A CULTURA DO PÉ DE LÓTUS E A VIOLAÇÃO DO CORPO FEMININO NA CHINA

Autores

  • Andrea Paula Santos da Costa
  • Pâmela Madruga Soares
  • Anna Carletti

Palavras-chave:

Pé, lótus, China, padrão, beleza

Resumo

Durante o século XV na China, o papel social das mulheres foi, drasticamente, influenciado pelo confucionismo, o que enfatizou as restrições de gênero e hierarquia dentro da sociedade chinesa. Assim, o confucionismo ressaltou a importância da piedade filial, onde era esperado que mulheres fossem filhas obedientes, esposas virtuosas e mães cuidadosas. Por isso, o casamento era o evento mais significante na vida da mulher chinesa, sendo arranjado pela sua família; as mulheres chinesas, então, eram moldadas durante toda sua vida para o seu casamento. Portanto, perante esse cenário de subjugação feminina pelo casamento, segundo Dantas (2019), as mulheres na sociedade sofriam privações das mais diversas formas, elas eram castradas de todos os modos, esse processo repressor tinha início no seio familiar e só terminava com a morte, uma vez que a mulher era oprimida pela sua família, depois passava a ser controlada pelo seu esposo e a família do mesmo. Dentro desse contexto social, onde as mulheres chinesas são reféns do patriarcado que nasce a prática da amarração dos pés para reforçar a ideia feminina de delicadeza e submissão. A cultura do pé de Lótus teve sua marca registrada durante a época das dinastias na China, e ficou conhecida por controlar o tamanho dos pés das mulheres chinesas, que deveriam medir de 8 a 10 cm. A prática perdurou por muitos anos na sociedade chinesa, simbolizava riqueza, status social e proporcionava bons casamentos, no entanto, por trás de tanta beleza escondia-se uma monstruosa atrocidade. Desse modo, o processo era iniciado com a limpeza e o corte das unhas, e logo com a quebra dos ossos e o enfaixamento para manter o formato desejado, Lisa see (2005) afirma que os pés deveriam ser estreitos, pontudos, arqueados, além de cheirosos e macios. O peso do corpo era sustentado pelos pés minúsculos, e diante disso, seu valor como esposa era determinado pelo tamanho dos membros inferiores, porém a prática acarretava problemas na vida das mulheres, com dificuldade para andar e deformações no corpo. Visto que a prática dificultava os movimentos, também restringia e limitava suas ações cotidianas para que ficassem em casa, que de acordo com Xinran (2029) era um conceito de castidade feminina do sistema patriarcal. Logo, a economia chinesa também era afetada, pois a maioria das mulheres estavam impossibilitadas de suas funções, principalmente na área rural, diminuindo assim o desenvolvimento econômico. Notoriamente, a mutilação feminina vinha do fetiche masculino, os pés pequenos e a dificuldade ao andar se tornaram atrativos de prazer para os homens. Dessa forma, Siqueira (2006) fala que, o corpo perfeito e seu processo de construção psico-social-cultural descreve que a maioria dos padrões de beleza de diferentes culturas são especialmente voltados para as mulheres. Embora a amarração dos pés não tenha sido impulsionador direto da mudança política ou dos acontecimentos na China, estava interligado com o tecido cultural e social mais amplo da sociedade chinesa. portanto, embora essa técnica não demonstrasse um controle diretamente político , contribuiu para a manutenção de estruturas de poder estabelecidas. Era uma prática profundamente enraizada na tradição e nas normas sociais e, como tal, influenciou na mentalidade e no comportamento dos indivíduos na sociedade; logo, a amarração dos pés reforçou os papéis e a hierarquia tradicionais de gênero, onde se esperava que as mulheres fossem submissas e obedientes aos homens. Em última análise, o movimento para abolir a amarração de pés no início do século XX fez parte de mudanças políticas e sociais mais amplas na China, refletindo um afastamento das normas e práticas tradicionais. Concluindo, é importante realizar novas pesquisas sobre esta tradição, pois existem poucas pesquisas e estudos atualizados sobre este tema. O estudo da história da cultura chinesa e do uso dos sapatos de lótus chineses por meio de pesquisa documental rende uma longa e rica história em torno do objeto, na qual há todo um contexto de poder, sedução, feminilidade e fetichismo. Na China, para produzir pés de lótus, a mutilação genital patriarcal priva as mulheres do prazer sexual, elimina a competição com a masculinidade do homem, a produção contínua de produtos que as mulheres usam para moldar os seus corpos, para atrair e satisfazer o olhar sexual dos homens.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

A CULTURA DO PÉ DE LÓTUS E A VIOLAÇÃO DO CORPO FEMININO NA CHINA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116208. Acesso em: 17 abr. 2026.