INFECÇÃO ABORTIVA PELO VÍRUS DA FELV (VÍRUS DA LEUCEMIA FELINA): REVISÃO E RELATO DE CASO

Autores

  • Ana Júlia Corrêa Fogaça da Silva
  • Isabelle Sá Teixeira
  • Gustavo Forlani Soares

Palavras-chave:

FeLV, Diagnóstico, Relato, caso

Resumo

O vírus da Leucemia felina (FeLV), pertence ao gênero Gammaretrovirus, parte da família Retroviridae. Embora ainda não tenham sido descritos sorotipos, os isolados do FeLV possuem variantes ou subtipos, devido à variabilidade das sequências de aminoácidos das glicoproteínas do envelope. As variações de sequências detectadas na proteína SU seriam responsáveis pela utilização de diferentes receptores celulares, o que resultaria em diferenças de tropismo e patogenia. A transmissão acontece quando um felino sadio entra em contato com secreções de um outro felino infectado. A via horizontal representa maior importância para transmissão do FeLV, principalmente por meio da saliva que apresenta alta carga viral, o que ocorre geralmente pelo hábito de grooming e compartilhamento de vasilhames. As manifestações clínicas apesar de inespecíficas, podem ser correlacionadas, mas não são consideradas fatores patognomônicos da doença, como por exemplo: Protrusão de terceira pálpebra, secreção naso-ocular, doença periodontal, algumas outras consequências seriam: doenças proliferativas (linfomas e leucemia), doenças degenerativas (anemia arregenerativa), desordens mieloproliferativas, dermatopatias, enteropatias e patologias reprodutivas. A FeLV causa uma imunossupressão (redução da atividade do sistema imunológico), tornando o animal suscetível a infecções secundárias. O diagnóstico envolve a detecção do antígeno p27 (ELISA e IFA), e RNA viral ou DNA proviral (PCR). Na literatura não existe tratamento efetivo nem padronizado que livre totalmente o animal do vírus, mas drogas antivirais e imunomoduladoras já foram utilizadas para diminuir a replicação do vírus. O controle envolve teste, isolamento e vacinação. O objetivo deste trabalho consiste em descrever a infecção pelo vírus da FeLV e relatar o caso de um gato, macho, sem raça definida, de 1 ano e 9 meses de idade, previamente testado e vacinado com duas doses da vacina NOBIVAC® FELINE 1-HCPCH + FELV. O animal apresentou um caso de infecção abortiva, com sinais clínicos brandos e inespecíficos: protrusão de terceira pálpebra, inapetência, diarreia leve e piodermatite, os mesmos foram suficientes para que fosse realizado o teste rápido Accuvet FIV/FeLV Test, um ensaio imunocromatográfico para detecção qualitativa e simultânea dos anticorpos IgG do Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e antígenos (p27) do Vírus da Leucemia Felina (FeLV). O teste apresentou resultado positivo para o vírus da FeLV e negativo para FIV, com isso foi iniciado um tratamento para os sinais clínicos apresentados: Pequenas lesões na região temporal ipsilateral (piodermatite), foi instituída a limpeza do local e posterior aplicação da pomada Quadriderm, duas vezes ao dia, por uma semana. Apresentou diarreia com conteúdo mucóide, a partir desta manifestação clínica foram realizados exames coproparasitológicos específicos para giardíase, em três dias alternados, verificando resultados negativos; mesmo sem um diagnóstico definitivo foi iniciado um tratamento de prova, com metronidazol por 5 dias, a cada doze horas. Na tentativa de melhorar o estado clínico geral do animal, foi indicado o uso de timomodulina (TMD), um imunomodulador. A TMD é um extrato purificado do timo de vitelo constituído por uma mistura de polipeptídeos, que estimula principalmente as funções das células T, B e NK, promovendo uma melhora significativa da resposta imune frente a diversas doenças. A administração da TMD foi indicada uma vez ao dia (SID), por tempo indeterminado, foi associado um protocolo medicamentoso para gatos imunossuprimidos, com o Nuxcell Fel na dose (2g/animal) por dia, durante três dias consecutivos e posteriormente administrado uma dose ao mês por dois meses seguidos, passadas duas semanas de tratamento o animal já apresentou remissão total dos sinais clínicos. Após 27 dias foi realizado o PCR qualitativo em uma clínica, obtendo um resultado negativo, tanto para DNA proviral quanto para RNA viral, diante do resultado improvável, foi indicado a realização de outro exame, desta vez presencialmente em um laboratório de referência no interior de São Paulo, também com resultado negativo, caracterizando a infecção do paciente como abortiva para FeLV. A partir disso, entende-se que a testagem de animais e vacinação é de suma importância para que em uma possível infecção pelo vírus do FeLV, o mesmo tenha menos chances de desenvolver a forma progressiva da doença, retardando assim a aparição dos sinais clínicos e dando suporte para o sistema imunológico do animal frente ao vírus, o que acredita-se que ocorreu neste caso, propiciando a forma abortiva da doença. Além da vacinação, acredita-se que o protocolo medicamentoso instituído com a TMD, tenha contribuído de forma ativa para o prognóstico da infecção. Mais estudos devem ser feitos para comprovar a relevância do uso da TMD no tratamento da FeLV.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2023-12-18

Como Citar

INFECÇÃO ABORTIVA PELO VÍRUS DA FELV (VÍRUS DA LEUCEMIA FELINA): REVISÃO E RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116085. Acesso em: 17 abr. 2026.