MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS E ATIVIDADE FÍSICA: RELAÇÃO ENTRE FATORES DE RISCO EM UMA POPULAÇÃO CAMINHONEIRA

Autores

  • Juliane Gonçalves Castro
  • Letícia Chimendes Rodrigues
  • Emanuelle Kist Leturiondo
  • Mohamad Maruf Ahmad Maruf Mahmud
  • Susane Graup do Rego
  • Leticia Silveira Cardoso

Palavras-chave:

Doença, Cardiovascular, Fatores, risco, Caminhoneiros

Resumo

Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) representam uma das principais causas de morte na população brasileira e mundial. Elas ainda contribuem significativamente para o aumento da morbidade e incapacidade ao longo dos anos. A hipertensão, as dislipidemias, obesidade, sedentarismo, tabagismo, diabetes e histórico familiar atuam como fatores de risco que aumentam as chances para o seu desenvolvimento (SBC, 2019). As medidas antropométricas utilizam indicadores que potencializam a detecção da DCV, entre elas destaca-se: o Índice de Massa Corporal (IMC) e a relação cintura-quadril (RCQ) (LOUREIRO et al., 2020). A Hipertensão Arterial Sistêmica e o Diabetes Mellitus são doenças crônicas não transmissíveis, incidentes e prevalentes nessa profissão devido às rotinas de trabalho e ao estilo de vida sedentário desses motoristas (GIROTTO, et al., 2016). Sabe-se que hábitos de vida não saudáveis ​​estão fortemente relacionados às condições diárias de vida e trabalho dos motoristas de caminhão, tornando-os suscetíveis às DCV (SOUZA, 2022). Objetivo: Evidenciar a relação entre as medidas antropométricas e a prática de atividade física de caminhoneiros, atendidos em uma unidade sentinela em saúde do trabalhador de um Porto Rodoferroviário da América Latina, como um fator de risco cardiovascular. Método: Pesquisa de campo, transversal, do tipo descritivo-analítica. Realizada por discentes e docentes do Curso de Enfermagem localizado no Campus Uruguaiana da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) em um Porto Rodoferroviário da América Latina, no ano de 2019. Os dados foram armazenados junto ao Laboratório de Investigação e Inovação em Saúde de Populações Específicas (LIISPE) da UNIPAMPA. A população da pesquisa constituiu-se de 108 caminhoneiros, para o presente estudo realizou-se uma amostragem aleatória simples, obtendo-se uma amostra de 47 caminhoneiros. Para apresentação dos resultados aplicou-se uma abordagem quanti e qualitativa, primeiramente utilizou-se a estatística descritiva, com distribuição de frequência absoluta e relativa aos dados das avaliações antropométricas, por fim uma análise temática as questões referentes à prática de atividade física. Resultados: Dos 47 (100%) caminhoneiros selecionados aleatoriamente para este estudo, 12 (25,53%) são hipertensos, três (6,38%) são diabéticos e quatro (8,51%) possuem ambos os diagnósticos. Em relação ao IMC, cinco (10,6%) são considerados adequados, 23 (48,9%) em sobrepeso, 12 (25,5%) com obesidade grau I e sete (14,9%) com obesidade grau II. Na análise da RCQ, oito (17%) tem risco baixo, 18 (38,3%) risco moderado, nove (19,1%) risco alto e 12 (25,5%) risco muito alto. Além desses dados antropométricos, foram questionados sobre a prática de atividade física, 22 (46,8%) relataram que praticam, já 25 (53,2%) são sedentários. Destes últimos, 16 (34%) indicam a falta de tempo como a principal barreira para a atividade física e os demais referem preguiça, desinteresse ou problemas relacionados à saúde. Conclusão: A avaliação das medidas antropométricas revela uma população caminhoneira com predomínio de sobrepeso, o que por sí só já é considerado um fator de risco às DCV, conforme descrito pela Associação Brasileira de Cardiologia. A isto acrescem-se a presença de doenças crônicas não transmissíveis que dificultam o funcionamento fisiológico do sistema cardiovascular e que devem ser constantemente controladas por meio da avaliação de sinais vitais. Por fim, mas não menos importante encontram-se os relatos de inatividade física, que elevam o risco cardiovascular e para os quais necessita-se de intervenções em saúde. Estas requerem alterações possíveis nos postos de trabalho, os próprios caminhões, mas também intervenções multi e interdisciplinares, para as quais a enfermagem dispõe de potencial interativo, para superar modelos de educação em saúde como as campanhas midiáticas e aplicar o letramento em saúde.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS E ATIVIDADE FÍSICA: RELAÇÃO ENTRE FATORES DE RISCO EM UMA POPULAÇÃO CAMINHONEIRA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116502. Acesso em: 17 abr. 2026.