BLOQUEIO DO NERVO PUDENDO GUIADO POR ULTRASSONOGRAFIA EM BOVINO SUBMETIDO A POSTOPLASTIA: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Anestesia, bovinos, Bloqueio, perineural, AcropostiteResumo
A anestesia locorregional pode ser descrita como a dessensibilização reversível das fibras nervosas, que são responsáveis pela condução do estímulo nociceptivo de uma determinada região até o sistema nervoso central. Existem diversas abordagens que podem ser aplicadas e independente da qual for adotada, é imprescindível o domínio das estruturas anatômicas envolvidas, a fim de garantir uma adequada técnica. Com isso, o uso da ultrassonografia como uma ferramenta auxiliar, vem crescendo, objetivando a visualização das estruturas e da deposição do anestésico, conferindo assim, maior segurança na realização. Para cirurgias ou exames na região da genitália externa em bovinos, pode ser aplicada a técnica do bloqueio do nervo pudendo, que tem a sua origem nos segmentos sacrais S2 a S4 e através de seus ramos, confere a inervação da área perineal, prepúcio, escroto e pênis dos machos. Apesar de se mostrar um bloqueio eficiente e passível de ser realizado apenas guiado por referências anatômicas, o seu uso ainda não está bem consolidado, pela dificuldade de encontrar o local de aplicação. O presente relato tem por objetivo descrever a realização do bloqueio do nervo pudendo guiado com auxílio da ultrassonografia em um ruminante. O paciente se tratava de um bovino da raça Braford, de 9 anos de idade e 650 kg, com histórico de edema prepucial e miíase, no qual foi instituída a conduta de postoplastia para correção de acropostite. Na manhã do procedimento, foi feito o exame físico pré-anestésico e o paciente foi classificado como ASA II. Logo após constatar-se que estava apto para a realização do procedimento, ele foi direcionado para o tronco de contenção. Em seguida, realizou-se a tricotomia e a antissepsia da região da veia jugular e das fossas isquiorretais direita e esquerda. Visando um manejo seguro e a tranquilização do animal, optou-se pela administração de Xilazina 10% (0,05 mg/kg, IV). Respeitado o período de latência do fármaco, o animal foi avaliado e constatou-se uma sedação moderada, desse modo, foram iniciadas as manobras para realização do bloqueio. Optando pela abordagem através da fossa isquiorretal, foi feita a palpação por via retal da incisura isquiática menor do ísquio, do forame isquiático menor e da artéria glútea caudal. Essas estruturas serviram de guia para a introdução do transdutor via retal na frequência de 9 MHz, que foi posicionado na porção caudal do reto, medial a pelve. A partir do posicionamento, iniciou-se a busca pela artéria pudenda interna, que também pode ser palpada e serve como referência para localizar o nervo pudendo, que se encontra dorsal à artéria. Localizada a região, foi configurado no ultrassom portátil o recurso doppler, que através da visualização do pulso arterial no local, foi possível confirmar o seu posicionamento. Na sequência, foi realizado um botão anestésico com lidocaína 2% com vasoconstritor (10ml) na região da fossa isquiorretal esquerda, para dessensibilizar a passagem da agulha para o bloqueio. Dispondo de uma agulha de Tuohy 18G, foi feita a introdução no mesmo local onde anteriormente foi realizado o botão anestésico. Acompanhando a sua entrada através da imagem ultrassonográfica e guiando o seu caminho, foi possível posicioná-la próxima a artéria pudenda interna, onde foi administrada lidocaína 2% sem vasoconstritor (20ml) ao redor do nervo pudendo. Do mesmo modo, foram realizados o botão anestésico e o bloqueio do nervo pudendo contralateral no antímero direito, utilizando a mesma técnica e anestésico local. O animal foi induzido a anestesia geral com cetamina (2 mg/kg, IV) e diazepam (0,1 mg/kg, IV) e mantido na anestesia total intravenosa (TIVA) pelo método tripple drip, utilizando Éter Gliceril Guiacol - EGG 5% diluído (1 ml/kg/h), cetamina 0,2% (10 ml/kg/h) e xilazina 10% (0,5 ml/kg/h) e mantido na fluidoterapia de manutenção com solução de Ringer Lactato. Durante todo o procedimento o animal foi monitorado, com registro dos parâmetros a cada 5 minutos. Além disso, foi constatado o relaxamento muscular do pênis, o que facilitou a manipulação cirúrgica. Ao fim, observou-se que os parâmetros se mantiveram estáveis até transcorridas 1 hora e 50 minutos do início do procedimento, quando foi necessário intervir com a instilação de lidocaína 2% no local da ferida cirúrgica. Levando em consideração o tempo de ação da lidocaína utilizada no bloqueio, percebe-se que o momento de estímulo nociceptivo ocorreu justamente ao fim desse. Nessas situações, faz-se extremamente importante lançar mão de outras técnicas que promovam a analgesia ao paciente. Concluindo, portanto, que o bloqueio locorregional, durante o período de ação da lidocaína, juntamente com a infusão de analgésicos, foram eficazes para o controle da dor garantindo o bem-estar do animal durante o procedimento. Além disso, a utilização da ultrassonografia foi de suma importância para a realização do bloqueio, facilitando o emprego da técnica e proporcionando maior segurança na sua realização.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
BLOQUEIO DO NERVO PUDENDO GUIADO POR ULTRASSONOGRAFIA EM BOVINO SUBMETIDO A POSTOPLASTIA: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116093. Acesso em: 17 abr. 2026.