GÊNERO E DIVERSIDADE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA EDUCAÇÃO BÁSICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Mariana Santana da Silva
  • Jaqueline Carvalho Quadrado

Palavras-chave:

Sexualidade, Gênero, professores, educação, básica

Resumo

Este resumo relata uma atividade de formação de professores implementada a partir, a partir do Projeto de Extensão Mulheres Sem Fronteiras da Universidade Federal do Pampa UNIPAMPA - Campus São Borja, intitulado Gênero e Diversidade na Escola, visando atender às dificuldades dos educadores em lidar com expressões da sexualidade que aparecem no cotidiano escolar. O projeto teve como objetivos: formar professores para atuarem com questões de gênero e sexualidade do cotidiano escolar; desconstruir mitos, tabus e preconceitos relacionados às questões de gênero e sexualidade, e instrumentalizar professores para o desenvolvimento de ações relacionadas aos temas propostos. Essa preparação descrita nos remete a pensar na escola como promotora de preparação do indivíduo com intuito de viver em sociedade, no entanto, nem sempre esse processo ocorreu dentro dos bancos escolares que conhecemos hoje e, evidentemente não acontece apenas neles (Lima, E., Ferreira, E. da S., Quadrado, J. C., & Santos, T. C. P. dos. (2019). O ensinar e aprender está nos mais diversos espaços e pode ser compreendido das mais diversas formas. Seffner (2017) aponta que no ambiente escolar o professor assume o papel de adulto referência, através de suas práticas e da produção de saberes. Essa imagem de adulto referência é construída desde cedo quando a criança começa a assumir sua identidade, seja de gênero, de orientação sexual, religiosa ou das diversas maneiras de viver sua masculinidade e feminilidade. Essa formação foi oferecida aos professores da rede de educação municipal e estadual durante seu horário normal de expediente, considerada assim Formação em Serviço. O calendário foi pensado em conjunto com todas as diretorias, na tentativa de otimizar e organizar o cotidiano das escolas. Assim foi possível aumentar o número de participantes nos encontros realizados. Além das atividades presenciais, indicamos leituras obrigatórias e complementares. Essas tiveram como objetivo principal enriquecer o debate em sala de aula. As oficinas foram iniciadas com apresentações dos temas em materiais previamente elaborados em recursos multimídia, com uma parte expositiva, permeada por questionamentos ao público presente e complementada por atividades participativas. Essa parte expositiva abrangeu as seguintes temáticas: história da sexualidade, relações de gênero e direitos sexuais e reprodutivos. Por meio das oficinas foi possível o contato direto com os professores da rede estadual e municipal de ensino de São Borja, o que nos permitiu constatar que há de fato um grande interesse e uma necessidade legítima dos professores em abordar o tema. Segundo relatos destes professores, nas várias situações de expressão da sexualidade que ocorrem no ambiente escolar, os profissionais sentem-se desamparados e com dúvidas sobre como proceder da melhor forma, ou por dificuldades pessoais, ou por medo de repressão externa, no caso da família dos alunos. Os relatos dos profissionais beneficiados com a formação indicam que eles, após a participação nas oficinas, se sentiram mais instrumentalizados para mediar às expressões da sexualidade que ocorrem no cotidiano da sala de aula. Entendemos que as oficinas ofertadas pelo projeto atingiram seus objetivos, promovendo algumas rupturas em posicionamentos que reduziam a sexualidade ao campo biomédico, bem como a fundamentalismos que a compreendiam de uma forma binária e mantenedora das desigualdades de gênero, permitindo reflexões em consonância com os princípios propostos nas políticas públicas. Ao encerrar este resumo, parece oportuno ressaltar à discussão aqui empreendida: precisamos lembrar que a universidade se engaja na Educação de Jovens e Adultos e de professores(as) não apenas para ensinar, mas para aprender. Sendo assim, retomar a discussão sobre as possibilidades da formação em gênero e diversidade na formação de professores na educação básica é, ainda, prioridade.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

GÊNERO E DIVERSIDADE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA EDUCAÇÃO BÁSICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116409. Acesso em: 22 abr. 2026.