A HIBRIDAÇÃO DO PÚBLICO E PRIVADO NA SOCIOLOGIA DA COMUNICAÇÃO

Autores

  • Ana Carolina de Moura Conceição
  • Ana Carolina Pereira Gomes
  • Gabriela Fonseca Antunes
  • Jonatan Mancias Soares
  • Mariana Guntzel Vaz
  • Geder Luis Parzianello

Palavras-chave:

Sociologia, Comunicação, Mídia, público, privado, enquadramento

Resumo

Este trabalho é uma reflexão em Sociologia da Comunicação sobre três fatos midiáticos sincrônicos e sua relação entre si: a diáspora ocorrida em Nagorno-Karabakh, neste mês de setembro; a nudez no trote universitário em episódio recente, em São Paulo; e as lives que viralizaram no TikTok, chamadas NPC (Non Playable Character), que agitaram redes sociais no mesmo período. A reflexão visa compreender a hibridação entre público e privado nesses três fatos quase simultâneos para pensar o interacionismo simbólico e características de fenômenos sociais contemporâneos. De acordo com informações do Portal de notícias G1, em Nagorno-Karabakh, região anexa a um território do Azerbaijão e marcada por conflitos sociais e geopolíticos, a perda do apoio econômico da Rússia, depois das dificuldades orçamentárias decorrentes da guerra com Ucrânia, levou ao fechamento das redes públicas do Estado, como hospitais, escolas e instituições governamentais, obrigando a migração da população daquela região, pois certamente Nagorno vai desaparecer do mapa. Aproximadamente 50 mil cidadãos já saíram de lá em busca de uma vida em outro lugar. A vida privada daquelas pessoas sofreu as consequências da exclusão da vida pública. Este fenômeno de diáspora, midiatizado, confunde público e privado num contexto contemporâneo que interessa ser estudado. O evento das lives NPC e que viralizaram no TikTok, impactando também a opinião pública naquele mesmo período, pode igualmente ser lido e compreendido por sua relação entre público e privado, se entendido o que as lives significam e porque elas viralizaram, com as pessoas se expondo e desejando serem citadas, se dispondo até mesmo a pagar por isso. Embora por aspectos distintos do conflito afegão, há nesse caso das lives também uma exposição pública do privado, que esperamos descrever e relacionar teoricamente pelo que elas trazem do íntimo para a esfera pública como marca desse nosso tempo. No terceiro episódio midiatizado a que nos reportamos, estudantes calouros de uma escola de medicina paulista são filmados se sujeitando a um ritual de nudez, ocorrido no trote universitário que, ao que parece, já tem alguma tradição naquele contexto. Ao serem expostos, ou flagrados, os corpos nus também colocam o íntimo como uma esfera privada que vem à tona para a esfera pública, confundindo os limites entre intimidade e exposição, mas também reacendendo o debate sobre o caráter, por vezes, falsamente moralista em sociedade quanto ao aspecto da nudez e sobre rituais de passagem. Para a reflexão sobre a realidade, o presente trabalho se apoiou em contribuições teóricas como sobre a seletividade forçada e a myself communication, bem como sobre aspectos teóricos de que trata Gil Baptista Ferreira (2018), no livro "Sociologia dos Novos Media". Para este autor, a compreensão do papel dos media, entendidos num sentido lato, para a construção do Homem moderno, a sua importância na definição dos valores culturais, a determinação das crenças e aspirações que criam (e simultaneamente destroem) nas sociedades todas estas questões formuladas de forma bastante clara por Max Weber , delimitaram aquilo que viria a constituir a problemática geral dos efeitos dos media (FERREIRA, 2018, p.21). Buscamos, neste trabalho, também, a noção de enquadramento, do papel dos meios e, ainda, elementos da Sociologia da Comunicação presentes em Baudrillard (1995), com Sociologia do Consumo e Gabriel Cohn (1973) com Sociologia da Comunicação: teoria e ideologia, todos lidos, em certa medida, como indicação e debatidos em sala de aula. Ritos de passagem são difíceis de aceitar para nossa sensibilidade quando soam estranhos à tradição. Somados a uma prática recorrente do julgamento sumário nas redes sociais, episódios como o da escola paulista de medicina parecem reacender o debate público sobre o ideário progressista contrário à educação sexual e desviam o debate público, atravessado pelo conservadorismo. Enquanto isso, as faculdades passam impunes por episódios que se sucedem de humilhações e constrangimentos. A relação com o corpo no espaço público tem a ver então com rituais de aceitação, caracteristicamente adolescentes, semelhantes aos episódios das lives. Há o fetiche de ouvir seu nome como o de exibir sua genitália, se comparados os dois casos. Há consumo para estes produtos de mídia, o que força repensar relações de trabalho, de ganhos e de perdas, assim como o interacionismo simbólico nas comunicabilidades ritualizadas. Acrescente-se a este contexto uma camada importante: o elemento de caráter participativo que contrasta com a solidão de nosso tempo, numa sociedade de extremos individualismos. Todos estes elementos são aqui analisados em sua proximidade e distanciamentos com Nagorno Karaback, do individualismo em choque com a coletividade, na busca por sobrevivência, e assim como nos outros dois exemplos, uma ânsia por reconhecimento, reproduzindo, nos três casos, modelos quase não humanos.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

A HIBRIDAÇÃO DO PÚBLICO E PRIVADO NA SOCIOLOGIA DA COMUNICAÇÃO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116279. Acesso em: 20 abr. 2026.