CONSTRUINDO CONHECIMENTO SOBRE DIVISÃO SEXUAL DO TRABALHO COM ESTUDANTES DE ENSINO FUNDAMENTAL

Autores

  • Darla Correa Machado
  • Cintia Rezi Fontela
  • Luana Bueno De Gusmão
  • Cíntia Saydelles da Rosa
  • Roni de Mello Peronio

Palavras-chave:

divisão, sexual, trabalho, feminino, profissões

Resumo

Historicamente na sociedade, principalmente durante o século XIX, houve uma nítida divisão entre o espaço público e o espaço privado. Assim, aos homens cabia à esfera pública, pois desempenhavam de forma predominante o papel de provedor da família, e as mulheres à esfera privada, uma vez que o cuidado do lar tornava-se uma contrapartida pelo sustento financeiro. Muitas mudanças no cenário econômico e cultural, além do forte movimento feminista do século XX, fizeram uma ruptura nessa fronteira. A participação efetiva das mulheres no mercado de trabalho consolidou-se somente a partir da segunda metade do século XX, no entanto percebe-se que as mulheres adentraram na esfera pública, mas os homens seguem afastados do mundo doméstico. Com o objetivo de conscientizar sobre a divisão desigual do trabalho entre homens e mulheres e desnaturalizar a ideia que os trabalhos domésticos e de cuidados são inerentes à natureza feminina, foram realizadas oficinas com alunos do ensino fundamental, de escolas públicas do município de Dom Pedrito, realizadas na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), com três turmas diferentes, embora os resultados descritos sejam da aplicação em uma turma de 16 alunos, cursando diferentes anos do ensino fundamental. Inicialmente, para aferir os conhecimentos prévios dos estudantes foi aplicado um questionário eletrônico, disponível por meio de QRcode, no qual os estudantes foram questionados sobre a diferença entre trabalho e emprego e em uma lista de profissões/ ocupações eles tinham que optar se aquela atividade era tipicamente feminina ou masculina. As ocupações listadas foram Engenheiro(a) Civil, Pesquisador(a), Cozinheiro(a), Professor(a), Agricultor(a), Enfermeiro(a), Costureiro(a), Político, Engenheiro Mecânico, Médico(a), Cuidador(a) de Crianças, Operador(a) de máquinas, Fazer faxina, Líder Sindical, servir cafezinho, Chefe de família, dirigir vans e ônibus, e gerente de multinacional. As profissões/ocupações: cuidador de crianças, fazer faxina e servir cafezinho foram consideradas por 100% dos respondentes como atividade tipicamente realizada por mulheres. Enquanto, 80% consideraram que ser gerente de multinacional era prioritariamente uma atribuição dos homens, assim como ser pesquisador, engenheiro civil, líder sindical, médico, político e agricultor. A enfermagem também foi apontada por 80% como sendo uma atribuição preferencialmente feminina. A partir da exposição das respostas em tela de projeção, percebeu-se o desconhecimento da diferenciação entre trabalho e emprego, e em uma roda de conversa discutiu-se o fato das ocupações não remuneradas ou piores remuneradas serem àquelas que a sociedade atribui às mulheres. No momento dessas reflexões, muitos estudantes constataram que o trabalho invisível (cozinhar, lavar, limpar, cuidar de crianças e idosos, entre outros) é realizado pelas mulheres, que podem observar esse fato dentro de suas casas (e em outros ambientes em que transitam) e que essas atividades não tem valorização social. A partir desses relatos, a equipe executora, em diálogo com os estudantes, definiu trabalho e emprego e a problemática divisão sexual do trabalho, que sobrecarrega as mulheres e as submetem a piores condições de trabalho. Assim, foi demonstrado que ao mesmo passo que as mulheres adentram no mercado de trabalho (mesmo que em condições desiguais), elas ainda são responsáveis pelo trabalho reprodutivo, o que impacta nas suas condições de saúde, escolarização e piores empregos. A problematização desses dados e o esclarecimento das suas consequências na vida das mulheres é imprescindível para mobilizar a sociedade a buscar condições mais dignas de trabalho para as mulheres.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

CONSTRUINDO CONHECIMENTO SOBRE DIVISÃO SEXUAL DO TRABALHO COM ESTUDANTES DE ENSINO FUNDAMENTAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116405. Acesso em: 19 abr. 2026.