A FARMÁCIA COMO DISPOSITIVO COMPLEXO DE APRENDIZAGEM

Autores

  • Daniele Lopes
  • Mirella Branco da Trindade
  • Tiago Dias Bolzan
  • Márcio André Rodrigues Martins
  • Ângela Maria Hartmann

Palavras-chave:

PIBID, Ensino, Fundamental, Interdisciplinaridade, Intervenção, Pedagógica, Aprendizagem, Ativa

Resumo

Um Dispositivo Complexo de Aprendizagem (DiCA) caracteriza-se como um conjunto de estratégias de intervenção pedagógica com o propósito de mobilizar e envolver os alunos da Educação Básica para aprender e criar em Ciências e Matemática em uma perspectiva interdisciplinar. O planejamento das intervenções do DiCA FARMÁCIA, descrito neste resumo, foi realizado no âmbito do núcleo do Curso de Ciências Exatas Licenciatura, do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), da Universidade Federal do Pampa UNIPAMPA, campus Caçapava do Sul, por duas bolsistas, pelo professor supervisor, docente de Matemática em uma escola pública municipal, e orientado por docentes coordenadores. A pesquisa que permeou essa intervenção tinha como objetivo avaliar se o DiCA, construído pelas bolsistas junto com uma turma de 21 alunos do 7º Ano do Ensino Fundamental, era capaz de mobilizá-los para a aprendizagem de Ciências e Matemática. A primeira intervenção foi orientada para a construção, pelos alunos, de um mapa mental coletivo com destaque para as interfaces e conexões de uma Farmácia com a vida e o cotidiano das pessoas. Ao criarem o mapa mental, os alunos associaram vários elementos ao DiCA FARMÁCIA. Entre eles: remédios, vacinas, perfumaria, injeções entre outros. Observou-se que o mapa mental foi elaborado conforme a proposta sugerida, pois todas as palavras inseridas no mapa tinham conexão com DiCA. A partir do mapa mental foi proposto o desafio da construção de uma Farmácia fictícia. Este desafio mobilizou os alunos a se organizarem para a criação de logomarcas, slogans e personagens como o de um farmacêutico, atendentes e clientes, que interagiriam na Farmácia fictícia. Enquanto um grupo planejava a criação da Farmácia, outro grupo iniciava o estudo de plantas medicinais e suas aplicações terapêuticas. Os alunos receberam orientações detalhadas sobre como ocorre o processo de desidratação de plantas através de leituras em livros de ciências e de exemplos apresentados em vídeos. Posteriormente, os alunos realizaram a desidratação das seguintes plantas: hortelã, funcho, marcela, boldo e poejo. Logo após a desidratação dessas plantas medicinais, eles confeccionaram cartazes para apresentar aos colegas suas propriedades e aplicações terapêuticas. Outra estratégia de intervenção pedagógica envolveu problemas matemáticos com situações do dia a dia como o fracionamento da dosagem de medicamentos. Além disso, os problemas matemáticos relacionados ao fracionamento de dosagens de medicamentos foram incorporados ao cotidiano dos estudantes, tornando a matemática mais relevante e aplicável em suas vidas. Alguns desses problemas preveem cálculo de dosagem, conversão de unidades e administração de medicamentos. Os alunos receberam situações hipotéticas em que um paciente precisava tomar um medicamento em uma determinada dosagem, mas o medicamento disponível vinha em uma concentração diferente. Eles calcularam a quantidade exata a ser administrada. Também resolveram problemas envolvendo a conversão de unidades de medidas de medicamentos, como miligramas para mililitros, para garantir a administração correta, e situações em que tiveram que calcular intervalos de tempo entre doses de medicamentos prescritos para serem ingeridos em horários específicos do dia. Para a compreensão do que são vírus e medicamentos antivirais, foram criados outros personagens, sendo um grupo de alunos caracterizados como vírus enquanto outro grupo era de personagens humanos. Ao grupo humano coube a tarefa de se defender contra a iminente investida viral. Enquanto isso, o grupo viral se preparava para o ataque. Para compreenderem a dinâmica da interação humanos-vírus, os alunos pesquisaram sobre sistema imunológico e as estratégias de proteção do organismo humano contra o ataque de vírus e outros agentes patogênicos. Essa intervenção, com os alunos atuando como vírus e humanos, demonstrou de forma lúdica a importância do sistema imunológico na proteção do organismo. Para se colocarem no papel de vírus que atacam e de humanos que se protegem, os alunos precisaram realizar pesquisas aprofundadas sobre imunologia, o que possibilitou que eles compreendessem como o corpo humano se defende contra ameaças microbianas. Os dados que permitiram descrever a intervenção e analisar qualitativamente os resultados da criação do DiCA foram reunidos nos diários de bordo das duas bolsistas. A implementação e avaliação do DiCA FARMÁCIA, com suas estratégias de intervenção, permitiu compreender o potencial das atividades inventivas na mobilização dos alunos para aprender e criar em Ciências e Matemática, com protagonismo coletivo. Essa experiência evidenciou a importância de criar estratégias e contextos com foco na construção ativa do conhecimento pelos estudantes.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

A FARMÁCIA COMO DISPOSITIVO COMPLEXO DE APRENDIZAGEM. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116336. Acesso em: 17 abr. 2026.