhecia às crianças, que não estavam contempladas na proposta original do evento. As dez crianças que deram vida ao Sifedoquinho tinham origem em diferentes povos (camponeses, indígenas e quilombolas), que foram trazidas por elas ao espaço, manifestadas a partir de suas linguagens e produções artísticas e culturais. Ao mesmo tempo em que o Sifedoquinho oportunizou às crianças um espaço adequado de permanência, aprendizado e trocas culturais, também recebeu destaque na programação do evento principal, se envolvendo na construção das místicas. Trouxe também em suas estratégias lúdicas e formativas a possibilidade de fortalecer as organizações comunitárias e as ações coletivas que se voltam a igualdade de gênero e ampliação do universo. Em termos de considerações finais, destaca-se a importância do Sifedoquinho enquanto espaço de permanência e construção de aprendizados por parte das crianças, com o reconhecimento de suas culturas, linguagens e epistemologias próprias, mas fundamentalmente sua articulação ao evento central. O Sifedoquinho não se resumiu a condição de simples lugar de permanência das crianças, assumiu seu protagonismo na programação do SIFEDOC, tanto é que ao final do evento já foi lançado o II Sifedoquinho, que irá se integrar ao V Seminário Internacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas e III Seminário por uma Educação do Campo na Região Sul, que será realizado no Estado de Santa Catarina.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

DE DOM PEDRITO À CASCAVEL: REFLEXÕES SOBRE A CIRANDA INFANTIL DA UNIPAMPA NO SIFEDOC. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116564. Acesso em: 17 abr. 2026.