CARACTERIZAÇÃO DOS FOCOS DE ANEMIA INFECCIOSA EQUINA NA FRONTEIRA OESTE DO RIO GRANDE DO SUL

Autores

  • Maira Puntel
  • Maira Bertó Puntel
  • Carolina Kist Traesel
  • Paula Fonseca Finger
  • Christiane Duarte Pombo
  • Jose Conrado dos Santos Jardim
  • Mario Celso Sperotto Brum

Palavras-chave:

AIE, equinos, infecção

Resumo

A Anemia Infecciosa Equina (AIE) é uma doença infectocontagiosa, que afeta equídeos e é causada por um retrovírus do gênero Lentivirus. A transmissão do vírus ocorre, principalmente, por vetores mecânicos (mutuca ou mosca dos estábulos) ou via iatrogênica (agulhas, seringas ou material cirúrgico contaminado com sangue de animal positivo). A AIE pode apresentar três quadros clínicos distintos: aguda, crônica e inaparente. Os sinais clínicos são anemia, anorexia, edema ventral, caquexia, trombocitopenia, hemorragias petequiais, hipertermia e raramente alterações neurológicas. O diagnóstico da AIE é realizado por testes sorológicos de imunodifusão em gel de ágar ou ELISA. A AIE não possui vacina ou tratamento específico, sendo o isolamento ou a eutanásia dos animais infectados as únicas formas para reduzir a disseminação do vírus. No Rio Grande do Sul, a AIE é uma doença de controle oficial, sendo permitida somente a movimentação de animais negativos, que possuam a guia de trânsito animal (GTA) atualizada, e toda a propriedade deve ser cadastrada no Sistema de Defesa Agropecuária da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SDA/SEAPDR). O objetivo do trabalho foi caracterizar a distribuição geográfica e temporal dos focos de AIE, entre os anos de 2009 a 2019, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, Brasil. Para isso, os registros oficiais de propriedades foco foram obtidos juntos ao Serviço Veterinário Oficial (SVO), tabulados em planilhas no Microsoft Excel e analisadas descritivamente. Os registros oficiais indicam que os municípios de São Borja (66), Maçambará (1), Itaqui (26), Uruguaiana (20), Barra do Quaraí (4) e Quaraí (3) registraram um total de 113 focos durante o período avaliado, tanto de propriedades com cadastro no SVO quanto propriedades sem cadastro no SVO. A distribuição temporal indicou que entre os anos de 2009 e 2014 ocorreram somente 12 focos, e após 2015 foram registrados outros 101 focos na região da fronteira oeste do RS. O registro dos focos ocorreu, principalmente, entre os meses de agosto e setembro (72/113). Entre todos os focos, 33 ocorreram em propriedades rurais não registradas no SVO. Assim sendo, pode-se afirmar que a anemia infecciosa equina está presente no rebanho equino da região, na qual o município de São Borja concentra a maioria dos focos. Após o ano de 2015, houve um aumento exacerbado dos registros, o que coincide com atualizações nos programas de erradicação e prevenção da doença. Logo, essa crescente na descoberta de novos focos de AIE é um problema que vem aumentando ao longo dos anos. Como a pesquisa foi realizada no Estado do Rio Grande do Sul, essa expansão no número de focos nos meses de agosto e setembro pode ser explicada, devido a uma data comemorativa, alusiva à Revolução Farroupilha, popularmente conhecida como dia do gaúcho. Durante essa data acontecem desfiles comemorativos, nos quais os equinos são a atração principal, o que faz com que os proprietários desses animais precisem, obrigatoriamente, realizar o diagnóstico da AIE, para obtenção da GTA. Ainda, uma parcela considerável dos registros foi identificada em propriedades não cadastradas no SDA, os quais são associados com criação e transporte irregular e ilegal de equinos. Essa situação acaba sendo um facilitador da disseminação do vírus entre propriedades e, consequentemente, causa uma maior ocorrência de novos focos. Desta forma, os técnicos, produtores e autoridades sanitárias necessitam estar atentos para a ocorrência da AIE e adotar medidas para controle, sanidade e prevenção.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

CARACTERIZAÇÃO DOS FOCOS DE ANEMIA INFECCIOSA EQUINA NA FRONTEIRA OESTE DO RIO GRANDE DO SUL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116430. Acesso em: 18 abr. 2026.