PROCEDIMENTO ANESTÉSICO EM OURIÇO-PIGMEU-AFRICANO (ATELERIX ALBIVENTRIS) PARA REALIZAÇÃO DE ENUCLEAÇÃO - RELATO DE CASO

Autores

  • Guilherme Faria Machado
  • Larissa Zuchetti Capelari
  • Luanne Faria Sanches
  • Hyago Ferreira dos Santos
  • Marilia Teresa De Oliveira
  • Paulo Gabriel Gonzalez

Palavras-chave:

Anestesiologia, veterinária, Pets, não, convencionais, Hedgehog

Resumo

O avanço constante da anestesiologia veterinária associado à expansão do mercado de pets não convencionais, exige que o anestesiologista recorra aos conhecimentos da fisiologia animal, das técnicas anestésicas e dos efeitos dos fármacos nas diversas espécies, para assim, promover uma anestesia de qualidade. Com o intuito de disseminar a viabilidade de uma adequada conduta de anestesia geral independente da espécie, este trabalho visa relatar um procedimento anestésico em um Ouriço-pigmeu-Africano (Atelerix albiventris). Foi solicitado o serviço de anestesiologia veterinária do Instituto de Medicina Animal (IMAN) para a realização de uma anestesia geral para o procedimento de enucleação. A paciente se tratava de um Ouriço-pigmeu-Africano, fêmea, 400g, de aproximadamente 5 anos de idade, que apresentava histórico de trauma na região da cabeça, com exoftalmia do olho esquerdo. Após avaliação clínica determinou-se a conduta de enucleação devido a inviabilidade do globo ocular. Após a avaliação pré-anestésica, ela foi classificada de acordo com a American Society of Anesthesiologists (ASA) como ASA II, estando apta para o procedimento. Sendo assim, foi administrada a medicação pré-anestésica (MPA), composta de dexmedetomidina (5 µg/kg), cetamina (5 mg/kg), midazolam (0,5 mg/kg) e butorfanol (0,5 mg/kg), ambos por via intramuscular. Para administração da MPA, foi realizada contenção física com uma toalha, posicionada ao redor dos espinhos do animal. Após 5 minutos da realização da MPA, a paciente apresentava-se em um estado de sedação intensa, sendo possível manejá-la sem estresse e iniciar a pré-oxigenação através de uma máscara facial adaptada para o seu tamanho. Transcorridos 10 minutos de pré-oxigenação, iniciou-se a vaporização de isoflurano para a indução do plano anestésico. Constatando a ausência de tônus mandibular, possibilitou-se a abertura da cavidade oral do animal, seguido da intubação endotraqueal com uma sonda uretral número 4, adaptada para ser conectada ao sistema de anestesia inalatória. Em sequência, seguiu-se a vaporização do isoflurano em oxigênio a 100%, disponibilizado através de um vaporizador calibrado, permitindo assim melhor controle da concentração alveolar mínima (CAM) do anestésico. O procedimento durou 35 minutos. Durante esse período, foi possível realizar a monitoração da paciente quanto a: frequência cardíaca (214 bpm ± 21 bpm) e saturação de oxigênio nas hemoglobinas (100% ± 1%), a partir do oxímetro de pulso posicionado na face plantar do membro pélvico direito; Frequência respiratória (21 mpm ± 12 mpm), obtidas por um capnógrafo do tipo sidestream acoplado à sonda endotraqueal; Pressão arterial sistólica (107 mmHg ± 20 mmHg), diastólica (75 mmHg ± 21 mmHg) e média (85 mmHg ± 21 mmHg), avaliadas pelo método oscilométrico com um manguito posicionado no membro torácico esquerdo; Avaliação da atividade elétrica do coração, a partir do eletrocardiograma posicionado da mesma maneira como nas espécies convencionais; e a temperatura, que foi aferida com termômetro digital por via retal (33° C ± 1°C). Todos os parâmetros, exceto a temperatura retal, foram anotados a cada 5 minutos a fim de avaliar o gráfico formado a partir desses, e verificar se houve alguma intercorrência durante o procedimento. Foi feita a cateterização da veia cefálica, com um cateter nº 24, para a fluidoterapia de manutenção, levando em consideração a taxa de 5ml/kg/h através de uma bomba de infusão de seringa. A analgesia do procedimento foi obtida a partir da realização do bloqueio locorregional extraconal, através da inserção de uma agulha 13 x 0,45mm na região inferonasal da órbita, utilizando lidocaína 2% (0,5ml/kg). Para o conforto no pós-operatório, optou-se por fazer dipirona (25mg/kg) e meloxicam (0,5mg/kg), por via subcutânea. Por fim, avaliando a linearidade dos parâmetros ao longo da cirurgia e a constância da vaporização do isoflurano em 1%, constatou-se que o bloqueio foi eficaz, pois não houve indícios de estímulos nociceptivos. Além disso, ao fim do procedimento cirúrgico-anestésico a paciente teve uma recuperação rápida e tranquila, assegurando a eficácia do protocolo anestésico instituído. A partir desse relato, foi possível concluir que, apesar da espécie animal anestesiada ser pouco frequente na rotina, é possível fazer uma adequada monitoração anestésica, bem como, estabelecer um protocolo que garanta os pilares da anestesia geral: hipnose, miorrelaxamento e analgesia, possibilitando uma conduta técnica e ética.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

PROCEDIMENTO ANESTÉSICO EM OURIÇO-PIGMEU-AFRICANO (ATELERIX ALBIVENTRIS) PARA REALIZAÇÃO DE ENUCLEAÇÃO - RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116081. Acesso em: 17 abr. 2026.