DOENÇA DO DISCO INTERVERTEBRAL CERVICAL EM CÃO: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Disco, Intervertebral, Discopatias, Vertebrais, Vértebras, Extrusão, ProtrusãoResumo
A doença do disco intervertebral (DDIV) é uma frequente afecção da coluna vertebral e principal causa de compressão medular em cães, sobretudo em raças condrodistróficas, sendo que 85% apresentam a doença na região toracolombar e 15% na região cervical. Além do fator racial, a idade e a obesidade também podem ser consideradas fatores predisponentes. O disco intervertebral (DIV) fica localizado entre dois corpos vertebrais adjacentes, tem função de fornecer flexibilidade à coluna e absorver impactos, sendo formado por um anel fibroso (AF) mais externo e um núcleo pulposo (NP) mais interno. A DDIV pode ser classificada de acordo com suas apresentações, sendo Hansen tipo I, na qual ocorre extrusão do disco de forma aguda, e Hansen tipo II, onde há protrusão do disco de forma crônica. Existem atualmente diversas terapias para tratar a DDIV, sendo possível realizar o manejo terapêutico clínico ou recorrer a procedimentos cirúrgicos quando necessário. É essencial averiguar a situação do paciente, grau de acometimento, condições financeiras do tutor e outros fatores que influenciam na conduta de escolha do médico veterinário. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de DDIV com acometimento cervical entre C4 e C5, o qual foi instituído o tratamento clínico inicialmente e posteriormente o procedimento cirúrgico. Foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pampa um canino, fêmea, da raça Dachshund, com cinco anos e quatro meses de idade, cuja queixa principal se tratava de algia em membros anteriores ao descer de escadas, associada à vocalização, há cerca de dois anos. No exame físico, foram observadas alterações neurológicas como perda proprioceptiva em membros pélvicos e ataxia, além de dor cervical intensa. Foram solicitados exames complementares como radiografia simples e mielografia. Na radiografia simples foi identificado mineralização e diminuição do espaço articular entre C4 e C5 e na mielografia foi constatado desvio dorsal de contraste na coluna entre C4 e C5, alterações estas que são sugestivas de compressão medular. Após associação dos exames complementares ao histórico e fatores predisponentes, o caso foi diagnosticado como DDIV. O tutor optou, inicialmente, por realizar tentativa de tratamento clínico. Portanto, foram prescritos cloridrato de tramadol (4 mg/kg, TID, durante sete dias), metilprednisolona (1 mg/kg, BID, durante cinco dias) e repouso absoluto, com restrição dos movimentos em espaço medindo 1 m x 1 m. A escolha de analgésicos, anti-inflamatórios esteroidais ou não esteroidais e repouso é descrita na literatura como ideal para o manejo inicial. O animal apresentou melhora clínica com o tratamento, entretanto, duas semanas após, a sintomatologia retornou. Dessa forma, foi instituído o procedimento cirúrgico que consistia na descompressão medular por meio de um slot/fenda ventral entre C4 e C5, técnica frequentemente utilizada em hérnias na região cervical. No procedimento, foram rebatidas as musculaturas localizadas na região ventral do pescoço, a crista ventral (CV) dos segmentos C4 e C5 foi localizada e logo procedeu-se para o fenestramento do DIV. A região da CV foi ostectomizada com drill neurológico até o limite do forame vertebral, onde então foi palpado e identificado grande quantidade de material de disco denso e opacificado intensamente aderido, além de extravasamento de líquor, sugerindo também aderências em dura-máter, o que pode ser justificado pelo tempo de acometimento da doença, o que refletiu nos sinais neurológicos encontrados no exame físico. A região foi intensamente lavada, aspirada e inspecionada com intuito de retirar o máximo possível de material extrusado. As camadas musculares foram encerradas plano a plano com sutura contínua simples, seguidas do subcutâneo e pele em padrão Cushing e Wolff, respectivamente. Após a cirurgia, foram prescritos cefalexina (30 mg/kg, BID, por cinco dias), tramadol (4 mg/kg, TID, por quatro dias) e meloxicam (0,1 mg/kg, SID, por três dias), além de repouso. A paciente retornou doze dias após procedimento para retirada dos pontos e avaliação. Esta se mostrou ativa, sem manifestação de dor e apresentou melhora nos reflexos proprioceptivos. Portanto, é possível concluir que no caso supracitado o procedimento cirúrgico foi a melhor opção, visto que o tempo de decorrência da doença era prolongado. Além disso, o manejo clínico medicamentoso se mostrou eficaz para o tratamento paliativo dos sinais clínicos, podendo ser utilizado como alternativa por um tempo prévio ao procedimento cirúrgico.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
DOENÇA DO DISCO INTERVERTEBRAL CERVICAL EM CÃO: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116429. Acesso em: 17 abr. 2026.