RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA NA DISCIPLINA DE BASES EXPERIMENTAIS NA QUÍMICA
Palavras-chave:
Inclusão, Aprendizagem, PráticasResumo
O presente trabalho é o relato da licenciada Dyessyca Luiz Silveira, PCD, estudante do curso de Licenciatura em Ciências Exatas, na Universidade Federal do Pampa, campus Caçapava do Sul - RS, diagnosticada com paralisia cerebral e baixa visão. Este trabalho apresenta o relato de uma experiência sobre a inclusão de pessoas com deficiência no ensino superior, onde não só a inserção, mas também a permanência dessas pessoas, é de extrema importância para a sociedade. Temos como conceito de acessibilidade a transformação do ambiente físico e digital para a autonomia e liberdade de qualquer pessoa com deficiência. Já a inclusão é o conjunto de atitudes e artifícios utilizados para garantir que diferenças de classe social, idade, educação, gênero, raça e também condições físicas e mentais não sejam barreiras para o acesso a bens, serviços e oportunidades que são de direito a todos. Portanto a acessibilidade é um dos atributos que a inclusão abraça. A inclusão e a acessibilidade devem estar presentes no sistema educacional em todos os níveis e modalidades, da Educação Básica à Educação Superior, por meio da interdisciplinaridade da educação especial que se efetiva nas ações que promovem o acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem desses discentes. No processo de ensino-aprendizagem as atividades práticas acessíveis ganham destaques, pois permitem a observação e aplicação de conhecimentos técnicos de uma forma que, não seria possível esta experiência apenas com a teoria. Neste breve relato, a aluna descreve sua experiência nas aulas práticas do componente curricular de Bases Experimentais na Química e justifica-se pela importância da acessibilidade e inclusão. O objetivo é descrever, como está sendo ministrada a disciplina, para a discente. Com o auxílio dos monitores do Núcleo de Inclusão e Acessibilidade - Nina, a professora ministra as aulas da disciplina, utilizando-se de métodos acessíveis a discente, letras em fonte maiores no quadro com tons escuros para facilitar a visão, explicação didática com desenhos, disponibilidade prévia de materiais, fotos e vídeos, e também aproveita-se dos próprios sentidos da aluna (o tato, principalmente). Como exemplo de aula acessível, foi feito um experimento de medição de massa e de volume utilizando 10 mL de água como massa, em vários instrumentos de medidas laboratoriais, onde a aluna pode ter contato direto por tato com os instrumentos, e conseguiu constatar que, após a pesagem, obteve-se um valor de massa diferente para cada instrumento utilizado. Em outra aula, a aluna pode perceber com bastante facilidade que, além da água, existem outros líquidos com diferentes densidades e características organolépticas. Assim, foram medidos em pipeta volumétrica, 10 mL de solvente (diclorometano, acetona e tolueno), e pesados em balança para o cálculo da densidade. Explicou-se como as estruturas dessas moléculas contribuem para esta propriedade intrínseca. Por exemplo, o anel de tolueno foi comparado ao anel da aluna para que fosse possível explicar a sua existência na forma tridimensional, utilizando assim o tato. Com relação aos resultados obtidos, pode-se dizer que, a aula prática, através do uso de métodos acessíveis proporcionam um ambiente favorável à participação e interação da aluna, o qual obteve uma maior compreensão dos conteúdos ministrados. Assim é importante ressaltar que, sempre deve-se adotar boas práticas de ensino inclusivo, e dessa forma considerar o aluno como elemento central, na criação de aulas acessíveis. A boa comunicação entre professor e alunos, deve ser prática e constante para que as dificuldades sejam sanadas e para que as alternativas de boas práticas sejam buscadas. Como conclusão, podemos dizer que, a universidade é um espaço democrático de disseminação de conhecimento e de formação intelectual e social do indivíduo, em que deve ser garantido a adaptação desse ambiente universitário aos grupos minoritários como é o caso da pessoa com deficiência. Certamente, os docentes que se abrem para a inclusão educacional podem colaborar para uma educação de maior qualidade e mais acessível para todos os estudantes independentemente de suas características. Com relação a aula prática propriamente dita, pode se avaliar que foi de extrema importância, para a aluna, pois pode vivenciar na prática, e participar ativamente da atividade desenvolvida, e obter assim os conhecimentos significativos. Os experimentos possibilitaram a aplicação de conhecimentos teóricos anteriores, que fortaleceram o interesse e o aprendizado da estudante.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA NA DISCIPLINA DE BASES EXPERIMENTAIS NA QUÍMICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116033. Acesso em: 17 abr. 2026.