A EXPERIÊNCIA DE JOHN DEWEY E O ENSINO DE CIÊNCIAS

Autores

  • Ana Paula Marques da Rosa
  • Mara Jappe Goi

Palavras-chave:

Sujeito, ativo, Epistemologia, Ciências, exatas

Resumo

O presente trabalho tem por objetivo apresentar possíveis relações entre a filosofia da experiência de Dewey e o Ensino de Ciências. A pesquisa se enquadra no contexto qualitativo (LUDKE;ANDRÉ,1986), sendo um estudo bibliográfico que se baseia na análise interpretativa de fontes de informação textual. John Dewey foi um pedagogo, filósofo, psicólogo norte-americano no século XX, que teve grande influência no movimento progressista na educação em várias partes do mundo. O conceito de experiência de Dewey envolve os sentidos e a cognição, mas vai além, desempenhando um papel crucial na formação e manutenção de hábitos. O pesquisador enfatiza que a experiência não se limita à percepção sensorial, mas envolve interação entre sujeito e ambiente. Dewey (1958) busca reintegrar a experiência humana ao contexto natural e cultural, destacando a interação dinâmica entre o indivíduo e seu ambiente.Na perspectiva de Dewey, a experiência é contínua e molda a percepção, ação e reações futuras. Os hábitos formados durante a experiência afetam atitudes e comportamentos. Cada experiência se baseia nas anteriores e influencia as futuras, promovendo aprendizado e aprimoramento. Por isso, compreender a continuidade da experiência está em olhar para além do momento presente e reconhecer a influência do passado e as oportunidades para o desenvolvimento futuro.Para o pesquisador é papel do educador criar um ambiente de aprendizagem que equilibre desafio e prazer, preparando os alunos para experiências futuras e desenvolvendo habilidades úteis ao longo da vida. Dewey (1958), destaca a importância de atividades estimulantes e relevantes para o engajamento ativo dos estudantes. Desta forma, a educação pode ir além da transmissão de conhecimento teórico, permitindo que os alunos se envolvam ativamente, desenvolvam habilidades essenciais e se tornem aprendizes autônomos, criativos e resilientes. Isso os prepara para enfrentar os desafios do futuro e contribuir para um mundo em constante transformação. No final do século XIX, surgiu o Movimento Progressista, que defendia um ensino centrado na vida e na atividade, integrando teoria e prática, com o aluno desempenhando um papel ativo em seu próprio aprendizado. Segundo Dewey (2010), a constante reorganização da experiência por meio da reflexão é uma característica fundamental da existência humana, contribuindo para a aquisição de conhecimento e conferindo significado à vida. A educação deve promover a autonomia e a proatividade, relacionando conceitos escolares com as ações do cotidiano dos alunos. As experiências compartilhadas no ambiente escolar são coletivas e educativas, e temas relacionados à Ciências da Natureza podem ser relevantes ao enfatizar situações do cotidiano. A educação brasileira é guiada por documentos como os Parâmetros Curriculares Nacionais, que valorizam a capacidade crítica e a resolução de problemas com criatividade, e a Base Nacional Comum Curricular, que destaca a importância do exercício da curiosidade intelectual e da abordagem científica na educação. De acordo com Zompero e Laburú (2011), baseados na filosofia de Dewey, o universo é formado por elementos inter-relacionados, incluindo as pessoas. Os estudantes trazem consigo diversas experiências que moldam suas ações e reações, e essas experiências são constantemente vivenciadas e reestruturadas por meio da reflexão no cotidiano. A reflexão contínua é fundamental para a construção de conhecimento e proporciona significado à vida, tornando a aprendizagem uma parte inseparável da experiência humana. A educação, vista como uma reorganização constante da experiência por meio da reflexão, pode melhorar a qualidade da aprendizagem e promover o desenvolvimento contínuo. A experiência é um processo mental e interativo entre o indivíduo e o ambiente, moldando ações, reações e atitudes. A continuidade da experiência envolve a incorporação de elementos das vivências passadas e a modificação das futuras. Na filosofia da educação de Dewey, a experiência é central, com educadores desempenhando um papel crucial ao criar situações de aprendizagem que estimulam a curiosidade e a iniciativa dos alunos. Através de experiências autênticas e participativas, os alunos se tornam aprendizes autônomos e preparados para enfrentar os desafios futuros. O Movimento Progressista e a influência de Dewey na educação enfatizam a importância da experiência e da reflexão no processo de aprendizagem, incluindo o Ensino de Ciências. A educação pode integrar os conceitos escolares com as experiências cotidianas dos alunos, promovendo conhecimento prático e aplicável à vida real. A teoria da experiência de Dewey contribui para o Ensino de Ciências ao enfatizar a capacidade crítica e reflexiva dos alunos na resolução de problemas reais. A educação progressista, fundamentada na experiência e na reflexão, prepara os alunos para enfrentar desafios e construir soluções com base em conhecimentos das diferentes áreas.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

A EXPERIÊNCIA DE JOHN DEWEY E O ENSINO DE CIÊNCIAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116075. Acesso em: 17 abr. 2026.