ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA
Palavras-chave:
Educação, antirracista, Livro, didático, Lei, 10, 639/03, 11, 645/08Resumo
ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA (Autores e Afiliações) Paulo Jose Rodrigues Telles, discente de graduação de licenciatura em Geografia, Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja Nola Patrícia Gamalho, docente, Universidade Federal do Pampa paulotelles.aluno@unipampa.edu.br O presente trabalho busca identificar como os livros didáticos de geografia no ensino fundamental abordam as questões étnico-raciais nos conteúdos oferecidos aos estudantes, tendo em vista a obrigatoriedade do ensino das relações étnico-raciais, a partir da lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003 que inclui no currículo escolar a temática da história e cultura afro-brasileira e indígena, como também, em conformidade com as competências (conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Delimitou-se os seguintes objetivos: identificar nos livros didáticos como são tratadas as questões étnico-raciais e constatar as questões étnico-raciais no desenvolvimento das habilidades da BNCC em geografia. O percurso metodológico foi qualitativo, de pesquisa bibliográfica no acervo da editora Saraiva, coleção Por dentro da Geografia, no ensino fundamental, anos finais. Foi comparado a escrita do livro com as habilidades que abordam as questões étnico-raciais da BNCC, preenchido em uma planilha de análises. A abordagem da coletânea Por dentro da Geografia apresentou-se bem diversa, tendo em vista que em diferentes momentos a presença de negros e indígenas é controversa, ora reforça estigmas sociais, ora propõe reflexões acerca do papel histórico na constituição do espaço em diferentes períodos históricos. No sexto ano do ensino fundamental, é proposto a habilidade de análise territorial em vista das modificações das paisagens, bem como as interações entre a sociedade e o ambiente, e neste ponto, percebeu-se que o livro descrevia o sentido de lugar para os indígenas diferente da concepção da civilização ocidental, portanto, apresentou aspectos da cultura dos povos indígenas e sua relação com a natureza, porém, havia capítulos com a perspectiva interdisciplinar. Considera-se que a coleção não trouxe subsídios que ampliassem o conhecimento do estudante com a cultura indígena, visto que hoje é possível perceber no contexto urbano a dinâmica, sua arte. Ainda como uma temática atual, que são os conflitos pelas demarcações territoriais, o livro traz figuras para ilustrar esta problemática, mas poucas reflexões escritas que auxiliassem o estudante no desenvolvimento do pensamento crítico, pois, se constroem que a pecuária e a agricultura industrializada, pode apresentar riscos ambientais e os povos quilombolas e indígenas têm uma relação de preservação ambiental com seu espaço. No sétimo ano, o livro didático discute a formação territorial e população. Neste livro percebeu-se que os conteúdos se constituíram de forma fragmentada, pois, na formação territorial do Brasil, negou-se a presença dos negros escravizados, em um primeiro momento, e em sua escrita, os indígenas possibilitaram a permanência e manutenção da presença europeia com o trabalho escravizado, inclusive, destacado como objeto de caça dos portugueses. Outro aspecto importante de destacar na formação territorial é, quanto a descoberta do Brasil é uma invasão às terras dos povos originários. A problemática das demarcações territoriais, que antes não estava contemplada nos conteúdos do sexto ano, aqui já é possível identificar os conflitos entre indígenas e fazendeiros. Outro aspecto importante, no uso da linguagem para se referir às pessoas negras não reduzindo-as escravo, e sim negros escravizados, importante colocação para aprendizagem dos estudantes. Porém, em outros aspectos limitou-se a descrever os negros em uma abordagem eurocêntrica, como exemplo das figuras utilizadas nos livros do oitavo e nono ano, nas quais foram utilizados personagens negros para caracterizar a pobreza, insegurança alimentar, vulnerabilidades. Outro exemplo foi a utilização da imagem de um homem jovem negro subnutrido, com ênfase nas desigualdades socioespaciais no continente africano, restringindo a ampliação das questões econômicas, culturais, dinâmica populacional do continente. Entretanto, observa-se destaque para a exploração e a colonização do continente, em alguns trechos percebe-se o discurso do neocolonialismo, e a inferioridade da pessoa negra, pois, apesar da riqueza, a população vive em extrema vulnerabilidade, reforçando que a dependência das grandes potências mundiais, é uma alternativa para a manutenção do continente africano. Inclusive, ao discutir a hegemonia europeia, retrata as pessoas negras escravizadas como produto de tráfico. Portanto, verifica-se que em alguns aspectos a avanços em relação ao material didático produzido, mas em outros cenários, justifica-se a necessidade de repensar a escolha do material didático para construir uma educação antirracista a revisão nos materiais didáticos é de suma importância.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113227. Acesso em: 9 jun. 2026.