EXPERIÊNCIA DE MONITORIA INDÍGENA - POTENCIALIDADES E DESAFIOS EM UMA UNIVERSIDADE NA FRONTEIRA OESTE

Autores

  • Letícia Araújo Pinto
  • Gisele Viana Arantes
  • Liamara Denise Ubessi

Palavras-chave:

Monitoria, Enfermagem, População, Indígena

Resumo

Apesar das crescentes políticas públicas voltadas para a população indígena e quilombola no país, relativas ao ingresso desse grupo nas universidades federais, o número de discentes que ocupam esse espaço ainda é precário. Além dos obstáculos enfrentados nessa fase inicial, são encontrados outros durante a graduação, visto que este grupo possui altas taxas de evasão no ensino superior. Para mais, com o cenário pandêmico, causado pelo Coronavírus, entre os anos de 2020 a 2023, a taxa de evasão aumentou e o número de matriculados diminuiu de forma significativa. Considerando estes fatores, a Monitoria Específica para Acompanhamento a Estudante Indígena e Quilombola (MONIQ) do Programa de Ações Afirmativas, do curso de Enfermagem, possui a finalidade de atender as demandas acadêmicas de discentes indígenas e quilombolas ingressantes na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Uruguaiana, situada na fronteira oeste. Ainda, tem como objetivo fomentar a adesão do grupo em destaque, visto que os mesmos encontram barreiras para a sua permanência no meio acadêmico. Diante do exposto, o presente trabalho teve como objetivo relatar as potencialidades e desafios da monitoria entre estudantes indígenas e uma estudante não indígena. Trata-se de um relato de experiência, de escopo qualitativo, do tipo descritivo sobre as experiências vividas nas monitorias. Tendo em vista as demandas específicas para a população indígena e quilombola no ambiente acadêmico, o programa de monitorias foi instituído pela Pró-reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários, setor da reitoria que possui como finalidade desenvolver programas e ações voltadas à assistência estudantil e ao acesso aos direitos de cidadania. A partir dos dispostos na Resolução UNIPAMPA/CONSUNI Nº 84, de 30 de outubro de 2014, que dispõe sobre a Política de Assistência Estudantil da Unipampa, o programa surge como proposta interna da UNIPAMPA, de acordo com a instrução normativa Nº 5, 31 de Maio de 2021, que estabelece os procedimentos internos sobre o MONIQ. Ademais, devido a oferta da UNIPAMPA, foi selecionada como monitora uma discente não indígena, autodeclarada branca. Os encontros foram realizados no período de junho a outubro de 2023, de forma presencial e remota, nas dependências da UNIPAMPA e em locais públicos da cidade, previamente combinados. Os mesmos aconteciam semanalmente, havendo adição de mais de um encontro perante as demandas solicitadas. As reuniões eram feitas de forma individual, com cada uma das discentes, em dias e horários diferentes, e também de forma conjunta com ambas. De acordo com as diretrizes do programa, eram contemplados pelas monitorias os discentes ingressantes do curso de enfermagem. Em um primeiro momento somente uma discente indígena participava das monitorias, porém outra discente, também indígena, mesmo essa não sendo mais ingressante, começou a frequentar as monitorias. Os temas abordados nos encontros semanais foram demandas trazidas pelas próprias monitoradas, nos quais contemplavam assuntos acerca do que foi visto nos componentes curriculares, os sistemas e recursos online da universidade, preenchimento do currículo lattes e sobre a estrutura curricular do curso. Dentre os resultados da monitoria, foram percebidos benefícios, entre os quais estão a revisão de conteúdo -com ênfase nas disciplinas de Bases Clínicas, Anatomia Humana e Saúde Coletiva-, que pode proporcionar melhor compreensão do que foi visto durante as aulas, além de um melhor entendimento quanto a rotina acadêmica. Além dos benefícios, houveram também algumas limitações durante esse período, por exemplo, as interferências com os horários das monitoradas e monitora e falta de apoio por parte do coordenador acadêmico da unidade universitária, visto que as participantes do programa sentiram-se desassistidas, tanto pela falta de docente específico do curso de enfermagem quanto pela falta de orientações referente às atividades do programa e recursos disponíveis. Em síntese, embora houvesse a monitora selecionada, as monitoradas ficaram sem acompanhamento por um mês, até que, via Comissão de Acolhida Permanente de Indígenas e Quilombolas (CAPEIQ), se constatou a situação e se deu encaminhamento, e atualmente, uma professora enfermeira, vinculada ao curso de Medicina, é a tutora responsável. Perante o que foi visto, conclui-se que, apesar dos empecilhos, as monitorias foram benéficas para o público alvo. Contribuiu para o entendimento do meio acadêmico e demais cenários provenientes desta etapa. Ademais, podendo incluir no programa MONIQ, com o intuito de contribuir com o mesmo, destaca-se a abrangência para os discentes dos demais semestres, e o acréscimo de monitorias para componentes curriculares específicos do Curso como atribuição obrigatória do monitor responsável, uma vez que tais ações não estão incluídas no programa vigente. A UNIPAMPA tem estes e outros desafios no seu horizonte para avançar em uma política para estudantes indígenas e quilombolas.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

EXPERIÊNCIA DE MONITORIA INDÍGENA - POTENCIALIDADES E DESAFIOS EM UMA UNIVERSIDADE NA FRONTEIRA OESTE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116152. Acesso em: 22 abr. 2026.