NOVEMBRO NEGRO: UMA EXPERIÊNCIA EM EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICAS E RACIAIS.

Autores

  • Cristiane Machado Farias
  • Ana Carolina Cruz dos Santos
  • Caroline Cardoso Pacífico
  • Calebe Krizan Belmonte dos Santos
  • Daniel Lemos Messias
  • Miriam Raquel de Freitas Monteiro

Palavras-chave:

Antirracismo, Formação, Professores, Educação, Física

Resumo

O presente trabalho busca relatar as atividades do evento Novembro Negro, realizado pelo Neabi Mãe Fausta em parceria com o subprojeto Educação Física do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência - PIBID/Capes/MEC, desenvolvido na campus Uruguaiana da Unipampa. Esta iniciativa interdisciplinar está na sua 6º edição e tem como fio condutor a implementação das Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08; o Novembro Negro desenvolve atividades que promovem a sensibilização sobre as desigualdades étnico-raciais e as diferentes formas de discriminação identificadas no ambiente escolar da Educação Básica. Pretende-se incentivar a mudança nas práticas pedagógicas tradicionais, desenvolvendo uma concepção de educação antirracista. O objetivo das ações estão relacionadas a superação do racismo e formas correlatas de discriminação e preconceito, educando para as relações étnico e raciais, pois a educação é uma das formas de superar o senso comum e formar futuros e futuras professores e professoras capazes de enfrentar as diversas desigualdades observadas. Segundo Silvio Almeida (2017), o fato de o racismo ter uma dimensão estrutural o torna algo tão naturalizado na sociedade que constitui as relações nos seus padrões de normalidade; para o autor é preciso, portanto, descontinuar esta ideia. Para isso, conscientizar todas as pessoas deste cenário social se faz necessário; para Angela Davis, uma mulher negra e militante estadunidense nos lembra que não basta não sermos racistas, temos que ser antirracistas. Neste ano de 2023, a Lei Federal 10.639/03 completou 20 anos e nos perguntamos, será que temos algo a comemorar? Será que vencemos as mazelas dos mais de 350 anos de um país que teve sua base social pautada na escravização de seres humanos? E como ainda não superamos o racismo, quais são as estratégias efetivas para continuarmos lutando para sua superação? Neste trabalho propomos um reflexão sobre o evento Novembro Negro, sua contribuição e resultados observados. O percurso traçado na construção deste evento, metodologicamente, envolve o desenvolvimento de estudos e formações para os/as acadêmicos/as no intuito de que se apropriem das leis referidas acima, bem como, as diretrizes para sua implementação; foram propostas atividades educativas nas escolas, tais como palestras, oficinas, workshops, apresentações audiovisuais, jogos e brincadeiras afro e indígenas. O Novembro Negro tem apresentado múltiplos resultados, destacando-se: a) o evento tem assumido extrema relevância, pois cada edição teve suas particularidades e interceccinalidades, mas constituiu-se em espaços de formação para professores e estudantes da educação básica, promovendo as condições para ações pedagógicas de cumprimentos das referidas Leis; b) as ações contribuíram para que os alunos e as alunas da escola pudessem interagir com a temática étnico-racial, refletindo sobre suas atitudes e se enxergarem em seus preconceitos a ponto de repensarem as formas de agir; c) as atividades do Novembro Negro foram realizadas por discentes do curso de Educação Física, significando um esforço para sua formação como docentes; d) entre as atividades realizadas podemos destacar as oficinas de jogos e brincadeiras africanas e indígenas para alunos e alunas de anos iniciais e finais do ensino fundamental, apresentando-as um universo desconhecido que ressalta as diferenças históricas e culturais; e) as máscaras africanas foram concebidas como instrumento de dialogo entre Brasil e nossa ancestralidade africana, ensejando práticas de educação intercultural; f) o ensino da confecção das bonecas Abayomi, as quais são feitas com retalhos de panos, acompanhada de sua origem histórica, problematiza elementos da história do povo negro em sua situação de escravizado; g) brincadeiras com cabos de vassoura e objetos de madeira, brincadeiras como Dinâmica do Círculo, Si Mama Kaa (Tanzania), brincadeira de pegar o bastão, Yapo e Escravos de Jó, fornecem espaços de aprendizados pedagógicos fundamentais. Observa-se que após o encerramento do Novembro Negro a percepção dos e das bolsistas é de muito aprendizado e conhecimento adquirido, onde obtém-se novas experiências e vivências. Coletivamente, percebe-se a certeza da real importância do combate ao racismo, o respeito às diferenças e a garantia dos Direitos Universais e Humanos; isto demonstra a importância da ação extensionista desenvolvida, representando uma contribuição relevante da Universidade para a mudança nos ambientes escolares, onde ocorre o Novembro Negro. A ação faz dialogar a extensão com o ensino, pois é uma experiência concreta de formação dos estudantes universitários, além de fortalecer os esforços de pesquisa que se inserem na prática do PIBID e do cotidiano do NEABI Mãe Fausta.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

NOVEMBRO NEGRO: UMA EXPERIÊNCIA EM EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICAS E RACIAIS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116151. Acesso em: 22 abr. 2026.