JORNALISMO INFANTOJUVENIL NÃO É JORNALISMO INFANTILIZADO: REFLETINDO SOBRE TÉCNICAS E LIÇÕES VOLTADAS À PRODUÇÃO DE CONTEÚDO PARA CRIANÇAS E JOVENS

Autores

  • Ana Carolina Pereira Gomes
  • Mariana Guntzel Vaz
  • Ana Carolina de Moura Conceição
  • Laisa Eduarda Antunes Mendonça
  • Tuane Carvalho Mello
  • Adriana Ruschel Duval

Palavras-chave:

jornalismo, infantojuvenil, especializado, linguagem

Resumo

Este resumo trata de um dos temas trabalhados no componente curricular complementar de graduação Jornalismo Infantojuvenil, ofertado pelo Curso de Jornalismo, campus São Borja. A questão do conceito e das características do jornalismo voltado para crianças e jovens, chamado jornalismo infantojuvenil, é abordada em sala de aula, por meio de revisão bibliográfica e atividades de campo, visando a compreensão e a prática desse tipo de jornalismo especializado. Com isso, os acadêmicos desenvolvem competências e habilidades direcionadas a esse promissor nicho de mercado, que está presente no cenário internacional desde o século XVII. Hoje em dia é possível verificar a existência de importantes exemplares dessa prática, tanto no formato digital, como no impresso, sonoro ou audiovisual. O estudo de como se deve construir o conteúdo jornalístico para esse segmento envolve a reflexão acerca de como o público pode se sentir mais interpelado e representado através dos textos e imagens. Juliana Doretto (2014) alerta que é preciso cuidar não apenas o conteúdo, como também a forma como é apresentado. A redação jornalística para a infância e a juventude deve contemplar anseios e pensamentos próprios dessas fases da vida. Ocorre que, muitas vezes, o jornalista, estando na fase adulta, idealiza ou imagina o que seria mais apropriado em termos de pautas e de linguagem, gerando discursos alheios ao que realmente deseja o leitor em questão. Mayra Ferreira (2007) esclarece sobre duas modalidades de jornalismo infantojuvenil: 1) a que é feita por adultos, para crianças; 2) a que é feita por crianças, com a supervisão de adultos. A grande maioria dos suplementos e veículos é direcionada à primeira opção. Nesse âmbito, um dos desafios da equipe é desenvolver, a cada edição, um conteúdo condizente com o universo de referências e o nível de compreensão do público. Para tanto, definir a faixa etária de abrangência é fundamental, considerando que, em geral, esse endereçamento é realizado a partir da idade de alfabetização. Thaís Furtado (2011) discorre sobre isso, analisando que sempre se constrói um receptor ao se produzir conteúdo, o que tem a interferência direta das memórias pessoais e da concepção de infância do produtor. Em outras palavras, o jornalista lida com um leitor imaginado. Quando não se tem claro o papel do jornalismo infantojuvenil que é informativo e formativo por natureza , e quando não se conhece o modelo seguido, por exemplo, por mídias brasileiras de grande circulação e reconhecimento, como o jornal Joca ou a revista Ciência Hoje das Crianças, corre-se o risco de cometer ações equivocadas, como a prática de uma redação infantilizada, que daria ao leitor uma sensação de estar sendo tratado como alguém menor, que sabe menos, num movimento verticalizado de imposição do conhecimento. De outro modo, no intuito da horizontalidade da comunicação, se o leitor mirim for convidado à leitura através de um texto criativo, ilustrado, dinâmico e objetivo, com linguagem próxima do coloquial e frases curtas, as chances de compreensão e fixação do conteúdo aumentam, bem como de ele se tornar, de fato, um leitor assíduo e um cidadão interessado em se manter atualizado sobre os acontecimentos à sua volta. Falar para a criança e o jovem, com respeito e qualidade informativa, contribui para o combate à desinformação e à alienação. Cláudia Lahni e Fernanda Coelho (2011) ponderam sobre experiência resultante de oficinas de jornalismo envolvendo jovens da periferia de Juiz de Fora/MG. Com base nessa atividade, concluem que o atendimento a demandas próprias do público-alvo, observando-se suas identidades e linguagens, é ponto crucial para a realização de produções afinadas com o que esses leitores desejam consumir, também podendo representar um valioso instrumento pedagógico. Isso seria um contraponto aos discursos adultocêntricos que, não raro, são construídos, atrelados ao que os adultos julgam prioritário no acesso à informação. Dentre as considerações a respeito disso tudo está a de que a formação de estudantes de jornalismo com preparo para questionar e exercer o jornalismo infantojuvenil com mais responsabilidade, com ética e com capacidade técnica de realizar produções de efetiva qualidade passa pelas teorias e práticas vistas no componente curricular mencionado. A oportunidade de aprender com autores que pesquisam sobre a área, de analisar criticamente veículos especializados e de projetar trabalhos jornalísticos voltados a escolas do município de São Borja/RS representa uma abertura de visão sobre esse campo de trabalho, dando margem a experiências gratificantes e à perspectiva de, após concluído o curso, se empreender algo para esse segmento. Referências DORETTO, Juliana. Jornalismo para a infância: uma proposta de definição. Niterói, RJ: C-Legenda, n. 30, pp. 59-72, 2014. FERREIRA, Mayra Fernanda. Jornalismo Infantil: por uma prática educativa. Santos, SP: XXX Intercom, 2007. Disponível em: http://www

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

JORNALISMO INFANTOJUVENIL NÃO É JORNALISMO INFANTILIZADO: REFLETINDO SOBRE TÉCNICAS E LIÇÕES VOLTADAS À PRODUÇÃO DE CONTEÚDO PARA CRIANÇAS E JOVENS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116277. Acesso em: 17 abr. 2026.