OFICINA TERRITÓRIOS NEGROS COMO MÉTODO ANTIRRACISTA NAS ESCOLAS

Autores

  • Vinicius Franco
  • Vinicius Costa Franco
  • Anderson Machado
  • Caiua Cardoso Al Alam

Palavras-chave:

Ensino, História, Territórios, Negros, Educação, anti-racista

Resumo

Este trabalho visa apresentar a oficina Territórios Negros em Jaguarão, realizada pelo Grupo de Estudos sobre Escravidão e Pós-Abolição (GEESPA). Esta oficina tem como perspectiva a prática de educação antirracista, abordando a história e protagonismo dos/as africanos/as e seus descendentes na cidade fronteiriça de Jaguarão, constituindo um importante material em diálogo com a lei 10.639/03. A construção do projeto se deu durante a pandemia, nos anos de 2020 e 2021, onde foi elaborado o projeto de extensão, e a finalização do ebook Territórios Negros em Jaguarão (2022), que contem um conjunto de verbetes sobre cada território negro, mapeados e abordados com base em referências bibliográficas debatidas pelo grupo. Entendemos por territórios negros, sendo tanto um território ocupacional que pode ser de moradia ou reunião dos/as sujeitos negros/as, quanto território interacional que é de experiência de trocas sociais coletivas da comunidade negra, geralmente lugares públicos onde se cria ou expressa significados importantes da identidade étnico-racial negra (LEITE, 1990). Este mapeamento, e a idealização da oficina, teve origem no ano de 2011, nas mobilizações para reverter a perda da sede do Clube 24 de agosto, um importante local do associativismo negro gaúcho, que a partir de rodas de memória, foi surgindo territórios importantes evidenciados pela comunidade do Clube. O que realizamos neste projeto, foi a reorganização e qualificação de momentos da Oficina, sendo assim, uma continuidade destes longos anos de trabalho junto à comunidade negra jaguarense. Após a produção do ebook, que é material didático direcionado a comunidade escolar, elaboramos a prática da oficina. No primeiro momento, foi feita uma atividade formativa junto aos/as educadores/as das turmas participantes do projeto com foco na apresentação do tema de estudo e a perspectiva de Jaguarão como uma cidade negra. Logo após, a cada semana trabalhamos com uma turma escolar em específico, focada nos 9º anos do Ensino Fundamental e 3º anos do Ensino Médio, constituindo dois momentos. O primeiro de atividade em sala de aula, onde abordamos as resistências políticas da comunidade negra, com foco na Imprensa Negra. Esta é entendida como um mecanismo de luta que buscava agrupar os homens de cor, dando-lhes senso de solidariedade e encaminhá-los a buscar educação para lutar contra o racismo, constituindo um mecanismo de educação e protesto (BASTIDE; apud. ABREU; 2002). Com isso mostramos alguns protagonistas na luta antirracista na cidade, refletindo as continuidades do período da Escravidão para o Pós-Abolição, e até os dias de hoje. Depois, no segundo momento, realizamos o percurso utilizando o Micro-ônibus da Unipampa, passando por nove locais, espalhados pelo centro histórico da cidade. Uma escolha fundamentalmente política para ressignificar esta área, que foi de constante ocupação do/as trabalhadores/as negros/as, mas que em seus símbolos expressivos, como praças, monumentos, ruas e casarões, reflete a memória da elite branca. Desde o começo das atividades práticas, no dia 14 de junho de 2022, foram 7 escolas e o IFSUL, e cerca de 250 estudantes. Até o fim do ano letivo escolar, toda a agenda está lotada, o que evidencia um maior número de estudantes participando da Oficina até dezembro de 2022. Nesta prática, inserimos o debate antirracista, apresentamos outras perspectivas da cidade, e de relação da/o estudante com a História, os aproximando de conceitos historiográficos através de memórias que são reproduzidas no cotidiano. No movimento de levar as turmas para estes territórios, os/as discentes se interessam e mostram intimidade com o mundo afro-religioso, principalmente em locais como a Praça das Figueiras, que expressam as heranças e ressignificações da cultura africana. Em outros, reflete alguns preconceitos enraizados na população, que é expressivo quando estamos na Cadeia Municipal, espaço onde pontuamos a estrutura do racismo na constituição e atuação policial e judicial no país, despertando curiosidade dos/as alunos/as, e até de professores/as, e que é observado alguns comentários racistas. De acordo com os objetivos da oficina, de ser uma prática educativa antirracista e que vislumbra o protagonismo negro na cidade, além de reessignificar esses espaços, este confronto com os discursos de preconceitos enraizados está previsto, ao evidenciar as perversidades oriundas de mais de 350 anos de escravidão, mas também mostrando uma comunidade negra ativa que reproduz em seu cotidiano referências das culturas africanas, e não esteve passiva aos grilhões e aos apagamentos, pelo contrário, construiu práticas e instituições de protagonismo negro na região.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

OFICINA TERRITÓRIOS NEGROS COMO MÉTODO ANTIRRACISTA NAS ESCOLAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113230. Acesso em: 14 maio. 2026.