RELATO DE CASO- PÊNFIGO FOLIÁCEO EM EQUINOS
Palavras-chave:
Doença, cutânea, autoimune, Imunossupressão, Pênfigo, Foliáceo, equinosResumo
O Pênfigo Foliáceo é uma doença rara cutânea autoimune que acomete humanos, cães, gatos, lhamas e cavalos. Destaca-se, como a doença cutânea autoimune mais comuns em equinos, que pode estar associada a imunossupressão ou a fatores imunossupressores. A doença é causada por um anticorpo que age contra o glicocálice dos ceratinócitos e é caracterizada pela formação de crostas, pústulas e regiões de alopecia podendo ser localizada e posteriormente tornar-se generalizada. Animais acometidos pelo Pênfigo Foliáceo tendem a apresentarem sinais clínicos caracterizados por lesões erosadas ou crostosas, anulares com ou sem a presença de colarinho epidérmico, alopecia e variado grau de exsudação e descamação (Scott e Miller, 2003; Vandenabeele et al., 2004; Zabel et al., 2005), edema abdominal ventral, dor e prurido podem estar presentes (Scott e Miller, 2003; Zabel et al., 2005), e manifestações sistêmicas como depressão, letargia, hiporexia, perda de peso e febre. Uma égua da raça Crioula, de seis anos de idade pesando 400 kg, foi encaminhada para a Clínica Médica de Equinos El Corralero por apresentar múltiplas áreas circulares de alopecia ao longo do corpo, edema ventral e em membros torácicos e pélvicos, além de tremores musculares. O proprietário relatou que contatou outro profissional da área para tratar os ferimentos de miíases que animal apresentava em região inguinal e uma ferida em membro pélvico esquerdo. O mesmo, fez uso de matabicheira tópico e antinflamatório esteroidal sistêmico durante seis a sete, e que animal começou a apresentar quadro de lesões cutâneas após o período, segundo histórico clínico relatado por proprietário. Optou-se pela internação do animal, onde foi realizado exame geral e inspeção, constatando presença placas cutâneas circulares alopécicas com colarinho epidérmico, recobertas por crostas melicéricas espessas e bem aderidas à lesão, e instituído tratamento para analgesia e realização de banhos com clorexidina degermante 2% e iodopolividona degermante 10% com sabonete líquido Protex. Realizou-se coleta para biópsia de pele por meio de punch dermatológico, com bloqueio local com Lidocaína, retirando pequenos fragmentos de tecido com pelo de sete pontos, de aproximadamente 0,3 a 0,4 centímetros, colocados em formol e enviado a laboratório para submeter a exame histopatológico. Os achados laboratorias mostraram microscópcamente presença de pequena pústula subcórnea rompida e recoberta por crostas ricas em neutrófilos com células epiteliais individualizadas, eosinofílicas, globosas (células acantolíticas), além de discreta a moderada espongiose e exocitose. Presença também de acantose, hiperceratose e crostas neutrofílicas na superfície epidérmica. O diagnóstico do patologista definiu como pele hirsuta, dermatite pustular e crostosa multifocal moderada com pústula subcórnea e células acantolíticas intralesionais, acantose e hiperceratose ortoceratótica multifocal moderada. No decorrer do quadro, animal apresentou quadro de laminite, como consequência do uso indiscriminado de antinflamatório esteroidal, sendo necessária a realização de crioterapia e fluidoterapia, tratamento com Firocoxib (AINE), Fenilbutazona e protetores gástricos. Foi realizado exame de imagem dos membros torácicos onde constatou-se moderada rotação de terceira falange em ambos, com isso foi instituído o uso de órteses ortopédicas e restrição de movimentos. Foi instituído como tratamento para o Pênfigo Foliáceo, um banho com shampoo de alcatrão manipulado durante a semana, em dias quentes, devido a umidade ser prejudicial a dermatite, e a suplementação oral com suplemento homeopático específico para a derme, a base de enxofre ventilado (flor de enxofre), melaço de cana líquido, biotina, selenito de sódio, óxido de zinco, DL-metionina, L-lisina, óxido de manganês, betacaroteno, corante caramelo IV, aroma de maçã verde, água, metilparabeno, goma xantana, sorbato de potássio, propionato de cálcio. A enfermidade não tem predileção por sexo ou por faixa etária, podendo acometer animais desde poucos meses até 25 anos de idade (Laing et al., 1992; Vandenabeele et al., 2004; Zabel et al., 2005). Dermatite pustular acantolítica subcorneal, evidenciada pelo exame histológico da pele, foi semelhante aos achados clássicos, descritos em outros casos clínicos.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RELATO DE CASO- PÊNFIGO FOLIÁCEO EM EQUINOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116099. Acesso em: 18 abr. 2026.