SESSÃO AZUL DO PLANETÁRIO

Autores

  • Amelia Rota Borges de Bastos
  • Cecília Irala

Palavras-chave:

planetário, inclusão, autismo

Resumo

O trabalho apresenta o processo de planejamento, implementação e avaliação da Sessão Azul do Planetário da Universidade Federal do Pampa. A Sessão Azul, surgiu com práticas adaptadas em cinemas para visitantes com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e seus familiares. Nessas práticas, são realizadas adaptações nos espaços e serviços para garantir experiências exitosas aos visitantes, tais como: diminuição da luminosidade e do som e liberdade de movimentação dentro do cinema. A partir da experiência em cinemas e em outros espaços relacionados a arte, cultura e divulgação científica no Brasil, a equipe de acessibilidade do planetário da Unipampa, ligada ao Núcleo de Estudos em Inclusão NEI, planejou a Sessão Azul. A proposição da Sessão Azul, responde ao disposto no ordenamento legal brasileiro, em especial, no Estatuto da Pessoa com Deficiência, LEI 13.146/2015 que dispõe, no seu conjunto de artigos sobre a garantia de acesso da pessoa com deficiência em igualdade com as demais. Tal garantia visa a participação com acessibilidade em todas as atividades, espaços, serviços disponibilizadas para o público geral, como escola, atividades e espaços de lazer, acesso a cultura, espaços de divulgação cientifica, dentre outros. O planejamento envolveu a construção de recursos de antecipação, a saber: vídeo de antecipação - com apresentação da equipe e do espaço físico onde ocorrem as sessões; materiais em comunicação aumentativa/alternativa para ampliar a comunicação entre visitantes não verbais e/ou com defasagem entre as necessidades comunicativas e as habilidades comunicativas e a equipe do planetário; rotina visuais de antecipação da visita, como informações sobre o funcionamento da sessão e restrições que são adotadas no espaço de reprodução da sessão; planejamento de atividades prévias com as instituições responsáveis em levar os visitantes à visita, como a construção de foguetes, recurso que busca aproximar os visitantes da equipe do planetário; parede sensorial, construída com o objetivo de diminuir a sobrecarga sensorial comum em ambientes com muitos estímulos, como a universidade e o planetário ou em situações novas, como a gerada pela visita em um local diferente da rotina dos alunos, e apoiar a auto regulação do público TEA, dentre outros. Também foram adotadas medidas relacionadas a reprodução da sessão, como redução do som e da luminosidade; portas entreabertas do local de reprodução das sessões e o espaço externo do planetário, de forma a permitir a livre circulação dos visitantes; disponibilização de lanternas individuais para crianças regularem o medo do escuro; disponibilização de almofadas de pressão, utilizadas para diminuir a ansiedade em situações novas; óculos com lentes âmbar para auxiliar na sensibilidade visual e abafadores de som, para visitantes com hipersensibilidade auditiva. Para além disso, realizou-se treinamento com a equipe de planetaristas sobre o tema do Transtorno do Espectro do Autismo. Até o presente momento foram realizadas 9 sessões azuis, que totalizaram um público de 100. participantes com TEA e seus familiares. A avaliação destas foi feita com os próprios usuários, sendo, a maioria, pais que acompanharam seus filhos na experiência e profissionais da área. Os resultados da avaliação indicaram que os recursos disponibilizados são positivos no sentido de garantir a participação do público TEA na sessão do planetário e o acesso ao conhecimento astronômico, objetivo deste espaço de divulgação científica.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2023-12-18

Como Citar

SESSÃO AZUL DO PLANETÁRIO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116397. Acesso em: 22 abr. 2026.