PROTOCOLO PARA REVERSÃO DE DISTOCIA NÃO OBSTRUTIVA EM JABUTI: RELATO DE CASO

Autores

  • Lilian Flores Moraes
  • Carolina Depelegrin
  • Isadora Favreto
  • Ana Paula Morel
  • Lorena Stephany Bezerra Alves
  • Paulo de Souza Junior

Palavras-chave:

Testudines, Ocitocina, Pneumonia, Cálcio, Répteis

Resumo

Os jabutis estão dentro da família Testudinidae (quelônios terrestres) e são originários da América do Sul. Nesses animais, a casca dos ovos é mineralizada e, consequentemente, radiopaca. A presença de ovos altamente calcificados e de tamanhos variados, com parede espessada, está relacionada a quadros de retenção/distocia e dificilmente alterações como estas são situações de emergência em testudines, devido ao fato de que as fêmeas podem reter os seus ovos por um período prolongado. Os sinais clínicos observados são letargia ou inquietação, escavação repetida de vários ninhos, hiporexia ou anorexia, descarga cloacal, dispneia e edema dos membros pélvicos, sendo importante a realização de exames radiográficos ou de ultrassom para auxiliar no diagnóstico. O quadro distócico pode ser de origem multifatorial e ter relação com estresse, desidratação, desnutrição, hipovitaminose A, hiperparatireoidismo nutricional secundário, obesidade, salpingite, celomite causada por vitelo, cloacite, fecalomas ou impactação fecal, tecido ovariano ectópico, ovos mal formados, recinto com locais inapropriados para a postura, malformação do trato reprodutivo, entre outros. Nesse contexto, objetivou-se com este trabalho, relatar um caso de distocia não obstrutiva observada em um jabuti. Uma fêmea de Jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria) de 20 anos, pesando 4,8kg pertencente ao plantel do Zoológico Municipal de Canoas foi observada por seus tratadores, prostrada e com paresia dos membros posteriores, poucos dias após o término de seu tratamento para pneumonia. O animal foi encaminhado para exame radiográfico após a mudança comportamental, sendo diagnosticado com distocia não obstrutiva ao serem visualizados 13 ovos retidos. Suspeitou-se então, que a pneumonia recém tratada tivesse sido a causa da retenção, devido à natureza do processo patológico. Como tratamento para a distocia, foi inicialmente realizado uma melhoria de manejo, isolando a jabuti das demais para seu conforto e melhor observação. Ainda, para evitar possíveis contaminações, uma vassoura de fogo foi passada por todo o recinto. O início do protocolo para que fosse realizada a expulsão dos ovos começou no dia seguinte às adaptações de manejo, com a administração de gluconato de cálcio 170mg/ml na dose de 30mg/kg, via intramuscular uma vez ao dia, por três dias, e ocitocina 10UI/kg no terceiro dia, via intramuscular, uma hora após a última aplicação do gluconato de cálcio. As administrações de ocitocina tiveram intervalo de 90 minutos e dosagem crescente, totalizando três aplicações de ocitocina, tendo como resultado a postura dos 13 ovos com sucesso. É importante ressaltar que muitas vezes a correção de manejo, sem intervenção medicamentosa tem resultados positivos, já que na maioria dos casos de distocia relatadas em jabuti são oriundas de erro de manejo em casos de animais cativos, havendo sempre a possibilidade dessa patologia da reprodução ser secundária sobre outros fatores, como o deste caso, que estava relacionado à pneumonia. Outro fato importante é que na maioria das descrições encontram-se resultados variáveis, com alto índice de fracasso para o protocolo que inclui a administração de ocitocina após apenas uma aplicação de gluconato de cálcio. Assim, é possível observar que o modelo de protocolo estabelecido obteve resultado positivo neste caso de um espécime testudine que apresentou distocia não obstrutiva. Além disso, a anamnese tem um papel de grande importância nesses casos, pois pode evitar intervenções invasivas e até o óbito do animal, por encaminhar um diagnóstico precoce da patologia por meio da radiologia. O sucesso deste protocolo mostra-se relevante tanto para a clínica de pets não convencionais, como para animais de zoológico e até mesmo para animais em centros de reabilitação.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

PROTOCOLO PARA REVERSÃO DE DISTOCIA NÃO OBSTRUTIVA EM JABUTI: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116091. Acesso em: 19 abr. 2026.