IMPACTO DO USO DE UM MODELO 3D NO CONHECIMENTO DE FISIOLOGIA DE MEMBRANA

Autores

  • Giulia Azevedo Martinez
  • Giulia Azevedo Martinez
  • Anna Cecília Perretto Vieira de Souza
  • Larissa de Almeida Dias
  • Nelson Gustavo Novais Marinho
  • Pâmela Billig Mello Carpes
  • Ana Carolina de Souza da Rosa

Palavras-chave:

Quebra-cabeça, 3D, Fisiologia, Consolidação, conhecimento

Resumo

A Fisiologia Humana, presente no currículo dos cursos de saúde, é um dos pilares para o aprendizado do funcionamento do corpo humano, e o entendimento da fisiologia celular é essencial para a compreensão dos sistemas orgânicos. Porém, muitas vezes os discentes apresentam dificuldades no estudo do mundo microscópico. O uso de tecnologias contribui para tornar a matéria mais palpável, e a utilização de modelos 3D e de plataformas tecnológicas interativas são recursos promissores. Assim, investigamos o impacto da utilização de um quebra-cabeça 3D de membrana celular e suas proteínas na autopercepção de conhecimento e no aprendizado de graduandos da área da saúde. Este estudo foi aprovado pelo CEP (nº 3.091.629). Estudantes dos cursos de Enfermagem e Fisioterapia da Universidade Federal do Pampa matriculados na disciplina de Fisiologia Humana I em 2023/01 foram incluídos nesta pesquisa (n = 43). Seis dias após aula teórica expositiva-dialogada sobre fisiologia celular, os estudantes foram divididos em subgrupos menores para uma atividade prática de 50 min com o uso do modelo 3D de membrana celular e suas proteínas, associado à plataforma interativa online Lt (AdInstruments). Foi aplicado um pré-teste contendo 4 questões, duas sobre autopercepção do conhecimento (nas quais os alunos deveriam afirmar se entendiam com certeza, entendiam com dificuldade, ou não entendiam a diferença entre proteínas de canais e carreadoras e o funcionamento da bomba de Na+/K+ ATPase); e mais duas questões conteudistas (nas quais os discentes eram testados quanto aos seus conhecimentos de difusão simples e facilitada e características dos transportes através da membrana). Após, seguindo roteiro disponibilizado no Lt, os alunos deveriam realizar a montagem do quebra-cabeça, discutindo e respondendo às questões propostas na plataforma online. Ao final, um pós-teste era aplicado. Para as questões 1 e 2, referentes à percepção de conhecimento, convertemos as respostas em uma escala de autopercepção do conhecimento com intervalo de 1 a 3, sendo 3 a percepção positiva, e realizamos análise descritiva de frequência absoluta (n) e relativa (%) para todas as questões do pré e pós-teste. Utilizamos o teste de Shapiro Wilk, seguido de teste de Wilcoxon para comparar a percepção pré e pós-prática. Os resultados das questões conteudistas foram analisados considerando o percentual de respostas corretas versus incorretas pelo teste Qui-Quadrado (χ²) nos diferentes momentos (pré e pós teste) por meio de uma tabela de contingência (2 x 2). No pré-teste, 34,88% dos discentes (n=15) afirmaram que sabiam com certeza a diferença entre proteínas de canal e carreadoras, 58,14% (n=25) sabia a diferença, mas com dificuldade, e 6,98% (n=3) não sabia a diferença. Após a intervenção com as peças 3D, 86,05% (n=37) afirmou que sabia a diferença com certeza, e apenas 13,95% (n=6) afirmou saber, mas com dificuldade. Houve melhora significativa na autopercepção de conhecimento após a intervenção (p<0,0001). Quando questionados acerca de seu conhecimento sobre o funcionamento da bomba de sódio e potássio ATPase, antes da intervenção 9,30% dos discentes (n=4) afirmaram saber com certeza, 48,84% (n=21) que sabiam explicar, mas com dificuldade, e 41,86% (n=18) que não sabiam explicar. Após a intervenção, a maioria (74,42%; n=32) disse saber explicar com certeza, 23,26% (n=10) acreditava saber explicar com dificuldade, e apenas 2,32% (n=1) não sabia explicar. Nesta questão, também observamos melhora na autopercepção do conhecimento após a intervenção (p<0,0001). Na avaliação do aprendizado do conteúdo, quando questionados acerca da taxa de difusão de uma molécula em relação ao seu gradiente de concentração nos dois tipos de difusão, antes da atividade 58,14% (n=25) dos alunos responderam corretamente, enquanto 41,86% (n=18) incorretamente. Após a prática com o quebra-cabeça 3D, 46,51% (n=20) respondeu corretamente, e 53,49% (n=23) não. A análise de Qui-quadrado não demonstrou diferença significativa entre acertos e erros no pré x pós teste (p=0,2804). Por fim, quando questionados sobre conceitos gerais de transportes através da membrana, antes da intervenção 25,58% (n=11) dos discentes respondeu corretamente, enquanto 74,42% (n=32) respondeu incorretamente. Após, 16,28% (n=7) respondeu corretamente, enquanto 83,72% (n=36) incorretamente. A análise de Qui-quadrado não revelou diferença significativa entre acertos e erros no pré x pós teste (p=0,2890). Os resultados demonstram que a autopercepção do conhecimento sobre as proteínas de membrana melhora após a aplicação do quebra-cabeça 3D da membrana celular, o que revela que os discentes acreditam ter adquirido maior conhecimento após as aulas teórico-expositivas e práticas. Porém, o conhecimento dos alunos não muda após a prática com as peças 3D da membrana celular e suas proteínas. Estes dados revelam a importância de avaliar não apenas a percepção de conhecimento dos alunos, mas também o aprendizado propriamente dito.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

IMPACTO DO USO DE UM MODELO 3D NO CONHECIMENTO DE FISIOLOGIA DE MEMBRANA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116020. Acesso em: 17 abr. 2026.