MUSEU DE PATOLOGIA VETERINÁRIA: UMA FERRAMENTA DE ENSINO
Palavras-chave:
Ensino-aprendizagem, doenças, animais, diagnóstico, veterinárioResumo
INTRODUÇÃO. Museu tem por definição uma estrutura que está a serviço da sociedade e tem por objetivos pesquisar, colecionar, interpretar e expor algo de interesse ao público-alvo. Tendo em vista a variabilidade e complexidade de diversos assuntos abordados nas disciplinas de Patologia Veterinária, vê-se a necessidade de buscar ferramentas de ensino que diversifiquem a forma de apresentação destes temas, deixando-os mais palatáveis aos estudantes. O objetivo deste trabalho é descrever esta metodologia de ensino para as disciplinas de patologia geral e especial veterinária do curso de Medicina Veterinária, bem como relatar a percepção dos discentes sobre a utilização desta ferramenta no processo de ensino-aprendizagem. METODOLOGIA. Todo o material do museu é proveniente da rotina do LPV (Laboratório de Patologia Veterinária), que atua com diagnósticos histopatológicos, citopatológicos e necropsias. O acervo vem sendo composto desde 2010 por alunos, técnicos e docentes do laboratório. Durante a rotina de diagnóstico anatomopatológico as peças avaliadas com potencial para integrarem o museu são separadas, posteriormente preparadas e acondicionadas em potes com solução de formalina. A partir de então todas as peças são catalogadas e identificadas em uma lista de peças do museu, divididas na lista e no próprio museu por órgão afetado ou tipo de alteração, facilitando a busca por um determinado material bem como a separação dos materiais a serem utilizados em aula prática. Para a avaliação da percepção dos alunos sobre a utilização do museu, foi organizado e enviado pelo e-mail institucional aos alunos do curso de Medicina Veterinária um formulário com questões objetivas para que pudessem deixar o seu relato sobre o museu. O formulário foi enviado a todos os estudantes do curso, sendo requisitada a resposta dos alunos que já tiveram contato com o museu. São estes os alunos do quinto ao oitavo semestre do curso (os alunos do nono e décimo semestre cursaram estas disciplinas ainda no período remoto). Os questionamentos foram sobre a relevância dos casos apresentados na rotina do médico veterinário, a correlação entre os espécimes e aulas teóricas, bem como o ganho em aprendizado proporcionado pela vivência no museu. Também foram questionados sobre as instalações do museu e sobre sugestões acerca da manutenção e expansão deste projeto. As questões em sua maioria permitiam respostas de 1 a 5, onde 1 corresponde a nada satisfeito e 5 a muito satisfeito. As questões com repostas diferentes foram abordadas individualmente nos resultados. RESULTADOS. O museu conta hoje com 168 peças catalogas, além de outras dezenas conservadas e por serem adicionadas ao acervo exposto. Por semestre passam em torno de 100 alunos de graduação e pós-graduação. Nas aulas da graduação ao menos duas vezes por mês os alunos são separados em turmas práticas e é conduzido o estudo de peças por grupos básicos de distúrbios bem como por sistemas orgânicos acometidos nas diferentes espécies. Essas aulas são conduzidas por docentes auxiliados por monitores das disciplinas. Após essas aulas expositivas os alunos são orientados e a eles disponibilizados horários para estudos complementares guiados por monitores. Em relação ao questionário: quando questionados sobre a representatividade das peças sobre os distúrbios estudados e sobre o ganho na visualização anatomopatológica das lesões apresentadas, mais 70% dos estudantes responderam com 4 ou 5 em ambas as questões. 90,4% responderam com 4 ou 5 quando questionados se houve um ganho no aprendizado utilizando o museu nas aulas práticas. O ponto mais crítico segundo a avaliação é a estrutura do museu, sendo a nota 3 a mais prevalente, com 42,9% das respostas. 76,2% dos alunos acredita que o projeto deva ser expandido e 81% acredita que o museu possa ser utilizado também em outra disciplinas, sendo as clínicas (de pequenos animais, de equinos e de ruminantes) e a clínica cirúrgica as mais citadas. Quando pedida uma avaliação sobre o museu de patologia 90,5% responderam com nota 4 ou 5. CONCLUSÃO. Pode-se notar em relação aos estudantes que há um ganho no ensino com a utilização do material do museu em aulas práticas, facilitando a compreensão do conteúdo ministrado em aulas teóricas. A ampla maioria afirma que o museu deve ser ampliado e que poderia ser utilizado até mesmo em outras disciplinas, e que a estrutura do museu deve ser melhorada. Todos estes pontos dão um norte sobre como seguir e quais os pontos a serem aprimorados na continuidade do projeto. A manutenção e a realização desta ferramenta de ensino na medicina veterinária permite uma maior compreensão da história natural das doenças em populações na região de atuação do LPV (mesorregião sudoeste rio-grandense) e também um recorte importante dos diagnósticos anatomopatológicos do laboratório no período.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
MUSEU DE PATOLOGIA VETERINÁRIA: UMA FERRAMENTA DE ENSINO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116082. Acesso em: 18 abr. 2026.