HEMANGIOSSARCOMA CUTÂNEO EM FELINO: RELATO DE CASO

Autores

  • Leticia Moreira
  • Laura Brasileiro Boelter
  • Samanta Gabriela Ortiz de Carvalho
  • Deisy Daiana Lerner
  • Gustavo Forlani Soares

Palavras-chave:

Hemangiossarcoma, cutâneo, Medicina, Felina, Veterinária

Resumo

O hemangiossarcoma é uma neoplasia maligna e surge a partir de precursores de células endoteliais derivadas da medula óssea. É uma patologia comum em cães e incomum em gatos. O prognóstico pode variar de acordo com a localização, visto que pode se manifestar tanto na forma visceral, onde se tem como principais órgão alvos o baço, coração e fígado, ou acometer tecidos cutâneos e subcutâneos, os quais podem se surgir na forma de massa visível. Quando localizado na pele apresenta prognóstico mais favorável em comparação com as localizações viscerais. A exposição crônica à radiação ultravioleta tem sido descrita como o principal fator predisponente O exame histopatológico é considerado como padrão ouro para confirmação do diagnóstico. Um felino, fêmea, 5 anos de idade, sem raça definida, de pelagem tricolor, com acesso a rua, pesando 3,34kg, foi atendido no Hospital Gatices, localizado na cidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, onde foi relatado pelo tutor que o animal estava apresentando manchas no plano nasal, há cerca de um ano, as quais evoluíram para padrão crostoso e alguns meses depois começou a surgir na região periocular direita. Ambas lesões estavam localizadas em uma área de pouca pigmentação. Ainda relatou que o animal coçava bastante no local e às vezes sangrava. Os parâmetros vitais foram avaliados não apresentando alterações, escore corporal dentro do ideal (4 de 9). O animal já havia passado por outra veterinária, a qual tinha como suspeita de esporotricose e carcinoma, já havia feito citologia por imprint e coleta com swab para cultura fúngica, porém não houve resultados compatíveis com a suspeita clínica. No exame físico foi possível visualizar um nódulo no canto medial da pálpebra com crostas hemorrágicas no centro e pequenas crostas localizadas no plano nasal menores e superficiais. Devido à ausência de melhoria das lesões, recomendou-se a remoção do nódulo, repetição da cultura fúngica e realizar exame histopatológico após a retirada do fragmento. A médica veterinária responsável pela realização do procedimento, sugeriu que além da retirada da massa, fosse realizada criocirurgia no local e nas demais lesões. Durante o procedimento, quando foi realizada incisão nas bordas do nódulo, houve sangramento intenso, sendo necessário aplicação de adrenalina local para reduzir o sangramento. Logo em seguida, após estancar a hemorragia, foi realizada a síntese e seguido pela criocirurgia no local e nas lesões no plano nasal. O fragmento biopsiado foi encaminhado para o Laboratório de Patologia Veterinária (CPV) e a amostra para cultura fúngica foi encaminha para o Laboratório de Tecnologia em Sanidade Animal (TECSA), para assim refazer a cultura fúngica e descartar ou confirmar as suspeitas iniciais. Para casa foi indicado manter o ITL 100mg, tobramicina uso tópico nas lesões BID, dipirona 25mg/kg SID mais 3 dias, metilprednisolona (Metilvet®) 5mg/kg 1 cp SID mais 2 dias, além de manter o uso do colar elisabetano e retornar para revisão após 7 dias. O exame histopatológico resultou em hemangiossarcoma cutâneo, com 5 figuras de mitose, com nível de invasão na derme superficial e profunda, não sendo identificada invasão linfovascular com a margem profunda comprometida. Foi conversado com o tutor sobre o resultado do exame histopatológico e realizada a suspensão do ITL 100mg e do iodeto de potássio e manter o uso do colar e da pomada de tobramicina. Além disso, foi sugerido e realizado exames de radiografia e ultrassonografia para pesquisa de metástase, porém não houve alterações ou evidências de neoplasias e metástases. A paciente retornou ao hospital para revisão pós cirúrgica, apresentou boa cicatrização das lesões, incisão da pálpebra ainda apresentava crosta mais profunda no canto medial, sem sangramento ou sinais de inflamação, outras lesões nasais sem crostas com ponto avermelhado, sem alterações no exame físico. Entretanto, foi solicitado que se mantivesse o acompanhamento da evolução das lesões e também o retorno da paciente caso houvesse alguma alteração. Dessa forma, com base neste caso, é importante considerar o hemangiossarcoma cutâneo como uma etiologia diferencial em gatos com lesões nodulares, especialmente, nos de pelagem branca ou que possuem áreas de hipopigmentação.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

HEMANGIOSSARCOMA CUTÂNEO EM FELINO: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116011. Acesso em: 18 abr. 2026.