POR UMA PROMOÇÃO DA SAÚDE INCLUSIVA E NÃO PRESCRITIVA NA FORMAÇÃO MÉDICA

Autores

  • Lara Weigel
  • Lara Gorreis Weigel
  • Gabriela Brandalise
  • Luis André Hozana Guimarães
  • Liamara Denise Ubessi

Palavras-chave:

Promoção, Saúde, Programa, nas, Escolas, Curricularização, Extensão

Resumo

O Programa Saúde na Escola (PSE), política intersetorial da Saúde e da Educação, tem como objetivo promover saúde e educação integral para crianças, adolescentes e jovens da rede pública de ensino no país. Por meio da realização de atividades de promoção, prevenção e atenção à saúde, integra-se e articula-se a educação e a saúde de maneira a proporcionar melhoria na qualidade de vida da população e contribuir para a formação integral dos estudantes. Assim, transmite-se conhecimento, ferramenta essencial para o enfrentamento de vulnerabilidades e para a emancipação e autonomia dos jovens. Diante disso, o presente trabalho tem como intuito relatar a experiência vivida por meio de ações de extensão relacionadas ao PSE, realizadas em uma instituição de ensino fundamental da rede pública no município de Uruguaiana. Tais ações foram realizadas a partir da disciplina de Saúde Coletiva IV, componente curricular do 4º semestre do Curso de Medicina de uma Universidade Federal, e foram idealizadas a partir do diálogo entre a Estratégia Saúde da Família, escola e acadêmicos, de forma a identificar as necessidades e pensar ações referentes ao PSE. Com base nisso e nas sugestões do público-alvo, estudantes do sexto ano, foram levantadas algumas temáticas de interesse, como higiene pessoal, puberdade, drogas e atividade física, que posteriormente foram selecionadas e embasaram as atividades elaboradas pelos graduandos. Contudo, ao longo do contato e do desenvolvimento de um vínculo com as crianças, foi possível observar a necessidade de acrescentar também o tema de relações interpessoais, trabalhando tópicos como respeito e harmonia. Nesse contexto, as 3 ações de extensão ocorreram no período de junho de 2023, com crianças entre 11 e 12 anos e consistiram em diferentes atividades práticas. A primeira constituiu-se em uma conversa guiada sobre drogas seguida por uma dinâmica de jogo da forca. Para tanto, a turma foi dividida em dois grupos, visando aprofundar a conversa com os acadêmicos e ampliar as trocas. Em seguida, foi proposto o jogo, a partir de perguntas relacionadas ao tema, como forma de consolidar aspectos importantes sobre as drogas e compreender a percepção dos alunos quanto à ação. Para a segunda atividade, levantou-se o debate acerca das relações interpessoais. Nesta foi realizada uma brincadeira na qual os alunos, em roda, escreveram uma tarefa para o colega ao lado realizar. Entretanto, após finalizar a escrita, os alunos descobriram que a tarefa deveria ser realizada por eles - e não pela criança ao lado. Com isso, levantou-se a reflexão sobre o respeito ao próximo e a forma como tratamos os outros. Já a última ação traduziu-se em um compilado de tudo o que foi trabalhado com as crianças, tanto ao longo das extensões - drogas e relações interpessoais - quanto das práticas anteriores à extensão - como a temática da puberdade. Nessa atividade, sugeriu-se um jogo em que cada grupo deveria elaborar perguntas sobre os assuntos discutidos para o outro grupo responder. Assim, foi possível avaliar o quanto as crianças assimilaram o que foi conversado nas ações. Por fim, foi discutida com os alunos a opinião deles em relação à participação dos acadêmicos de Medicina na rotina deles, recebendo um retorno muito positivo e emocionante. À vista disso, é possível destacar a aproximação entre comunidade e academia, transpondo os muros da universidade, de modo que o grupo pôde conhecer as demandas, sem impor palestras, identificar a formação de um vínculo muito potente com os alunos e também uma troca muito grande entre os atores. Nessa óptica, os universitários foram à escola pensando em ensinar temas relacionados à saúde para os alunos e retornaram com uma bagagem muito rica - para além da saúde: trocaram-se, mutuamente, experiências de vida, realidades, desafios e potencialidades da comunidade. Esse cenário como um todo foi considerado muito positivo pelos acadêmicos, uma vez que possibilitou agregar conhecimento técnico a partir da aplicação de conceitos teóricos vistos na disciplina, como a promoção da saúde, mas também conhecimento prático, pela interação com as crianças. Ademais, foi percebido que as crianças se apropriaram dos conhecimentos trocados, ampliando sua autonomia em relação ao próprio corpo, autocuidado e favorecendo processos emancipatórios em sua própria individualidade, para que assim seja possível exercer plenamente sua cidadania. Por conseguinte, ressalta-se o PSE como instrumento relevante para a formação individual e coletiva, por intermédio do diálogo entre a comunidade, ESF e Universidade - isto é, envolvendo interlocuções entre diferentes setores sociais -, da articulação de saberes e do protagonismo estudantil, tudo isso sustentado pela prática extensionista. Logo, o trabalho com as crianças resultou em: vínculo, informação, mudança, construção de um ambiente seguro para a troca de experiências e conhecimento - culminando, assim, na promoção da saúde inclusiva e não prescritiva.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2023-12-18

Como Citar

POR UMA PROMOÇÃO DA SAÚDE INCLUSIVA E NÃO PRESCRITIVA NA FORMAÇÃO MÉDICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116485. Acesso em: 18 abr. 2026.