RESÍDUOS GERADOS POR EMPRESAS DO SETOR ALIMENTÍCIO: QUANTIDADES E ALTERNATIVAS
Palavras-chave:
Desperdício, Meio, ambiente, RestaurantesResumo
Atualmente, 30% dos alimentos produzidos globalmente para consumo humano se perdem na cadeia de fornecimento e abastecimento. No campo, tem-se 10% de desperdício, durante o manuseio e transporte dos alimentos 30% se perde, no comércio o número se repete, 30% é desperdiçado e, por fim, 10% é perdido na mesa do consumidor final. De acordo com a The Food and Agriculture Organization (FAO), ⅓ dos alimentos produzidos no mundo é desperdiçado, gerando um impacto no consumo de água e terras utilizadas para agricultura. Os alimentos desperdiçados são considerados resíduos alimentares, os quais se referem aos resíduos orgânicos originados do preparo de alimentos, seja ele em estabelecimentos ou na cozinha residencial. Os resíduos provenientes da produção de alimentos, despejados de maneira incorreta ou sem tratamento adequado, podem causar danos ao solo, águas e vegetação, bem como à população. Para se evitar problemas gerados pela má administração dos resíduos e atender a legislação ambiental vigente, as empresas devem contar com alternativas para o destino final de seus produtos. Segundo (o instituto de recursos mundiais) a World Resourses Institute (WRI), o Brasil desperdiça cerca de 6 mil toneladas de alimentos por ano em restaurantes. Além de gerar prejuízos financeiros para os estabelecimentos, os resíduos impactam negativamente no meio ambiente. Diante disso, o objetivo do presente trabalho foi realizar um levantamento com alguns restaurantes do município de Bagé-RS, a respeito da quantidade de resíduos gerados e seu descarte final. A metodologia consistiu em realizar uma entrevista com os estabelecimentos, mapeando quantas refeições são distribuídas por dia, qual tipo de refeição a empresa vende, se a mesma possui separação de lixo seco e orgânico e como é essa separação, quantos quilos de lixo são gerados por dia, bem como se o lixo orgânico apresenta cascas e talos de frutas e hortaliças. Além disso, foi questionado se os proprietários têm conhecimento de formas para reaproveitar esses resíduos e se já haviam consumido produtos incorporados com os mesmos. Os cinco restaurantes entrevistados, servem em média 145 refeições por dia, sendo elas almoço, janta e lanches. Dentre eles, 60% não realizam a separação do lixo seco e orgânico. Os outros 40% realizam a separação através de sacos plásticos e baldes com tampas. Apenas 20% dos restaurantes sabem quantos quilos de lixo geram por dia, sendo esse valor cerca de 50 kg. 100% dos restaurantes possuem cascas e talos de frutas e hortaliças em seus resíduos orgânicos, porém apenas 40% conhece uma forma de fazer o aproveitamento dos mesmos, dando como respostas o preparo de subprodutos ou adubo. Apenas 20% dos responsáveis pelos estabelecimentos já experimentaram produtos adicionados de resíduos alimentares, porém 80% demonstraram interesse em aprender novas técnicas para se evitar o desperdício e aproveitar integralmente os alimentos. A pesquisa evidencia que os estabelecimentos e os consumidores não têm o conhecimento e a consciência necessários para tratar do assunto desperdício e reaproveitamento. A informação e a tecnologia devem ser aliados de todos os atores da cadeia de produção, até o consumidor final. Dentre as alternativas para o reaproveitamento dos resíduos, tem-se a utilização dos mesmos para o preparo de novos produtos, como bolos, sobremesas, molhos, sopas e sucos incorporados com cascas e talos de frutas e hortaliças, atuando como fontes de vitaminas, minerais, proteínas e fibras. Além disso, a técnica de compostagem é uma ótima alternativa, uma vez que a mesma tem a finalidade de acelerar a estabilidade da matéria orgânica, gerando componentes importantes para o solo como: sais minerais, nutrientes e húmus. Ademais, a Lei n° 14.016 de 23 de junho de 2020 dispõe sobre o combate ao desperdício de alimentos e a doação de excedentes de alimentos para o consumo humano. A lei traz um grande crescimento para o combate à fome e a geração de resíduos. Diante do exposto, conclui-se que é necessária a aplicação de estratégias para se combater o desperdício e, dessa forma, se realizar o aproveitamento integral dos alimentos. Os estabelecimentos devem receber treinamentos e consultorias a respeito de alternativas para destinação de seus resíduos, bem como a população deve ser engajada em campanhas de conscientização sobre o assunto, refletindo também sobre questões de fome no país, advindas do desperdício de alimentos.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RESÍDUOS GERADOS POR EMPRESAS DO SETOR ALIMENTÍCIO: QUANTIDADES E ALTERNATIVAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113255. Acesso em: 15 maio. 2026.