DIÁRIO DE LEITURA COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO
Palavras-chave:
Diário, leitura, Leitura, literária, Residência, PedagógicaResumo
O presente trabalho tem por objetivo descrever e analisar uma prática docente realizada no âmbito do programa RP (Residência Pedagógica), subprojeto Língua Portuguesa, mostrando o percurso metodológico de uma proposta de letramento literário implantada em duas turmas de terceiro ano do Ensino Médio de uma escola estadual, cada turma contendo em média de vinte alunos, comtemplando duas aulas semanais, a partir da realização de diários de leitura referente a obras de autores locais, com o objetivo de minimizar o déficit de leitura dos estudantes e alcançar maior engajamento dos alunos com as obras trabalhadas em sala de aula, tornando o aluno em um leitor ativo. Trabalhar com a leitura em sala de aula nem sempre é uma tarefa fácil para o professor, pois os alunos não trazem consigo o hábito da leitura, então o diário de leitura é um instrumento de acompanhamento que tem por objetivo aproximar o aluno da obra, possibilitando que o estudante expresse suas impressões de leitura. Podemos firmar nossas ideias segundo a seguinte citação de Jouve (2013, p 53.): [...] cada um projeta um pouco de si na leitura, por isso a relação com a obra não significa somente sair de si, mas também retornar a si. O diário de leitura não é uma tarefa que deve ser desenvolvida somente na sala de aula, pelo contrário, é uma tarefa que deve ser realizada pelos estudantes em casa, para que o aluno possa refletir sobre suas leituras e compartilhar em seu diário suas impressões, tornando-se leitor ativo, mais interativo e crítico em seus textos. Por meio do diário leitura, o aluno se torna um leitor mais assíduo e ao mesmo tempo desenvolve maior incentivo pela escrita. Durante as aulas, priorizamos a leitura compartilhada da obra de autores locais, e a escrita do diário ficou como tarefa de casa. Para incentivar essa escrita, geralmente era realizada durante as aulas uma roda de conversa instigando os alunos a falar suas impressões sobre a obra em questão, no final da conversa o professor sempre salientava a importância de expressar suas opiniões e de registrá-las em seus diários. Trabalhar com o diário de leitura é uma forma de proporcionar um espaço de expressão para o aluno leitor, pois cada um tem seu próprio pensamento e, no decorrer da leitura, os sentidos produzidos por cada estudante são particulares. Segundo Petit (2008, p.29), o leitor não é uma página em branco onde o texto é impresso, ele não o consome passivamente, [...] ele opera um trabalho produtivo, ele reescreve. Altera o sentido, faz o que bem entende, distorce, reemprega, introduz variantes, deixa de lado os usos corretos. Assim, ler se torna um ato original, uma vez que cada leitor modifica, cria e recria um novo texto a partir de outro já construído. No início, os alunos ofereceram bastante resistência para realizar a escrita nos diários, mas, ao longo do módulo, conseguimos obter alguns resultados positivos. Trabalhar com diários de leitura está exigindo adaptação por parte dos alunos, pois não é algo que eles estavam acostumados a fazer, no entanto, no decorrer do projeto, notamos que o engajamento dos alunos referente à leitura e à escrita teve um avanço, pois a escrita dos diários fez com que o interesse pela leitura aumentasse, tornando assim as aulas de leitura mais interativas. De acordo com as concepções apresentadas por Rouxel (2013b), é evidente que o leitor utiliza suas experiências pessoais como um recurso essencial para uma apropriação significativa da leitura. No contexto dos diários analisados, é notável que, embora a maioria dos alunos tenha optado por sintetizar a obra, alguns demonstraram um engajamento profundo ao transcenderem meros resumos. Esse engajamento mais profundo, relacionado às suas vivências, resultou em respostas mais substanciais e reflexivas. Estes alunos, ao incorporarem suas próprias experiências, foram capazes de estabelecer uma conexão íntima com o texto, revelando assim uma compreensão mais rica e analítica da obra. Essa abordagem não apenas enriqueceu suas interpretações, mas também evidenciou a diversidade de perspectivas e interpretações que podem surgir a partir da interseção entre a experiência pessoal e a leitura. Assim, ao considerar as nuances dessas análises, é possível afirmar que, apesar de um número significativo de estudantes ter optado pelo caminho do resumo, aqueles que se entregaram às suas vivências conseguiram não apenas transcender as expectativas, mas também alcançar resultados verdadeiramente satisfatórios no processo de leitura e compreensão literária. Concluímos, então, que trabalhar com os diários de leitura tem tornado a leitura e a escrita mais presentes na rotina dos alunos e dando a eles a oportunidade de enriquecer o vocabulário, desenvolver a escrita criativa e, aos poucos, tornarem-se leitores literários.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
DIÁRIO DE LEITURA COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116321. Acesso em: 17 abr. 2026.