QUAIS SÃO AS PRÁTICAS EM PROMOÇÃO DA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E SAUDÁVEL NA EXTENSÃO RURAL?
Palavras-chave:
Segurança, alimentar, nutricional, População, campo, IntersetorialidadeResumo
A alimentação é um dos determinantes e condicionantes da saúde, além de um direito universal, sendo necessária a formulação e implantação de estratégias integradas à garantia do direito humano à alimentação adequada. Para promover sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis, a educação alimentar e nutricional (EAN) torna-se importante campo de prática integradora e multidisciplinar. Requer o reconhecimento das práticas alimentares como resultantes do acesso, além de comportamentos e atitudes envolvidos nas escolhas, formas de preparo e no consumo. Os extensionistas rurais trabalham com ações em alimentação e nutrição, onde a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) executa ações voltadas para o desenvolvimento local e promoção da alimentação adequada e saudável (PAAS), cuidados em saúde e a segurança alimentar e nutricional (SAN) da população. Também promove o protagonismo dos agricultores no sistema alimentar, visto que figuram dois papéis, sendo produtores de alimentos e também consumidores. Destaca-se que, para propor a garantia de alimentação adequada e saudável (AAS), é crucial pensar no tipo de comida à qual se tem acesso e como são as vivências dos que trabalham produzindo esses alimentos. Os sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis podem ser potencializados através de ações extensionistas articuladas com a promoção da saúde e PAAS. Considerando a alimentação com potencial de articulação entre as políticas sociais, entende-se seu caráter intersetorial, pautado em questões relacionadas com os modos de produção, acesso e circulação, até elementos do ato de comer. Portanto, as estratégias de EAN que articulam ações intersetoriais na PAAS têm maior potencial de garantir saúde e SAN. O projeto é desenvolvido entre a Unipampa Campus Itaqui e o Ministério da Saúde em parceria com a Organização Pan-americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde. Pretende integrar-se para qualificar a intersetorialidade (Saúde e ATER), permitindo potencializar espaços compartilhados de ação, a partir da produção de materiais e estratégias de comunicação e educação adequados às necessidades de extensionistas e da população assistida. O objetivo do estudo foi analisar ações em PAAS dos agentes de ATER do Rio Grande do Sul, através de metodologia qualitativa, privilegiando os espaços de escuta coletiva em técnica de oficinas de escuta, com a produção de dados em grupo focal e sistematização de evidências a partir das narrativas com análise interpretativa do conteúdo. A seleção dos atores-chave se deu por meio da técnica bola de neve, identificados inicialmente pela direção técnica da Emater/RS. Estimou-se 12 participantes, um de cada regional. Análise dos dados: audição das narrativas gravadas; transcrição; leitura vertical; impregnação de temas, cultura e universo simbólico atribuídos às experiências introjetadas de cada sujeito entrevistado; e leitura horizontal das entrevistas para análise dos temas previstos e emergentes. Ocorreram duas oficinas de escuta contendo nove agentes de ATER das áreas administrativa, técnica e social, contemplando formações como farmácia, agronomia, pedagogia e letras e das regionais de Bagé, Caxias do Sul, Ijuí, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre e Soledade. Amostra composta majoritariamente por mulheres (78%) e tempo de atuação de 9 a 33 anos (média 27,5). Identificou-se temas previstos (7): agroecologia as práticas incentivando o desenvolvimento rural sustentável; autoconsumo atividades de produção de alimentos para consumo familiar; comercialização atividades para geração de renda (feiras, mercados institucionais, agroindústrias); cultura alimentar ações de resgate/valorização (saberes populares, história alimentar, semente e mudas crioulas); habilidades culinárias elaboração de receitas valorizando a produção local e estímulo à AAS; plantas bioativas abordagens de produção, manejo, processamento e consumo; e saúde é a promoção de cuidados em saúde e PAAS, diante do aumento das doenças crônicas não transmissíveis. Temas emergentes (8): diversificação a maior variedade na produção para gerar renda; formação permanente atividades de atualização para extensionistas; inclusão socioprodutiva fomentos para a população em vulnerabilidade, visando a produção de alimentos (autoconsumo e geração de renda com o excedente); intersetorialidade ações em conjunto a outros setores (educação, saúde e assistência social); mudanças no padrão alimentar associada à substituição do autoconsumo pelos ultraprocessados; políticas públicas são as instituições públicas que contribuem para a agricultura familiar; processamento as atividades voltadas para o excedente de produção, buscando reduzir o desperdício; e qualidade higiênico-sanitária atividades de preservação da matéria-prima e garantia da qualidade e segurança dos alimentos. As práticas em PAAS realizadas pelos extensionistas foram desenvolvidas a partir dos temas emergentes, implementados com base nas necessidades observadas pela população assistida.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
QUAIS SÃO AS PRÁTICAS EM PROMOÇÃO DA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E SAUDÁVEL NA EXTENSÃO RURAL?. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116511. Acesso em: 17 abr. 2026.