UNIDOS PELA HORTA: A EXPERIÊNCIA NO CAMPUS SANTANA DO LIVRAMENTO DA UNIPAMPA

Autores

  • Heloisa Milena Pazzinato Pereira
  • Rafael Cardiano Ferreira Silva
  • Alessandra Troian

Palavras-chave:

Hortas, Comunitárias, Sustentabilidade, Extensão

Resumo

As hortas urbanas surgiram como uma necessidade premente para criar áreas de cultivo nas cidades, a fim de combater a escassez de alimentos, promovidas pelo êxodo rural e ao crescente aumento da população da Inglaterra no final do século XVII. As hortas urbanas combatem a escassez de alimentos, promovem a sustentabilidade e proporcionam acesso a alimentos saudáveis. Elas integram um ciclo ecológico desde a produção até a decomposição, contribuindo para a transformação dos resíduos em adubo e reiniciando o ciclo. Não muito distante desta perspectiva e com base nos benefícios da adoção das hortas urbanas, o projeto de extensão realizado na Unipampa, campus Santana do Livramento, foi criado na busca da promoção de práticas sustentáveis, além do incentivo ao cultivo de alimentos saudáveis. Para tanto, o presente resumo busca relatar a experiência da ação de extensão obtida via projeto Unidos pela Horta. A atividade de extensão visa criar uma alternativa social em relação à alimentação e cultura da população santanense, visto que são incipientes as iniciativas públicas e privadas para o fomento da produção de alimentos limpos, com respeito à cultura local e à sazonalidade da agricultura. O projeto iniciou a partir da demanda de um grupo de discentes que estavam preocupados com a questão alimentar local, sobretudo no pós-pandemia. Após conversas e articulações, a ação foi formalizada, iniciando as atividades no mês de setembro de 2022. Os voluntários são, em sua maioria, estudantes dos cursos de Administração, Direito e Relações Internacionais. No início do projeto, foi acordado que os encontros para o planejamento e o trabalho na horta seriam aos sábados. Logo após a decisão e a disponibilização do espaço pela direção do campus, foi constatada a dificuldade do uso da terra disponível no local por se tratar de uma área composta por restos de uma obra, causando a busca por uma terra adequada ao uso. Dessa forma, a solução encontrada foi a construção de canteiros elevados, ao invés do uso da terra proveniente do espaço. A confecção ocorreu utilizando-se das taquaras - espécie de bambus - em vez de utilizar solo existente e inutilizável, aproveitando a disponibilidade gratuita desse material por um membro do projeto e facilitando sua extração e direcionamento para o local de implementação. No processo inicial, contou-se com o auxílio de estudantes do curso de Agronomia da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e também com a doação de terra e adubo orgânico - estrume de vaca - do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do município. A horta prosperou nos primeiros dois meses e meio, proporcionando a colheita de alfaces, rúculas, salsinhas, manjericão e cebolinhas. No entanto, com o recesso do final de ano, alguns desafios começam a emergir, como a queda na participação de membros assíduos e comprometimento com as tarefas designadas na horta urbana. A distribuição de tarefas de manutenção entre os 15 membros teve como objetivo evitar sobrecargas, abrangendo atividades como regar os canteiros, colher quando necessário e ajustar os sombrites nos canteiros, considerando a limitação de recursos materiais. Além disso, as dificuldades também vieram na forma de escassez de recursos financeiros e dificuldade de arrecadação entre os membros e a comunidade acadêmica. Tal dificuldade sempre se fez presente, desde o transporte das taquaras; a aquisição de ferramentas necessárias para a construção dos canteiros; a obtenção de terra para a formação dos canteiros e a mais tarde a manutenção das hortas, ao acesso a mudas e sementes, mas veio a ter seus efeitos mais severos durante o desenvolvimento e ampliação da horta. Ainda, o espaço cedido pela direção do campus não é propício para a implantação de uma horta, tornando difícil o desenvolvimento de plantas, verduras e frutas maiores e plantas de alta exigência nutricional. Por fim, é importante ressaltar que a experiência prática do projeto de extensão nos mostra que uma horta urbana é mais que a ação de plantar, sendo um local de trocas e convivência onde os estudantes entraram em contato com novas experiências e novas visões sobre sustentabilidade e uso de produtos e recursos. Apesar deste também mas contemplar desafios, os participantes os enfrentam e a ação promove benefícios, como uma maior integração com o ambiente e a interação entre seus integrantes através do trabalho em equipe, sendo este último um ponto essencial a ser promovido dentro de uma localidade a qual muitas vezes motiva o estresse nos discentes, servindo como refúgio.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

UNIDOS PELA HORTA: A EXPERIÊNCIA NO CAMPUS SANTANA DO LIVRAMENTO DA UNIPAMPA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116418. Acesso em: 17 abr. 2026.