VIVÊNCIAS DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA: DIÁLOGOS NECESSÁRIOS À FORMAÇÃO MÉDICA

Autores

  • Luis André Hozana Guimarães
  • Gabriela Brandalise
  • Lara Gorreis Weigel
  • Liamara Denise Ubessi

Palavras-chave:

População, Situação, Rua, Saúde, Pública, Formação, Médica

Resumo

A cidade de Uruguaiana enfrenta desafios importantes relacionados à População em Situação de Rua (PSR) e a Política Nacional de Atenção às Pessoas em Situação de Rua (PNPR), instituída pelo Decreto Nº 7.053 de 23 de dezembro de 2009, desempenha um papel fundamental na abordagem desses desafios. Esta política caracteriza a PSR como um grupo heterogêneo que compartilha a característica de extrema pobreza, laços familiares interrompidos ou fragilizados e a ausência de moradia convencional regular, recorrendo a espaços públicos e áreas degradadas como moradia temporária ou permanente, bem como a unidades de acolhimento. O presente resumo tem como objetivo relatar vivências da PSR no contexto do município de Uruguaiana, através do diálogo com essa população. Tais vivências foram obtidas por meio de uma ação de extensão elaborada por discentes de graduação em Medicina, a partir do componente curricular Saúde Coletiva IV. Nesse sentido, consideraram-se, inicialmente, as circunstâncias da abordagem do público-alvo, como o momento mais adequado e as questões que seriam discutidas ao longo das conversas. A partir disso, durante o mês de junho de 2023, os graduandos percorreram as principais praças do município em busca de pessoas em situação de rua que se sentissem confortáveis em dialogar e compartilhar um pouco das suas vivências. As questões que foram exploradas incluíram aspectos como idade, nível de escolaridade, tempo de permanência nas ruas, dificuldades no acesso à assistência médica, frequência da procura pelos serviços de saúde, busca pela Casa de Passagem da cidade, consumo de álcool e experiências de preconceito enfrentadas. Como forma de favorecer o vínculo e, de certo modo, amparar - ainda que minimamente - as adversidades experimentadas por essas pessoas, foram oferecidos lanches para aqueles que assim os quisessem. Nesse contexto, a abordagem iniciou com uma breve apresentação dos acadêmicos, seguida pela explicação sobre a motivação e a finalidade da conversa; frente ao consentimento dos atores, consolidaram-se os diálogos. A ação oportunizou uma conexão com quatro pessoas em situação de rua nas praças visitadas. Todos eles eram homens e com idades entre 40 e 60 anos, os quais demonstraram interesse em compartilhar com os acadêmicos um pouco das suas histórias. Assim, por meio de conversas informais, foi possível responder os questionamentos prévios e traçar, basicamente, um perfil dos participantes: pessoas com pouca ou nenhuma escolaridade, em situação de rua há muito tempo, principalmente com relatos de problemas associados ao abuso de álcool. Em relação aos serviços de saúde e assistência, afirmaram que não costumam procurá-los, mas quando o fazem, procuram o Consultório na Rua, a Unidade de Pronto Atendimento ou o Pronto Socorro. Diante do exposto, é importante destacar que a ação possibilitou uma aproximação entre a universidade e essa população vulnerável, que raramente tem espaço no meio acadêmico. Além disso, foi viabilizado o exercício da escuta ativa, fundamentada na acessibilidade e empatia, conceitos cruciais para a construção de uma formação médica humanizada, acolhedora, crítica e reflexiva. O contato com diferentes perspectivas também permitiu a compreensão de uma realidade distinta daquela vivenciada pelos graduandos. Consequentemente, os discentes puderam identificar obstáculos e desafios enfrentados pela PSR - o que os tornou mais conscientes do contexto do município em que estão inseridos e das necessidades da população que os rodeia. Diante disso, é visível a importância de abordar as questões relacionadas à PSR de maneira holística e inclusiva, promovendo a equidade e a justiça social. Em tal cenário, a ação realizada atuou de forma a sensibilizar os futuros médicos às questões sociais e de saúde que afetam a comunidade local, promovendo uma formação mais inclusiva, eficaz e compassiva, que reconhece a diversidade das realidades sociais e de saúde de todos os usuários, incluindo aqueles em situação de rua. Portanto, pode-se concluir que a experiência contribuiu ativamente para a construção de um sistema de saúde mais abrangente, no qual todas as vozes são ouvidas e todas as necessidades são consideradas - independentemente da situação de moradia.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

VIVÊNCIAS DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA: DIÁLOGOS NECESSÁRIOS À FORMAÇÃO MÉDICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116490. Acesso em: 17 abr. 2026.