MODELOS DIDÁTICOS ACESSÍVEIS PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS. UMA POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO.
Palavras-chave:
Ensino, Ciências, Deficiência, Visual, Modelos, Didáticos, AcessíveisResumo
A escolha pelo estudo do Ensino de Ciências para estudantes com deficiência visual justifica-se pelos inúmeros desafios do processo de inclusão desses estudantes (BASTOS et al., 2016) e pela importância da utilização de recursos didáticos acessíveis como mediadores dos processos de ensino e aprendizagem de conceitos científicos. É importante destacar o papel do professor como mediador nas ações investigativas de modo à [...] fortalecer a autonomia dos estudantes, oferecendo-lhes condições e ferramentas para acessar e interagir criticamente com diferentes conhecimentos e fontes de informação" (BRASIL, 2017, p. 60). A importância da aprendizagem em Ciências deve possibilitar uma visão crítica do estudante acerca de sua realidade, na qual analise diferentes situações e desenvolva condições para avaliar assuntos de importância na determinação da sua qualidade de vida (CACHAPUZ et al., 2005). Assim, neste trabalho apresentamos um recorte da dissertação intitulada O ensino dos sistemas endócrino e hormonal no contexto da deficiência visual: desafios e possibilidades no ensino remoto, desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Unipampa campus Bagé, cujo objetivo foi a construção de uma proposta pedagógica utilizando de modelos didáticos acessíveis representativos dos órgãos que compõem o sistema endócrino e hormonal. Os modelos didáticos acessíveis: modelo didático do cérebro, da tireoide, das adrenais e suprarrenais, do pâncreas e das gônadas foram construídos com materiais de baixa tecnologia. De acordo com Marin e Pinho (2017), recurso de baixa tecnologia é todo e qualquer material didático que sirva de suporte ou meio para ensinar. Para a elaboração dos modelos didáticos, utilizamos de materiais usuais do cotidiano, como sucatas, que serviram para representar imagens do sistema endócrino, os quais são apresentados nos livros didáticos. Vale frisar que os modelos didáticos elaborados não possuem dimensões e pesos reais dos órgãos e das glândulas a serem abordados. Para o modelo didático do cérebro foram utilizados os seguintes materiais: bola de isopor com 15 cm de diâmetro com encaixe para abrir, barbante, cola universal, e.v.a. 2 mm. de diferentes texturas (liso, rugoso, com relevo), miçangas, linha de crochê, papel Paraná 1,7mm ou papelão para a sustentação interna das partes. Para o desenvolvimento conceitual da glândula tireoide, foi confeccionado o modelo didático da tireoide, destacando a laringe, a traqueia e glândulas paratireoides. Neste modelo didático da glândula tireoide foram utilizados os seguintes materiais: eletroduto flexível corrugado, e.v.a. textura ondulada, miçangas, biscuit, cola, papel Paraná ou papelão para a sustentação das partes. Pensando no desenvolvimento conceitual das glândulas adrenais e suprarrenais, foi confeccionado o modelo didático dos rins, destacando as respectivas glândulas. No modelo didático das glândulas adrenais e suprarrenais foram utilizados os seguintes materiais: e.v.a., tecido, isopor (aquele tipo tela usado para embalar frutas), papel Paraná ou papelão para a sustentação das partes. Com vistas ao desenvolvimento conceitual das glândulas produtoras de hormônios presentes no pâncreas, foi confeccionado o modelo didático do pâncreas, realçando as Ilhotas de Langerhans. No modelo didático dessa glândula foram utilizados os seguintes materiais: polietileno (material dos espaguetes flutuadores de piscina), miçangas, papel Paraná ou papelão para a sustentação das partes. Em relação ao desenvolvimento conceitual das glândulas produtoras de hormônios presentes nas gônadas, foram confeccionados os modelos didáticos do sistema reprodutor feminino e masculino. Para a confecção do modelo didático do sistema reprodutor feminino, foram utilizados os seguintes materiais: barbante, balões, e.v.a com textura atoalhada, papel ondulado, papel Paraná ou papelão para a sustentação das partes. Na confecção do sistema reprodutor masculino, foram usados: esponja lisa e crespa, tecido, sonda (de equipo). O estudo foi desenvolvido com um estudante com deficiência visual inserido no 9º ano do Ensino Fundamental através de intervenção on-line. Os resultados da investigação apontaram que através da utilização de recursos didáticos acessíveis para o ensino de Ciências ao estudante cego, foi possível oportunizar a participação desse estudante com equidade nos processos de ensino e de aprendizagem. Os materiais elaborados podem ser considerados como recursos significativos, as diferentes texturas possibilitaram ao estudante cego se apropriar de um conceito científico de forma concreta de estruturas, assim como sua dinâmica de interação. Nesse sentido, as adaptações realizadas nos materiais possibilitam o uso não somente de estudantes com deficiência visual, mas também de estudantes videntes mostrando como todos podem fazer uso significativo de um mesmo material seguindo um dos conceitos básicos para a educação inclusiva.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
MODELOS DIDÁTICOS ACESSÍVEIS PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS. UMA POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116041. Acesso em: 18 abr. 2026.