LEITURA LITERÁRIA EM VOZ ALTA

Autores

  • Tania Schneider da Fonseca
  • Maria Helena Deibler Castro
  • Vera Lucia Cardoso Medeiros

Palavras-chave:

Leitura, Literária, voz, alta, Relato, experiência

Resumo

O presente trabalho objetiva relatar a nossa experiência no Programa Residência Pedagógica, subprojeto Língua Portuguesa, em uma escola estadual pública da cidade de Bagé/RS, em uma turma de 2º ano e uma do 3º ano do Ensino Médio. Na nossa prática pedagógica, priorizamos a leitura literária em voz alta, em sala de aula, de alguns capítulos do romance Andarilhos, de Rodrigo Tavares, autor nascido na cidade de Bagé. Iremos analisar o envolvimento das turmas na proposta pedagógica. Conforme Rildo Cosson, a prática da leitura em voz alta era um exercício recorrente durante a Antiguidade e boa parte da Idade Média e, embora esteja perdendo cada vez mais espaço, não perdeu a sua importância. Ler em voz alta cumpre funções essenciais, como transmitir as informações do texto, [...] proporcionar sociabilidade e entender melhor o texto lido [...] (COSSON, 2020, p. 97-104) e atender às necessidades de estudantes que não conseguem ler silenciosamente, caso, por exemplo, de alunos com problemas de visão e dislexia. Na turma do 2º ano, dos quinze alunos, quatro são alunos com deficiência. Nesses casos, a leitura em voz alta, além de ser uma necessidade, é também uma forma de sociabilidade, em que leitor e ouvinte compartilham um interesse comum pelo mesmo texto, além das influências recíprocas a fim de seduzir para a leitura da obra literária. A prática de leitura literária em voz alta gera debates/discussões e trocas de impressões, o que faz com que a literatura esteja presente no cotidiano das pessoas (COSSON, 2020). Segundo Georges Jean, [...] a leitura em voz alta, se bem conduzida, pode ser determinante para criar novos desejos nos leitores e levá-los a penetrar em textos considerados difíceis [...] (1999, p. 21). Em nossa prática pedagógica, priorizou-se o contato direto e a oportunidade do aluno interagir com a obra literária, sendo essa uma das características do letramento literário conforme Cosson (2006). A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica qualitativa e entrevista com os alunos. Os resultados parciais, obtidos em conjunto a partir das percepções das residentes e da preceptora, mostram que inicialmente os alunos se negavam a ler em voz alta, porém foram aos poucos perdendo a timidez e criando o gosto pela leitura literária. Observamos outra vantagem da leitura em voz alta: ao fazê-la coletivamente, os alunos vão conhecendo o significado de novas palavras, estimulados pelo som, aprimorando assim o seu vocabulário, o que consequentemente resulta em uma melhoria na escrita. Além das nossas percepções sobre a leitura em voz alta, fizemos uma pesquisa com os alunos avaliando tal atividade pedagógica. O resultado da pesquisa demonstra que a leitura em voz alta melhora a pronúncia das palavras, a capacidade de se expressar e comunicar, a compreensão do texto literário, favorece a concentração, aumenta participação oral nas aulas, incita ao debate sobre o significado das palavras e ao enredo da história, e ajuda o estudante a superar o medo de falar em público. Porém, nota-se também que a leitura em voz alta exige mais tempo do que a leitura silenciosa e que circunstâncias típicas de uma sala de aula, como ruídos, podem atrapalhar a compreensão do texto e prejudicar a experiência e imersão na história.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2023-12-18

Como Citar

LEITURA LITERÁRIA EM VOZ ALTA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116311. Acesso em: 17 abr. 2026.