MÉTODOS PRÁTICOS NO ENSINO DO VIOLÃO BRASILEIRO: CONTRIBUIÇÕES DIDÁTICAS DA LITERATURA VIOLONÍSTICA NO ÚLTIMO SÉCULO

Autores

  • André Coelho
  • José Daniel Telles dos Santos

Palavras-chave:

Ensino, Aprendizagem, Pedagogias, Musicais, Métodos, Violão, Popular, Brasileiro, Técnicas, Acompanhamento

Resumo

O violão é o instrumento do brasileiro, disse certa vez o compositor e violonista Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar, o "Guinga" (1950). Assim como ele, gerações de violonistas brasileiros, do início do século passado aos dias atuais, tiveram acesso ao violão sem necessariamente terem acessado o ensino formal do instrumento. Deste modo, o violão brasileiro foi se desenvolvendo, sobretudo, a partir de processos baseados na auralidade, algo familiar aos contextos de práticas da música popular. Buscando registrar e até mesmo sistematizar essas práticas, alguns consagrados violonistas brasileiros desenvolveram métodos com enfoque na função do acompanhamento do instrumento, algo nem sempre contemplado na literatura pedagógica tradicional. As motivações para desenvolver uma pesquisa sobre esta temática nascem da necessidade de analisar, problematizar e refletir sobre os materiais didáticos relacionados ao ensino do instrumento nestes contextos. Com a proposta de apresentar uma abordagem que busca promover a autonomia do violonista quanto à aprendizagem, muitos destes métodos acabaram por se tornar referência na literatura pedagógica do ensino de violão no Brasil ao longo do século XX. Com base neste enfoque, três dos métodos mais recorrentemente difundidos no Brasil ao longo deste período compõem o corpus deste estudo: Método Prático de Violão de Canhoto (1902); Método de Paulinho Nogueira (1966); e Dicionário de Acordes Cifrados harmonia aplicada à música popular de Almir Chediak (1986). Adotando a pesquisa documental e a autoetnografia como perspectivas metodológicas (CHANG, 2008; FORTIN, CÔTÉ & FILION, 2009), esta pesquisa tem por objetivo principal promover uma reflexão crítica a partir do estudo de alguns métodos práticos frequentemente utilizados no ensino do violão brasileiro. Para cumprir este objetivo, numa fase inicial, foi elaborado um quadro comparativo que organizou os conteúdos e embasou a realização de um estudo prático comparado, aplicado ao instrumento. Esta etapa propiciou a geração de novos dados através da auto-observação registrada em diários de campo, notas e gravações, resultando em nova reflexão sobre a aplicabilidade dos conteúdos propostos. Os dados coletados nesta fase do estudo foram fundamentais para embasar o desenvolvimento de uma análise crítico-reflexiva, levando em consideração não apenas o conhecimento paradigmático inerentes aos métodos, mas também suas potencialidades para gerar conhecimento implícito, corporizado nos violonistas (MERLEAU-PONTY, 2011). As análises resultantes do estudo revelaram que, mesmo que publicados em períodos e contextos distintos, os métodos analisados retratam uma cronologia acerca de alguns materiais didáticos que fizeram da formação de muitos violonistas brasileiros ao longo do último século. Importante pontuar que o método de Canhoto (1902), o mais antigo deles, traz a necessidade de aprendizagem de acordes básicos necessários para abreviar a distância entre o primeiro contato com o violão e a execução da primeira música com foco no acompanhamento, fato que dialoga com premissas pedagógicas contemporâneas como a de Swanwick (FRANÇA; SWANWICK, 2002) para quem a música deve acontecer primeiro, para depois ser explicada/compreendida com auxílio dos fundamentos teóricos. Como resultados, a partir das análises realizadas, foi possível identificar algumas contribuições destes autores para aprendizagem do violão brasileiro como: posições dos primeiros acordes para acompanhamento (CANHOTO, 1902), concepção de violão acompanhador e harmonizador (NOGUEIRA, 1966), aprofundamento teórico musical e expansão do vocabulário de acordes e cifras (CHEDIAK, 1986). A partir destes resultados, e em busca de uma melhor compreensão e possível elaboração de uma sequência didática a partir das propostas analisadas, algumas reflexões se tornam necessárias. A principal delas é que a aprendizagem do violão popular brasileiro pode ser iniciada pelo acompanhamento, ficando a posteriori a apreensão de outros conteúdos como escalas e harmonia funcional. Por outra via, cabe ressaltar que foi identificada, em todos os métodos analisados, a ausência de qualquer abordagem quanto à condução rítmico-harmônica do violão, pressupondo a auralidade dos músicos que atuam no contexto da música popular, algo que vem sendo suprido de algum modo por literatura recente (e.g.: PEREIRA, 2007; FARIA, 2012). Por fim, como desdobramento deste estudo, está sendo desenvolvido um método que busca colaborar com as lacunas identificadas nas análises. Deste modo, pretendemos agregar à novas possibilidades pedagógicas para a didática do instrumento, buscando propor um ensino integrado do violão a partir da cultura popular.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

MÉTODOS PRÁTICOS NO ENSINO DO VIOLÃO BRASILEIRO: CONTRIBUIÇÕES DIDÁTICAS DA LITERATURA VIOLONÍSTICA NO ÚLTIMO SÉCULO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116044. Acesso em: 18 abr. 2026.