REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E MÁQUINAS A VAPOR: UMA PRÁTICA DESENVOLVIDA NUMA ESCOLA RURAL DE DOM PEDRITO
Palavras-chave:
Atividades, experimentais, Multidisciplinaridade, Programa, Residência, PedagógicaResumo
A Revolução Industrial foi um marco na história da humanidade, tendo em vista que trouxe grandes evoluções nos processos de produção e no modo de vida das pessoas. Sua forma rápida e eficiente produção possibilitou crescimento exponencial na oferta e variedade dos produtos no mercado, tal fenômeno culminou em maior poder de compra e melhorias na qualidade de vida da sociedade. Em contrapartida, um dos problemas que surgiram em decorrência disso foi a exploração de mão de obra, fator que acentuou as desigualdades sociais. Neste estudo, que teve como tema a Revolução Industrial, o uso das máquinas a vapor e seus reflexos nos dias atuais, objetivou-se descrever e refletir sobre uma intervenção prática desenvolvida pelos residentes do Programa de Residência Pedagógica (PRP) com doze estudantes do sétimo ano da Escola Municipal Rural de Ensino Fundamental Anna Riet Pinto, situada na cidade de Dom Pedrito/RS. A intervenção foi aplicada de modo associado com conceitos e aspectos históricos e científicos, através de uma aula multidisciplinar, envolvendo as componentes de Ciências e História. Inicialmente realizou-se o levantamento dos pré-conhecimentos dos alunos a respeito da Revolução Industrial e das máquinas a vapor, de modo que se construísse um mapa mental na lousa com palavras-chave elencadas por eles. Na abordagem dos conteúdos, a parte histórica trouxe exposições acerca dos impactos sociais da Revolução Industrial, como o uso de mão de obra escravizada para o funcionamento em massa das máquinas a vapor, e a comparação da produção anterior, que dependia de mão de obra artesanal, resultando em uma oferta limitada e pouca variedade de produtos no mercado, o que após a revolução sofreu diversas mudanças. No que tange aos conceitos e aspectos científicos, foi explanado que a máquina a vapor é um dispositivo que possui a capacidade de transformar energia térmica em energia mecânica, sendo capaz de realizar trabalhos em larga escala, que contribuiu na indústria têxtil e nos engenhos de cana. A exemplo, anteriormente às máquinas a vapor, a produção de tecidos e roupas era feita de modo exclusivamente manual, o que acarretava numa produção mais lenta e restrita. Já a cana de açúcar, que era manufaturada com máquinas movimentadas com força braçal, após a revolução passou a ser feita pelos engenhos a vapor que são capazes de produzir em larga escala e simplificar o trabalho, ofertando uma grande quantidade de produto final. Em seguida, após sanadas as dúvidas e os questionamentos dos alunos, foi feito juntamente a eles a montagem e o teste de funcionamento de uma máquina a vapor em miniatura. Para tanto, utilizaram-se materiais de fácil acesso, quais sejam: uma lata de refrigerante, um suporte para lata, uma lata de sardinha vazia, um cata-vento pequeno, uma seringa, fósforo, água, seringa e velas. Na montagem, primeiramente fizeram um pequeno furo na lata de refrigerante para retirar o líquido, inserindo um pouco dágua pelo furo que se encontra nela com a ajuda da seringa. Após, colocaram a lata sobre o suporte, em frente ao cata-vento. Por fim, inseriram as velas na lata de sardinha fixada abaixo da lata de refrigerante, e com o auxílio de fósforos acenderam-nas. Os alunos observaram que a água, quando aquecida pela chama, girou as hélices do cata-vento com seu vapor que saiu pelo pequeno orifício da lata, podendo visualizar-se a conversão de energia térmica em energia mecânica que é capaz de produzir trabalho. Os resultados dessa prática mostraram-se positivos em todas as etapas de aplicação. Na construção do mapa mental coletivo utilizado para identificar os conhecimentos prévios dos estudantes, a maioria mostrou já ter conhecimento de aspectos históricos da Revolução Industrial, possivelmente por terem estudado a temática anteriormente a aplicação do PRP, na disciplina de História. Quando lançada a proposta de construção da máquina a vapor, os alunos demonstraram-se participativos, colaborativos e fizeram algumas comparações com as tecnologias atuais. Ainda assim, observou-se que a participação e discussão entre os pares poderia ter sido intensificada se estivessem em grupos menores, onde cada trio ou quarteto desenvolvesse sua própria máquina valor ao invés de desenvolver somente uma com o grande grupo. Concluiu-se que, por meio da intervenção prática, os estudantes possivelmente conseguiram entender o conteúdo com mais facilidade, pois durante a aplicação e correção das atividades de fixação, não tiveram grandes dificuldades em realizá-las. Salienta-se ainda que práticas multidisciplinares, como essa apresentada, devem ser priorizadas sempre que possível na Educação Básica, visto que promovem uma visão holística e integrada sobre a temática desenvolvida.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E MÁQUINAS A VAPOR: UMA PRÁTICA DESENVOLVIDA NUMA ESCOLA RURAL DE DOM PEDRITO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116339. Acesso em: 17 abr. 2026.