ORGANIZAÇÃO AMBULATORIAL DE FISIOTERAPIA PÉLVICA EM NÍVEL HOSPITALAR NO CONTEXTO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Palavras-chave:
Atenção, Terciária, Saúde, Fisioterapia, Sistema, ÚnicoResumo
Introdução: O assoalho pélvico é uma importante estrutura formada por músculos e fáscias que atuam de forma conjunta para promover suporte às vísceras abdomino-pélvicas, além de influenciar nas continência urinárias / fecais e na resposta sexual. Disfunções do assoalho pélvico, tais como, incontinência urinária (IU) que é definida como a perda involuntária de urina; síndrome da bexiga hiperativa (SBH) que é constituída de urgência (desejo súbito e imperioso de urinar na fase de enchimento vesical), polaciúria (aumento da frequência de micções) e noctúria (aumento da frequência noturna das micções) na ausência de infecção urinária ou outras condições patológicas; prolapso dos órgãos pélvicos (POP) que consiste no descenso de órgãos como útero e bexiga; constipação que seria dificuldade para evacuar e disfunções sexuais (ex., transtorno de dor genitopélvica/penetração) apresentam alta prevalência, especialmente, na população feminina. A Fisioterapia Pélvica pode ter papel na prevenção e no tratamento dessas disfunções, as quais afetam o cotidiano e as relações interpessoais. Além disso, atua-se no período gravídico-puerperal visando, por exemplo, o alívio de algias, a prevenção de disfunções urinárias e intestinais, o preparo para o parto e a promoção do aleitamento materno. Destaca-se que a Fisioterapia Pélvica é a primeira linha de recomendação da International Continence Society (ICS) para prevenção e tratamento de IU e POP por meio de técnicas como treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP), terapia comportamental e eletroestimulação. Nesse contexto, a atuação do fisioterapeuta junto a uma equipe multidisciplinar no Sistema Único de Saúde (SUS) pode favorecer o autocuidado, a prevenção, a promoção de saúde e a reabilitação. Objetivo: Relatar a organização do atendimento de Fisioterapia Pélvica em nível hospitalar no âmbito do Sistema Único de Saúde, bem como a percepção de discentes do Curso de Fisioterapia alocadas no Estágio Supervisionado em Fisioterapia Ambulatorial, Saúde Pública e Comunitária I da Unipampa. Método: Reportar as ações organizacionais para a instalação do atendimento especializado em Fisioterapia Pélvica na Atenção Terciária iniciado em agosto de 2023. Resultados: Os atendimentos, de periodicidade semanal, foram organizados no Ambulatório de Fisioterapia utilizando-se a estrutura física e os recursos humanos (ex., recepção) do hospital municipal e conta com a participação de docente, TAE Fisioterapia e discentes em período de estágio curricular. Empregam-se instrumentos de avaliação voltados à área (ex., questionários sobre incontinência urinária, constipação, diário miccional) e averiguação da musculatura do assoalho pélvico que visa avaliar a funcionalidade (ex., força, coordenação, resistência). Também se utilizam recursos didáticos como modelos anatômicos (ex., vulva, pelve) para fins educativos. Outrossim, como recursos fisioterapêuticos, são utilizados cones vaginais (para propriocepção e fortalecimento muscular), equipamentos de eletroterapia (fortalecimento muscular e estimulação elétrica transcutânea do nervo tibial) e de cinesioterapia associada a acessórios como bola e faixa elástica. Até o momento, estão em atendimento nove pessoas (duas gestantes, duas mulheres com POP, quatro mulheres com IU e uma mulher com retenção urinária) as quais tiveram acesso a uma avaliação personalizada, bem como a utilização de tratamento específico. Cada caso clínico é discutido entre os pares e com a docente e TAE Fisioterapia a fim de que se planeje cada atendimento de forma personalizada. Conclusão: Embora o atendimento fisioterapêutico voltado à Saúde Pélvica esteja em sua fase inicial, se verifica que há uma demanda que necessita de um cuidado personalizado, o que ratifica o crescimento da área. Outrossim, se reforça a importância da atuação do fisioterapeuta no SUS, não somente para auxiliar na restauração da funcionalidade, como também pela promoção de bem-estar, pelo empoderamento frente a questões de autocuidado e auto-estima e pela contribuição na redução de possíveis cirúrgicos invasivos, fator que ocasiona diminuição de custos associados à saúde.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ORGANIZAÇÃO AMBULATORIAL DE FISIOTERAPIA PÉLVICA EM NÍVEL HOSPITALAR NO CONTEXTO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116138. Acesso em: 17 abr. 2026.