O OLHAR DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL SOBRE A REAPROPRIAÇÃO DA NATUREZA EM CONSTRUÇÕES ABANDONADAS.

Autores

  • Paolla Martins Borges Gonçalves
  • Guilherme de Oliveira Gavião
  • Álvaro Luís Ávila da Cunha

Palavras-chave:

Tempo, natureza, construções

Resumo

O ser humano sempre criou construções que por vezes permanecem visualmente intactas com a passagem do tempo, as quais tornam-se, na maioria das vezes, parte da cultura local onde estão inseridas. Todavia, a grandeza da engenharia arquitetônica antiga que fora desenvolvida pelos diversos povos predecessores, muitas vezes não é tão forte e paciente quanto a natureza. Há múltiplos registros em que a natureza fagocita gigantes de concreto, pedra e aço, devorando-os e tornando cada pequena ou grande marca da presença humana sua. Para observar esta prevalência natural, conseguindo captar e compreender o local em que estamos inseridos, uma das ferramentas mais pragmáticas e simples que podemos exprimir é a realização de trilhas ou caminhadas que permitem a contemplação da história visual dos lugares isolados e em termos mais macros até mesmo os colossais prédios, monumentos e construções que nos rodeiam diariamente, se visto com cuidado, também apresenta os sedimentos do tempo. Seguindo esta temática e com a finalidade de melhor compreensão destas facetas naturais o objetivo deste trabalho é demonstrar como tal contemplação pode ser feita, foram selecionadas duas jornadas do Grupo de Estudo e Extensão Movimento e Ambiente (G.E.E.M.A.) da Universidade Federal do Pampa - Campus Uruguaiana, cujo a temática converge-se com este objetivo de observação. Na ocorrência em questão foram realizadas atividades voltadas a contemplar este fenômeno natural, no qual o selvagem embebe as construções humanas, quase apagando os resquícios da história que ali um dia existiu. Dessa forma, o grupo de estudo permite a inserção do discente e comunidade local com a natureza, para analisar e estudar os impactos naturais da vida ou dos organismos que ali convivem, seja o ser humano ou a fauna local. A primeira jornada contemplativa e observacional em questão foi a trilha da Estância Santiago localizada na BR- 4729, construída no século XVII, no distrito de São Marcos, Uruguaiana- RS, fazendo parte dos Sete Povos das Missões que atualmente está sucumbindo lentamente pelo tempo, entre os restos destas obras que foram destruídas na metade da década de 80 existe a pertinência da história arquitetônica que contam um pouco do passado brasileiro, o local que um dia foi de extrema importância para a criação, importação e exportação de gado, a qual hoje está encoberto pela mata. Alguns dos destroços mais observáveis contém os antigos alicerces de uma capela que antigamente era um recanto de orações que no dia corrente, apenas algumas pedras angulares de sua fundação são mantidas, foi possível identificar entre os restos de materiais que ali constitui a civilizações anterior, partes das velhas mangueiras, nome dado aos currais circulares os quais eram projetados pelos jesuítas e possivelmente tinham como objetivo produzir menos estresse no gado, deixando a qualidade da carne superior para a comercialização e consumo. A outra jornada que foi perceptível a reapropriação da arquitetura humana pelos aspectos naturais dos quais se entrelaçam sobre o concreto por estruturas geradas naturalmente, como plantas, fungos, terra e cascalho, é a trilha do Saladeiro no município de Barra do Quaraí - RS, O mais importante empreendimento industrial". (Rodrigues, 2005, p13), que fundamental foi para a economia da época onde o impacto atua sobre a região até os dias atuais, local onde antes era realizada a produção de charque no município de Barra do Quaraí - RS no século XIX, "exportava sua produção para os mercados nacionais e estrangeiros" (Rodrigues, 2005, p13), de maneira a ser um polo econômico emergente na produção do gado rio-grandense, a fábrica na atualidade se encontra quase totalmente inacessível restando apenas poucos escombros que entre a vegetação predominante do local dele hoje fazem parte se tornando um com a natureza enquanto se decompõem. Como compreendido com estas jornadas, múltiplos outros são os exemplos de reflexões do encontro natureza/ tempo, contra o pseudo eterno. O conjunto de trilhas e estudos de campo que enfatizam o poder da reapropriação da natureza nas regiões que foram esquecidas pelas civilizações, que assim tornam possível a visualização no decorrer de jornadas naturais que possibilitem um estudo observacional do ambiente. Dessa forma, a força da natureza é algo frequentemente analisado e prevalente, por mais que não seja um processo notável ou imediato, ela retornará ao seu lugar de origem de onde foi retirada pela ação humana e principalmente em regiões que são abandonadas. A natureza tudo aceita e dela todos parte são.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

O OLHAR DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL SOBRE A REAPROPRIAÇÃO DA NATUREZA EM CONSTRUÇÕES ABANDONADAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116557. Acesso em: 18 abr. 2026.