LIMITAÇÕES DO EXAME ULTRASSONOGRÁFICO NO DIAGNÓSTICO DE UROLITÍASE VESICAL EM CÃO
Palavras-chave:
Ultrassonografia, Urolitíase, LimitaçõesResumo
A urolitíase é uma afecção de grande prevalência em animais domésticos de pequeno e grande porte. A formação dos cálculos ocorre devido ao acúmulo de cristais supersaturados que não foram excretados pela urina e podem ocorrer por todo trato urinário, sendo mais comum na vesícula urinária e uretra (95%) e menos frequentes nos ureteres e rins (5%). Os exames de imagem são essenciais tanto para diagnóstico dessa afecção quanto para definir o prognóstico do paciente. Objetiva-se com esse relato evidenciar as limitações do exame ultrassonográfico, utilizado como único método de diagnóstico por imagem, na avaliação de urolitíase em cão. Foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pampa, um canino, macho, da raça shitzu, 7,750kg, castrado, de 9 anos de idade. A queixa principal do tutor era disúria há 5 dias, seguido de estrangúria e iscúria, associada ao aumento de volume do abdômen. O animal havia sido atendido 3 dias antes por outro veterinário que fixou uma sonda uretral, pois o animal havia parado de urinar completamente e o esvaziamento estava sendo feito pela tutora três vezes ao dia. Relatou-se alimentação e fezes normais, porém, após a introdução da sonda o animal parou de andar. Com a suspeita de urolitíase e cistite, foram solicitados hemograma, bioquímico completo, ultrassom abdominal e urinálise. Na varredura ultrassonográfica abdominal, com o animal em decúbito dorsal, visibilizou-se a vesícula urinária com conteúdo anecogênico associado a presença de múltiplas estruturas hiperecóicas, de interface convexa, formando sombreamento acústico posterior, a maior delas medindo aproximadamente 2,93cm. Os rins, apresentando perda da relação corticomedular, com ecogenicidade da cortical e medular aumentadas, múltiplos pontos hiperecóicos na medular. Presença de linhas hiperecóicas adjacentes aos divertículos renais, formadoras de sombreamento acústico posterior. Em pelve renal esquerda, presença de estrutura hiperecóica, de interface convexa formadora de sombreamento acústico posterior, medindo aproximadamente 0,47cmX0,28cm. Fígado com ecogenicidade aumentada e heterogêneo de forma difusa. As alterações visibilizadas sugerem múltiplos urólitos associados a cistite, nefrocalcinose, pielonefrite, doença renal crônica e nefrólito. Alterações visualizadas em parênquima hepático foram sugestivas de hepatopatia. Foi recomendado o exame radiográfico para confirmação da quantidade e localização dos cálculos, entretanto não foi realizado. No exame de sangue, foi observado leucocitose, neutrófilos segmentados e bastonetes aumentados confirmando a suspeita de uma infecção. No bioquímico, observadas as enzimas ALT e FA aumentadas sugerindo uma hepatopatia. Na urinálise, presença moderada de debri celular e células em degeneração (células descamativas de pelve renal, transicionais e renais). A associação dos achados ultrassonográficos e das análises laboratoriais, resultaram no diagnóstico de urolitíase e cistite. Assim, como tratamento, foi sugerido a cirurgia de cistolitotomia para a remoção dos cálculos vesicais. Em acesso retroumbilical parapeniano esquerdo, foi abordada a cavidade e a vesícula urinária foi visualizada e isolada para manipulação. Acessada em sua face ventral menos vascularizada, a urina foi aspirada e foram visualizados incontáveis cálculos, que logo foram retirados. Foi realizada a hidropulsão para averiguar possíveis cálculos uretrais e por fim, após a retirada de todos os urólitos, a vesícula foi intensamente lavada e feita a cistorrafia. Recomendou-se a análise laboratorial dos urólitos para verificar sua composição, porém, não foi realizada. É sabido que o ultrassom oferece limitações para a identificação de urólitos, principalmente relacionadas ao grau de mineralização e tamanho (<3mm), podendo não formar sombra acústica e/ou não serem visibilizados durante a varredura. Por isso a associação da ultrassonografia a outros exames de imagem se faz importante nos diagnósticos de urolitíase. No caso relatado, os urólitos maiores foram identificados, entretanto, a grande maioria com diâmetro inferior a 3mm não. A realização do exame radiográfico poderia ter auxiliado nessa identificação, exceto nos casos de urólitos de cistina e urato de amônio que não possuem radiopacidade para serem visibilizados radiograficamente. Conclui-se que, devido as limitações oferecidas pelos exames ultrassonográficos e radiográficos, a associação destes pode aumentar a acurácia diagnóstica permitindo uma conduta terapêutica mais adequada e assertiva para cada paciente.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
LIMITAÇÕES DO EXAME ULTRASSONOGRÁFICO NO DIAGNÓSTICO DE UROLITÍASE VESICAL EM CÃO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116092. Acesso em: 17 abr. 2026.