Diálogos sobre variação linguística a partir do dialeto gaúcho

Autores

  • Giane Dutra
  • Elizaine Tavares Santuche
  • Patrícia dos Santos Moura

Palavras-chave:

alfabetização, letramento, variação, linguística

Resumo

O presente relato de experiência reflete o percurso realizado no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) Subprojeto-Alfabetização/Pedagogia, bem como a reflexão sobre a variação linguística e sua importante contribuição na formação dos alunos. Diminuindo desta forma o preconceito linguístico existente, ampliando o repertório linguístico, desenvolvendo o senso crítico e a participação dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental. Primeiramente precisamos ressaltar que estamos sofrendo atualmente uma grande defasagem no âmbito educacional, resquícios esses causados pela Pandemia do COVID-19. Diante deste cenário buscamos estratégias que viabilizem solucionar esses problemas. Nesta perspectiva foi realizada a metodologia de intervenção de ensino utilizando em todas as atividades o texto como eixo principal da alfabetização e do letramento, visto que os professores trabalham textos e exercícios de maneira isolada. Procuramos então trabalhar o texto dentro do contexto social de uso dos alunos, para que a aprendizagem estabeleça o sentido, sendo assim, significativa para os mesmos. Foram realizados quatro encontros semanais envolvendo a temática variação linguística em duas escolas do município de Jaguarão de bairros diferentes, uma localizada no centro e outra em um bairro de periferia da cidade, a fim de trocarmos experiências e assim contribuirmos na aprendizagem e desenvolvimento dos alunos. Os recursos utilizados foram textos como músicas, poesias, poemas, charges e receitas, dialogando sobre o assunto variação linguística, preconceito linguístico, refletindo a partir do dialeto gaúcho, onde valorizamos as outras culturas e também a cultura gaúcha. Inicialmente nossas práticas docentes vinham sofrendo a resistência dos alunos por receio do falar e escrever errado, consequência do uso ainda de uma educação tradicional onde só quem conhece a gramática normativa e utiliza suas regras sabe escrever e falar corretamente, ou seja, quem tem o domínio das variedades padrão fala corretamente o português, desvalorizando assim as variedades não-padrão. A problemática aqui não é só a questão do preconceito causado por um aluno em relação a outro, mas sim o conceito que um discente conclui sobre si próprio, considerando-se inferior aos colegas. O aluno precisa entender que aprender as regras da gramática normativa é importante para estabelecer a comunicação entre autor e leitor, justamente pela grande variedade linguística do Brasil. A língua está em constante uso e por esse motivo e com o avanço da tecnologia novas palavras vão surgindo, deixando evidente a necessidade da utilização da gramática normativa e suas regras, para que o leitor de nossas produções textuais possa compreender nossos textos. Ao analisarmos as produções textuais dos alunos, fica evidente a diferença entre as expressões gaúchas encontradas nestes veículos de informação e o modo como os alunos se comunicam no cotidiano. Isso demonstra o quanto os aspectos dos grupos sociais podem influenciar a variação linguística, e mesmo as expressões do dialeto gaúcho sendo familiares, a grande maioria não é utilizada pelas novas gerações, pois ao longo do tempo essas expressões acabam deixando de ser usadas pelas gerações mais novas. A partir dos aspectos citados acima, destacamos a importância de serem trabalhadas produções textuais na sala de aula, pois isso possibilitou que os alunos conhecessem a existência da variação linguística e refletissem sobre o processo de escrita, aprendendo que existe uma diferença no pronunciar e no escrever e que a cultura, mesmo que implicitamente, se encontra presente em nosso cotidiano sempre nos influenciando. Concluímos então que ao trabalharmos a partir desta perspectiva percebeu-se um avanço significativo dos alunos, pois eles estão mais seguros para interagir na sala de aula e assim avançaram na escrita de suas produções textuais. Compreendendo que não existe o falar errado e sim, que para estabelecermos a comunicação precisamos falar ou escrever conforme o contexto social em que estivermos inseridos. SOARES, Magda. Alfaletrar: toda criança pode aprender a ler e a escrever. São Paulo: Contexto, 2020. BAGNO, Marcos. Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz. São Paulo: edições Loyola, 1999.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

Diálogos sobre variação linguística a partir do dialeto gaúcho. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116043. Acesso em: 18 abr. 2026.