GÊNERO E ÓDIO: A PROBLEMATIZAÇÃO DO FEMINICÍDIO EM DOCUMENTÁRIO TELEJORNALÍSTICO
Palavras-chave:
Feminicídio, Documentário, GêneroResumo
O documentário Feminicídio: um crime de gênero e ódio foi produzido pelos estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Cassiano Battisti, Danilo Perez, Giovanna Vitória, Mariana Diel e Micael Olegário, sob a orientação da professora Sara Alves Feitosa, no componente curricular de Telejornalismo III. O documentário é composto por imagens de arquivo, encenações e sonoras de três entrevistas feitas pelos estudantes. Colaboraram com a produção, a mestranda em Gênero e Mídia na Universidade de Sussex/Inglaterra, Louise da Campo, a professora da Universidade Estadual da Bahia, Jerusa Arruda e a psicóloga Lara Barbosa. A edição foi feita por Micael Olegário. O documentário é um tipo de produção de não-ficção que tem o foco em fenômenos da realidade social, caracterizando-se em um espaço de fronteira entre o jornalismo e o cinema, uma vez que, utiliza de elementos discursivos e narrativos que se aproximam de produções ficcionais, mas possui uma ancoragem no real (NICHOLS, 2012; LINS; MESQUITA, 2008). Deste modo, o documentário permite representar e refletir sobre temas de interesse público e social, neste caso, o feminicídio. A violência contra a mulher é uma das grandes questões a serem enfrentadas social e juridicamente na atualidade. Historicamente, as mulheres foram vistas como inferiores aos homens, sendo que estes consideravam-se no direito de, muitas vezes, alegarem uma suposta honra para agredir e/ou assassinar mulheres. Apenas com a Lei nº 13.104/2015, o crime de feminicídio passou a ser tipificado e classificado de modo particular, sendo enquadrado um crime torpe e cruel. É considerado feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima. O documentário Feminicídio: um crime de gênero e ódio se caracteriza como uma produção expositiva, segundo a classificação proposta por Nichols (2009), isto porque traz fragmentos do contexto histórico e social, além de dados complementares, em favor de uma argumentação. Neste caso, a retórica pretendida é a de conscientização e debate em torno das políticas públicas, legislações e redes de apoio, voltadas para as mulheres vítimas de violência e feminicídio no Brasil. A produção também apresenta características performativas, com trechos de encenação do cotidiano, utilizados para representar situações de violência doméstica. Deste modo, o documentário aproxima ainda mais o espectador da realidade e da problemática apresentada (PUCCINI, 2009). O foco das encenações do documentário não está na ação dramática, mas em gestos e expressões. O desenvolvimento das entrevistas, roteiro e edição também levou em consideração diversos aspectos apontados por Puccini (2009), em especial, quando o autor comenta sobre a utilização de um dispositivo para guiar a produção. Puccini (2009) descreve esse recurso a partir da análise dos documentários de Eduardo Coutinho, segundo ele, seria uma espécie de fio condutor da narrativa. É esse dispositivo, e não um roteiro mais planejado, que vai determinar o desenvolvimento do documentário. No presente trabalho, o foco em questões verbais, nas situações de entrevistas, na valorização do depoimento de mulheres sobre o tema e o desejo de problematizar o feminicídio do ponto de vista conceitual, histórico e jurídico, foram os principais aspectos utilizados como dispositivo para a produção. A produção do documentário resultou em um audiovisual de 956 minutos. O documentário foi veiculado no YouTube, no canal de Jerusa de Arruda, uma das entrevistadas. Até a presente data a produção contou com 106 visualizações, um comentário da própria Jerusa e 7 marcações como Gostei. O audiovisual também foi veiculado na i4, Agência Experimental de Jornalismo da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e até o presente momento conta com 529 reproduções e 32 curtidas. Além disso, o documentário foi apresentado na 2ª Mostra i4 documenta, evento de extensão da i4 que exibe documentários produzidos no curso de Jornalismo. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em reportagem do G1, mostram que o Brasil teve um estupro a cada 10 minutos e um feminicídio a cada 7 horas em 2021, totalizando 56.098 estupros de mulheres no ano. Informações do Monitor da Violência, mostram também que 1.410 mulheres foram assassinadas por questões de gênero em 2022. Esses números revelam a necessidade e a urgência do debate em torno da questão, incluindo, a mídia, produções jornalísticas e documentários.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
GÊNERO E ÓDIO: A PROBLEMATIZAÇÃO DO FEMINICÍDIO EM DOCUMENTÁRIO TELEJORNALÍSTICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116272. Acesso em: 17 abr. 2026.