RASTREIO EM SAÚDE MENTAL NO TERRITÓRIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Caroline Siqueira Lena
  • Suzan Goncalves Rosa

Palavras-chave:

Saúde, Mental, Atenção, Básica, Territorialização

Resumo

Introdução: A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) prevê a desinstitucionalização do cuidado em saúde mental Este processo teve início com a transição das instituições manicomiais para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) entre outros serviços de apoio incluídos na RAPS, desde a atenção primária até a especializada. Neste modelo os diferentes pontos da rede devem atender o usuário, sendo o sujeito o ponto central do cuidado. Porém, os serviços especializados acabaram por assumir responsabilidade por este cuidado, afastando o atendimento das demandas de saúde mental da atenção primária e até mesmo a procura dos usuários por atendimento nestes serviços. As Estratégias de Saúde da Família (ESF) têm papel essencial no processo de descentralização, por caracterizar-se por serviço territorializado de atenção primária à saúde. Seu papel no cuidado em saúde mental vem sendo construído, através da inserção de profissionais psicólogos, oficineiras, residentes e estudantes nas ESFs. Porém, ainda enfrentamos o estigma no atendimento destas demandas entre os profissionais, além do desconhecimento das equipes frente a casos no território. Pensando em nossa inserção, como residentes em saúde mental, em uma unidade do município de Uruguaiana/RS, buscamos elaborar estratégias para rastrear estes usuários e realizar intervenções, acompanhamento e registro adequado destes casos. Metodologia: O rastreio em saúde mental foi iniciado através da consulta em prontuário dos atendimentos realizados pela médica generalista na ESF no período de setembro de 2022 e fevereiro de 2023, a fim de localizar usuários em uso de medicamentos psicoativos, os quais renovam prescrições no território. Eventualmente, outros usuários foram incluídos neste rastreio através de acolhimentos e escutas espontâneos, participação em atividades oferecidas na unidade, e encaminhamentos de profissionais da equipe e de outros serviços de saúde mental. As informações básicas destas pessoas foram então incluídas em lista de acompanhamento, contendo nome, tratamento medicamentoso atual, número para contato, endereço, agente comunitário de saúde responsável pela microárea e últimas intervenções realizadas, informações também contidas nos prontuários virtuais do serviço municipal de saúde. Esta lista está hospedada virtualmente através de plataforma do google drive vinculada aos e-mails institucionais dos residentes, onde todos possuem acesso para atualização e consulta a qualquer momento. Resultados: Com base nestes dados coletados, estes usuários foram inseridos em atividades coletivas e individuais na unidade, a fim de vincular ao serviço. No período de fevereiro a agosto de 2023 foram realizadas 30 visitas domiciliares, acompanhando 24 pacientes, em torno de 270 atendimentos de auriculoterapia, atendendo em torno de 70 usuários, contabilizamos também 108 atendimentos de psicologia apenas através da residência, além de inserção de usuários em grupos terapêuticos oferecidos tanto por residentes como por membros da equipe da unidade. Conclusão: Este recurso possibilitou acompanhamento e acesso facilitado a informações de diversos usuários, favorecendo a vinculação à unidade e a adesão ao cuidado continuado. Esses dados ainda podem ser disponibilizados a outros profissionais da unidade e futuros residentes de saúde mental a fim de manter o seguimento após a troca dos profissionais, sendo essa uma iniciativa de fortalecimento do cuidado em saúde mental territorializado e desinstitucionalizado.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

RASTREIO EM SAÚDE MENTAL NO TERRITÓRIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116478. Acesso em: 17 abr. 2026.