INTERVENÇÃO CIRÚRGICA PARA ESTABILIZAÇÃO DE LUXAÇÃO SACROILÍACA EM FELINO: MANEJO E COMPLICAÇÕES
Palavras-chave:
luxação, sacroilíaca, fratura, radiografiaResumo
A luxação é uma lesão ortopédica caracterizada pela perda total da congruência articular entre dois ossos, que ocorre quando a força exercida em determinada região supera a sua capacidade de resistência, fenômeno que está relacionado na maioria dos casos a eventos traumáticos, como acidentes automobilísticos. A luxação sacroilíaca designa a separação entre sacro e ílio, pode ocorrer uni ou bilateralmente, sendo a apresentação unilateral mais comumente associada a uma ou mais fraturas pélvicas. Em ambos os casos, há instabilidade da pelve e dano ao canal pélvico, pela redução do seu espaço anatômico. A afecção tende a acontecer em animais jovens, devido a sínfise sacroilíaca ter componentes articulares fibrosos. Em felinos, as fraturas de pelve representam cerca de 30% das fraturas diagnosticadas e, entre elas, há predominância da luxação sacroilíaca e fratura do corpo do ílio. Atualmente, existem duas opções para o tratamento, através do manejo conservador ou intervenção cirúrgica, sendo este o método preferível, pois proporciona um tempo de recuperação curto e maior alívio da dor associada à instabilidade óssea. O presente trabalho tem como objetivo apresentar a relevância da utilização dos exames de imagem para o planejamento cirúrgico e os desafios na intervenção cirúrgica em fraturas de pelve em pacientes felinos pediátricos. Foi atendido um felino, fêmea, SRD, não castrado, de 1,950 Kg, e de aproximadamente seis meses de idade no Hospital Universitário Veterinário (HUVet) da Universidade Federal do Pampa, em Uruguaiana, encaminhado de clínica particular para avaliação cirúrgica, com suspeita de luxação sacroilíaca esquerda. No atendimento clínico, tutora relatou que o animal resgatado foi atropelado há duas semanas, apresentava constipação, normodipsia, normofagia e estava sob uso de anti-inflamatório não esteroidal (meloxican), prescrito em atendimento anterior, há 10 dias. Foram solicitados exames de ultrassonografia abdominal, radiografia da pelve nas projeções ventrodorsal, laterolateral esquerda e direita, hemograma e bioquímico. No exame hematológico, bioquímico e ultrassonográfico, não foram encontradas alterações significativas. Na radiografia, animal foi diagnosticado com fratura incompleta em colo femoral esquerdo, fratura completa em ílio esquerdo, luxação sacroilíaca esquerda em porção articular do íleo com acetábulo esquerdo, associado à esclerose em ílio e ísquio, com diminuição significativa do tamanho do canal pélvico, ossificação do ísquio incompleta e luxação entre vértebras S1-C1. O tratamento prescrito foi cirúrgico. Assim, foi realizada exérese artroplástica de cabeça e colo femoral. Para isso, foi feita incisão craniolateral na região do quadril, divulsão dos músculos glúteo, tensor da fáscia lata e vasto lateral. Em seguida, realizou- se incisão craniolateral na cápsula articular. Foi observado aumento na espessura da cápsula e fibrose na região. Removeu-se a fibrose para melhor exposição do colo femoral e identificação da cabeça femoral, visto que a mesma estava fraturada completamente. Com uma goiva, o colo foi removido e, a superfície, regularizada com uma lima. Com o membro em rotação externa, identificou-se o acetábulo e a cabeça femoral nele, seccionou-se o ligamento redondo e a cabeça foi removida. A musculatura foi aproximada com sutura contínua simples, utilizando PGLA 2-0, o subcutâneo foi reduzido em padrão colchoeiro simples com PGLA 2-0 e, a dermorrafia, em padrão Wolff com nylon 2-0. Posteriormente, realizou-se incisão dorsolateral, secção e divulsão do músculo glúteo médio, expondo o ílio. Não foi possível realizar a estabilização, pois já havia formação de fibrose excessiva no local, a ponto de estabilizar a luxação sacroilíaca de modo que impossibilitou a redução para abertura do canal pélvico, havendo risco de refratura ilíaca com tentativas excessivas de tração. No pós-operatório, foi prescrito dipirona (25mg/Kg; TID; 5 dias), tramadol (3mg/Kg: TID; 3 dias), cefalexina (30mg/Kg; BID; 7 dias), óleo mineral (1ml/Kg) e exclusivamente dieta pastosa, objetivando minimizar constipação. Dessa forma, em casos nos quais a intervenção cirúrgica para estabilização da luxação ocorre de maneira tardia, as sequelas implicam em procedimentos de maior complexidade com intuito de ampliar o canal pélvico, sendo assim, o clínico veterinário deve realizar o encaminho precoce, a fim de instituir tratamento ágil, que irá contribuir para melhor recuperação das lesões e retorno breve à deambulação.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
INTERVENÇÃO CIRÚRGICA PARA ESTABILIZAÇÃO DE LUXAÇÃO SACROILÍACA EM FELINO: MANEJO E COMPLICAÇÕES. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116014. Acesso em: 17 abr. 2026.