ESOFAGITE EOSINOFÍLICA: INFLUÊNCIA DE FATORES GENÉTICOS

Autores

  • João Cláudio Pimenta Daquino Filocre
  • Larissa Luca Gramacho
  • Cinthya Bastos Rodrigues
  • Fernando Henrique Senger
  • Larissa Cristina Correia Limeira
  • Aldomar Renato Pederiva Filho

Palavras-chave:

Esofagite, Eosinofílica, genética, gastroenterologia

Resumo

A esofagite eosinofílica (EoE) é uma doença crônica inflamatória cada vez mais comum em crianças e adultos jovens, sendo uma patologia imunomediada por antígenos e que resulta em um processo inflamatório com recrutamento de eosinófilos no tecido esofágico. As manifestações clínicas mais comuns em adultos são disfagia, impactação alimentar, azia, vômito, regurgitação, enquanto em crianças frequentemente há associação com dificuldade de crescimento. No entanto, há uma forte associação entre a imunopatogênese dessa condição e a suscetibilidade genética do indivíduo e, por isso, é de grande relevância compreender a influência genética a fim de não apenas identificar indivíduos predispostos, como também fornece uma nova perspectiva mais esclarecedora a respeito dos processos biológicos que contribuem para o desenvolvimento da esofagite eosinofílica. Devido aos sintomas serem inespecíficos e a forte associação com fatores genéticos, muitas vezes a doença é confundida com outras patologias do trato gastrointestinal, atrasando o tratamento e comprometendo a saúde dos pacientes. Dessa forma, o objetivo da presente revisão literária foi avaliar a influência dos fatores genéticos no desenvolvimento da esofagite eosinofílica buscando compreender sua relação com a exposição ambiental através de uma busca criteriosa nas bases de dados UpToDate, PubMed e Scielo. Foram submetidos para análise 9 artigos que contemplaram os aspectos genéticos, imunopatogênicos, epidemiológicos e manifestações clínicas. Os descritores utilizados foram eosinophilic esophagitis, genetic e immunopathogenesis interligados pelo operador booleano AND. Assim, a partir da pesquisa nos artigos submetidos, estabelece-se que embora as interações entre a patogênese e ambiente, que culminam no curso da EoE não sejam precisamente determinadas, existem variáveis genéticas que estão relacionadas ao risco de EoE, sendo estas, outras doenças alérgicas, genótipos suscetíveis e doenças mendelianas. Tais elementos, associados a fatores ambientais na fase inicial da vida, criam um panorama de riscos genéticos para a EoE. Em análise molecular, foi observado que a EoE não é causada por defeitos nos eosinófilos, mas sim por defeitos primários na função epitelial do esôfago, que por sua vez é mediada por genes expressos no próprio epitélio. Entre as funções comprometidas estão a diferenciação das células epiteliais e a função de barreira do epitélio esofágico. No que se tange às doenças mendelianas, foram identificadas algumas associações nos mecanismos fisiopatológicos com a EoE, tais como doenças do tecido conjuntivo (DTC), síndrome de atopia grave associada à perda metabólica (Síndrome SAM), síndrome de Netherton, síndrome do tumor hamartoma PTEN (PHTS), síndrome da hiper-IgE autossômica dominante e a síndrome autossômica recessiva hiper -IgE. O estudo dessas síndromes, contribui para determinar e apontar genes e mecanismo responsáveis pelo aumento do risco da EoE. Em uma revisão de literatura, foi identificado que o gene CAPN14 tem um padrão de expressão único, com altos níveis no trato gastrointestinal superior, especialmente no epitélio escamoso do esôfago. Esse gene é regulado pela IL-13, uma citocina TH2 mediadora dessa condição, e possui efeitos disruptivos no epitélio do esôfago, prejudicando a função de barreira e inibindo a expressão da desmogleína-1, que tem um papel regulatório importante na reparação de alterações do epitélio mediadas pela IL-13. Em um estudo de caso controle conduzido em um hospital em Cincinnati (Ohio/EUA), foram demonstradas associações de maior predisposição à EoE entre a interação dos genes CAPN14 e LOC283710/KLF13 e fatores ambientais na fase inicial da vida, como por exemplo amamentação e internação na UTI neonatal. A partir do exposto, nota-se que a ocorrência da esofagite eosinofílica pode estar em algum nível associada a fatores genéticos do paciente e, portanto, compreender o quanto e como a genética influencia na patogênese dessa condição torna-se essencial a fim de avançar para um diagnóstico precoce, tratamento mais eficaz e manejo personalizado. Dessa forma, ao reconhecer o importante papel dos fatores genéticos na ocorrência da esofagite eosinofílica, trilha-se um caminho para uma abordagem mais específica, ativa e promissora no controle dessa complexa condição gastrointestinal.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

ESOFAGITE EOSINOFÍLICA: INFLUÊNCIA DE FATORES GENÉTICOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116173. Acesso em: 17 abr. 2026.