NAAIPLAA: CONQUISTAS E DESAFIOS DE UM PROJETO DE ACOLHIMENTO E ENSINO DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS

Autores

  • Sara Moraes Rocha
  • Sara Moraes Rocha
  • Verônica Morales Antunes
  • Flávia Azambuja Alves
  • Clara Zeni Camargo Dornelles
  • Aden Rodrigues Pereira

Palavras-chave:

Ensino, português, para, estrangeiros, Internacionalização, Educação, Distância

Resumo

Nesta comunicação, pretendemos apresentar ações pedagógicas do projeto de extensão Núcleo de Apoio à Aprendizagem Intercultural de Português como Língua Adicional e de Acolhimento (NAAIPLAA), no intuito de socializar nossas experiências no ensino de português para estrangeiros e apontar conquistas e desafios vivenciados nesse processo. O NAAIPLAA se configura como um espaço permanente para prática e formação docente de graduandos, professores e egressos dos cursos de Letras da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), no ensino de português como língua de acolhimento (PLAc) e como língua adicional (PLA). A equipe, que conta com o apoio do Programa Idiomas sem Fronteiras (IsF), elabora materiais didáticos e implementa as aulas, que, no período de 2020 a 2023, passaram a ocorrer exclusivamente na modalidade a distância, via Plataforma Google Meet e MOODLE. Foram ofertados, no período, 10 cursos para 20 turmas, que somaram 425 alunos inscritos, com cerca de 60% de concluintes. Dentre os alunos cursistas, encontram-se imigrantes residentes no Brasil com intenção de naturalização; intercambistas com período de residência no Brasil, para estudos de graduação e pós-graduação; estrangeiros no exterior- residentes em regiões de fronteira com o Rio Grande do Sul, ou em outros países, por interesses culturais. Para atender às diferentes demandas de aprendizagem de PLA e PLAc nos contextos acadêmicos e não acadêmicos, elaboramos e implementamos cursos voltados a contextos de imersão; cursos sobre as culturas e produção artística brasileira; cursos para fins acadêmicos; cursos preparatórios para o CELPE-BRAS que é o exame oficial brasileiro de avaliação da proficiência de estrangeiros em português. Nossos planejamentos e aulas se desenvolvem de modo colaborativo, com reuniões quinzenais síncronas para o planejamento mais amplo das ações; reuniões semanais síncronas e assíncronas para o planejamento detalhado dos materiais e aulas, realizados por meio de docência compartilhada (AZAMBUJA, DORNELLES, COSTA, 2021; LEMOS, 2014). Nessa perspectiva, docentes com mais e menos experiência trabalham juntos e aprendem de forma colaborativa sem, necessariamente, existir uma hierarquia, tendo ambos o que compartilhar em termos de formação de professores (SCHLATTER; COSTA; 2020). O embasamento teórico do trabalho realizado é o de língua como prática social, em que a língua é pensada por meio de ações situadas (CLARK, 1997), em um viés intercultural (SCHLATTER, 2000; TORQUATO, 2016). Nesse sentido, dentre as principais conquistas nos últimos 7 anos de desenvolvimento do PLA, observamos, na prática, ser possível proporcionar debates de temas diversos, em que cada estudante participante tem a oportunidade de se posicionar e compartilhar as próprias opiniões, bagagens culturais, experiências. As aulas (síncronas e assíncronas) constituem-se em ambientes construídos a partir do engajamento da turma, nos quais os alunos passam a sentir-se confortáveis para interagir com os demais colegas, inclusive identificando-se uns com os outros. Por outro lado, tem sido fundamental conseguir engajar os estudantes além do que é planejado, gerando discussões que enriquecem as aulas e buscando conhecer diferentes perspectivas e aspectos culturais. Percebemos ainda que organizar cursos de português para estrangeiros a distância é uma maneira eficaz e flexível de ensinar a língua, porém com alguns desafios, tais como: manter os alunos motivados e engajados no ambiente de aprendizagem on-line, criando atividades interativas e adequadas ao público-alvo, bem como integrando atividades síncronas e assíncronas; apresentar dificuldades técnicas dos alunos ao usar a plataforma MOODLE, sendo fundamental que tenham um suporte técnico para auxiliá-los e orientá-los quando for necessário; incentivar o cumprimento de prazos estabelecidos por parte dos alunos, o que envolve, muitas vezes, o nível de letramento digital e superação das demais dificuldades com a plataforma a despeito das orientações, suporte, tutoriais proporcionados desde o início das aulas. Concluímos, destacando que, embora a UNIPAMPA possua políticas institucionais explícitas voltadas aos fronteiriços e estrangeiros intercambistas (PEC-PG), não há uma política clara voltada a refugiados e migrantes. O ensino de PLA e de PLAc, no Campus Bagé da Unipampa, integram ações de extensão do Centro de Línguas do Pampa (CLIP) e parceria com o Grupo de Apoio aos Refugiados da Região Sul, constituindo o NAAIPLAA como projeto que atende a diferentes tipos de demandas de internacionalização por meio de ações pedagógicas de impacto social e formativo, tanto para cursistas quanto para os membros de sua equipe.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

NAAIPLAA: CONQUISTAS E DESAFIOS DE UM PROJETO DE ACOLHIMENTO E ENSINO DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116417. Acesso em: 17 abr. 2026.