AS POTENCIALIDADES DO TRABALHO EM SALA DE AULA COM OS CONCEITOS DE HISTÓRIA E MEMÓRIA
Palavras-chave:
História, Memória, Escrita, LiteráriaResumo
O presente trabalho é resultado da Prática de Estágio de Docência Orientada realizado através do Programa de Pós-Graduação em Ensino da Universidade Federal do Pampa, campus Bagé, em um componente curricular do curso de Licenciatura em Letras Português e Literaturas de Língua Portuguesa intitulado Práticas de Ensino de Literatura da mesma universidade. A prática em questão foi realizada no início do ano letivo de 2023 junto a uma turma de quarto semestre do curso de Letras Português e teve como proposta o trabalho com o gênero textual Memórias Literárias, tal prática advém da perspectiva teórica que está sendo utilizada na dissertação de Mestrado intitulada Lígia Farinha Almeida - Feminismo, Educação e Resistência na Rainha da Fronteira (1947-1955), pois verifica-se no campo da História da Educação a importância de rememorar o passado para a constituição e reflexão do presente, assim como a preservação documental que se faz essencial para a reconstituição de acontecimentos históricos. Aliado a este prisma teórico nos deparamos com a Memória e a História Oral que caminham juntos e iluminam a trajetória de um pesquisador quando se trata de analisar documentos e discursos para compreender determinadas épocas e acontecimentos. Isto não é diferente no caso da vida privada, nós somos constituídos por retalhos de memórias de familiares e amigos, desta maneira, conhecemos seus olhares através de vivências do passado e do presente que nos fazem conhecê-los melhor mas também conhecermos a nós mesmos. Sendo assim, a metodologia foi aplicada utilizando os Letramentos Literários de Rildo Cosson (2014), e a presente proposta de trabalho com Memórias Literárias objetivou apresentar o gênero aos alunos, que apesar de novo, já é amplamente difundido no Brasil, caracterizado enquanto uma narrativa fundamentada na experiência e investigação do eu, que está assentada na compreensão da memória primeiramente como patrimônio da cultura, isto é, a compreensão das memórias na história da formação do sujeito enquanto ser histórico, social e ao mesmo tempo, indivíduo particular. Por conseguinte, foi considerado fundamental discutir conceitos teóricos como o de Le Goff (1996), onde o autor considera que o estudo da memória se atém ao sujeito/indivíduo e o modo como ele se relaciona com o seu passado. O que se desdobra a cada instante em percepção e em lembrança na totalidade do vivido. Além disso, a partir de leituras de contos literários de escritoras de Bagé, Rio Grande do Sul e documentário produzido a partir do livro Contos sem fadas de Rosina Duarte, as alunas foram apresentadas a memórias narradas em forma de texto que traduziam potentes vivências reais experimentadas por senhoras em décadas no passado, sendo assim, as discentes foram desafiadas a escrever as próprias Memórias Literárias em forma de narrativa, onde desenvolveram entrevistas semi-estruturadas objetivando através de uma ligação afetiva, buscar materializar em escrita literária memórias familiares. Com o propósito de rememorar e revistar o passado olhando para aspectos culturais e sociais de momentos históricos experimentados por estes. Resultando, portanto, em oito produções finais que foram reunidas e lançadas em evento em formato de e-book intitulado Memórias literárias: Nossas raízes contam histórias. Ao final do Estágio de Docência Orientada foi possível perceber a importância e potência de se trabalhar com o gênero Memórias Literárias, História Oral e Memória em sala de aula, pois além de se refletir sobre questões sociais históricas, conceituais e teóricas, os discentes puderam instigar e se reaproximar de histórias fortes vivenciadas por seus próprios familiares, modalizando tais discursos para a escrita narrativa, traduzindo a prática em sala de aula em uma potente troca de experiências, narrando emocionantes trajetórias divididas afetuosamente em família. Por fim, os textos lançados em e-book reúne histórias que rememoram aspectos culturais, sociais, de gênero, classe e também demarcam diversas regionalidades do Brasil, retratando a resiliência e a perseverança em buscas dos sonhos. Identificamos, dessa maneira, as potencialidades de se trabalhar com tais propostas em sala de aula à medida que observamos os resultados atingidos, onde os alunos estiveram plenamente engajados no plano de ensino proposto finalizando a prática em um evento para o lançamento do livro com os próprios textos autorais compartilhados com a família.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
AS POTENCIALIDADES DO TRABALHO EM SALA DE AULA COM OS CONCEITOS DE HISTÓRIA E MEMÓRIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116317. Acesso em: 18 abr. 2026.