PROPOSTA DE OFICINA SOBRE AFROETNOMATEMÁTICA DURANTE O MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Autores

  • Willian Peres de Oliveira
  • Jader Rodrigues Sousa Oliveira
  • Cristiano Peres Oliveira
  • Grace Da Ré Aurich

Palavras-chave:

Afroetnomatemática, Geometria, Sona, Residência, Pedagógica

Resumo

A proposta deste trabalho é divulgar a experiência que os autores tiveram na aplicação de uma atividade sobre Afroetnomatemática desenvolvida no mês da Consciência Negra durante suas regências na Escola Municipal de Ensino Fundamental General Emílio Luiz Mallet. As atividades ocorreram durante a realização do subprojeto Matemática da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) - Campus Bagé do Programa Residência Pedagógica (PRP), que teve início na escola em outubro de 2022. Durante o mês de novembro, o grupo de residentes aplicou uma oficina intitulada Afroetnomatemática: a matemática da África e a produção de saberes étnico-raciais. Esse escopo teórico estuda as contribuições dos povos africanos para a matemática, utilizando evidências históricas, a fim de valorizar a cultura de povos africanos e de seus descendentes, sendo essa uma das formas de combater e superar o racismo nos espaços educacionais. Nesse sentido, foi desenvolvida uma oficina e proposta em turmas de 6º, 7º e 8º ano, dividida em cinco etapas, realizada em seis horas/aulas, sendo etapa (i) definição de racismo, (ii) a trajetória do povo negro no Brasil, (iii) A matemática da África (iv) Geometria Sona da Angola e (v) histórias contadas por meio de Sona. Posteriormente, foi apresentada a origem dos Sona, figuras culturais passadas de geração em geração, e cada tribo tem seus próprios Sona. Para se desenhar um Lusona é preciso limpar e alisar o chão, começando por marcar com as pontas dos dedos uma rede ortogonal de pontos equidistantes, ao traçar o desenho, não se retira o dedo ou caneta antes de terminá-lo. O número de linhas e colunas depende do desenho a ser representando, por exemplo, para representar um galo precisa-se de quatro linhas de três pontos. Após explicar a origem e como desenhar um Sona, foram propostas algumas atividades práticas com a turma, utilizando caixas de papelão e para substituir a areia foi utilizada farinha e, para alisar a superfície das caixas, utilizou-se uma folha de oficio ou a própria mão. No primeiro problema, os alunos deveriam descobrir e desenhar os Sona faltantes, aplicando a mesma regra de construção. A proposta de oficina com a temática da matemática africana, cumpriu uma demanda premente sobre uma abordagem matemática problematizadora, vinculada à debates contemporâneos sobre alternativas de valorização da matemática africana e da cultura afro-brasileira e do enfrentamento do racismo mediante uma agenda educacional antirracista, na mesma direção, buscou contemplar a Lei nº 10.639/2003 que traz à obrigatoriedade da presença da temática História e Cultura Afro-brasileira e Africana nos currículos escolares. A metodologia utilizada foi a Afroetnomatemática é um dos caminhos de inclusão nos currículos da educação básica para abordar temas da cultura Africana e que serviu como base para desenvolver o presente e trabalho apresentando assim a Geometria Sona de Angola. Sendo este um dos pontos mais marcantes da atividade, em que pudemos perceber a interação e curiosidade dos alunos sobre a temática apresentada, reforçando a importância da história do povo negro e mostrando que a proposta foi de extrema reflexão para os alunos. Diante do exposto, cabe ressaltar o papel do professor em levar e aplicar esses tipos de atividades com seus alunos evidenciando, através de fatos históricos, a importância de cada povo e a cultura de cada lugar contribuindo assim para um futuro com mais respeito as diferenças e as origens de cada um. Esse conjunto de atividades fez com pudéssemos refletir sobre a importância de o professor de matemática sair das aulas tradicionais agregando a sua pratica temáticas que envolvam também outras áreas do conhecimento, proporcionando aos alunos uma aprendizagem mais significativa e abrangente por meio da reflexão e sensibilização para a diversidade cultural brasileira. A Afroetnomatemática mostra um potencial enorme para atender as demandas de valorização da matemática africana mostrando que é possível descolonizar os currículos escolares desde que haja engajamento em torno dessa problemática. Para que possamos pela via da educação mobilizar uma articulação para o enfrentamento de práticas racistas e assim vislumbrar caminhos para a superação do racismo estrutural.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

PROPOSTA DE OFICINA SOBRE AFROETNOMATEMÁTICA DURANTE O MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116203. Acesso em: 18 abr. 2026.