Charlas Feministas: relatando experiências e construindo reflexões

Autores

  • Thais Andressa Pereira Fusari
  • Aline Gonçalves Silva
  • Mariana Costa Finardi
  • Juliana Brandão Machado

Palavras-chave:

Combate, Violência, Representatividade, Transformação, Feminismo

Resumo

O referido trabalho visa apresentar uma reflexão sobre a atividade "Charlas Feministas" realizada pelo Programa de Educação Tutorial (PET) Pedagogia, da Universidade Federal do Pampa, campus Jaguarão, que integrou o projeto de extensão "Segundas do PET Pedagogia: Diálogos interdisciplinares em educação 2° Edição", organizada pelo eixo temático Gêneros e Sexualidades. Este trabalho possui o objetivo de apresentar as percepções acerca das discussões desenvolvidas durante a atividade. A metodologia do trabalho se baseia em uma análise qualitativa da atividade em questão. O referido projeto tem sido desenvolvido pelo grupo, através de lives no canal do YouTube, com o intuito de construir diálogos sobre os temas de Direitos Humanos, Educação para as Relações Étnico-raciais e Gêneros e Sexualidades, a fim de estreitar os debates entre os cursos e os temas sociais emergentes, bem como conduzir uma interação entre as mulheres da fronteira Jaguarão - BR e Rio Branco - UY. Sendo assim, para as discussões foram convidadas três mulheres para o debate. A primeira foi Mangela Brito, estudante do curso de Produção e Política Cultural, ativista social uruguaia, agente comunitária e autônoma, coordenadora e fundadora do projeto "Nossa Utopia", integrante do grupo "Mulheres de Fronteira" e do projeto refeição solidária e ganhadora do Prêmio Mestra Sile Amaro. Ela introduziu o diálogo sobre a violência contra a mulher e as irresponsabilidades políticas na preservação da segurança e do acolhimento, citando ainda a construção da Sala Lilás, um projeto de apoio e acolhimento a mulheres em situação de vulnerabilidade e violência doméstica, a fim de resgatá-las e inseri-las na sociedade seguras e livres de maus tratos. A segunda convidada foi Maria Fernanda Passos, jornalista do Canal Diário Centro do Mundo, ativista cultural, 1° suplente na câmara de vereadores de Jaguarão e integrante do grupo "Mulheres de Fronteira'', que discutiu sobre a necessidade de se promover espaços políticos em que as mulheres pudessem atuar de maneira que o sexismo não influencie nas decisões, construções de propostas e, principalmente, na validação da representatividade feminina no poder público. Assim como as primeiras lutas feministas do século XIX em busca pelos direitos políticos de voto, liderados pelo movimento sufragista, ainda existe uma necessidade de resistência e reivindicação dos direitos políticos igualitários para mulheres inseridas na política nacional. Apesar de ser notável o crescimento dos números de mulheres eleitas tanto no Executivo quanto no Legislativo e em outras áreas do poder público, ainda possuem uma invisibilidade social que precisa ser debatida. Por fim, contamos com a participação da Professora Dra. Marcela Wanglon Richter, que atua como docente na Unipampa - Campus Jaguarão, poetisa, pesquisadora das Relações entre as palavras poética, resistência e amor principalmente em mulheres, coordenadora de projetos de leitura no cárcere para mulheres e homens. A professora conduziu uma reflexão sobre a importância e a necessidade dos debates feministas nos espaços educativos e na sociedade em geral, para que as violências causadas pelo machismo, sexismo e misoginia não impeçam as mulheres de ocuparem os espaços políticos, sociais e de direitos. Mesmo com o aumento da participação feminina nas universidades, ainda existe uma constante necessidade de reafirmação dos direitos das mulheres de estarem nestes espaços, como se essa reafirmação fosse pré-requisito para provarem que possuem tal capacidade. Sendo assim, o encontro abordou temas como a importância do engajamento da população na luta pelo feminismo, o combate à violência contra a mulher, o diálogo entre culturas, omissão dos governos e do Estado de forma geral, o fortalecimento do movimento feminista e as barreiras raciais que dividem também a própria categoria feminina. Com o desenvolvimento da atividade, o PET Pedagogia pôde construir novos temas para os encontros seguintes e auxiliou no desenvolvimento das pesquisas internas de cada bolsista. Como reflexão final, destaca-se a necessidade de ocupação feminina cada vez maior nos espaços de fala, participação e decisão, para que possamos ter esperança de fazer parte da transformação que buscamos de forma atuante, consolidando todas as conquistas que queremos e merecemos.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

Charlas Feministas: relatando experiências e construindo reflexões. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113215. Acesso em: 10 jun. 2026.